MA – ME – MI – MO – MU – Parte 1 Artigos, Crescimento Pessoal

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Uma jornada de transformação

Inicio este texto fazendo a você a seguinte pergunte:

– Você se lembra da Pangea?

Pangea era o nome do continente único que existia na era mesozóica. Sim, a porção sólida do planeta Terra era apenas uma “ilha” dentro de um único oceano chamado Pantalassa.

E por que toco neste assunto?

Por uma razão muito simples. Analise comigo o que, em poucas palavras, está acontecendo no mundo atual:

– a globalização uniu os mercados; deixaram de existir mercados locais ou nacionais para existir apenas um único e grande local onde as transações são feitas Teoricamente, este fato eliminou a noção de espaço:

– a tecnologia mantem o mundo conectado todas as horas do dia. A “democratização” da informação e das redes sociais tem facilitado a comunicação entre as pessoas a qualquer hora. Fala-se com o outro lado do mundo aqui e agora, mesmo sabendo que lá o tempo está de 12 a 13 horas à frente em relação ao nosso. Teoricamente, este fato eliminou a noção de tempo.

Talvez agora pode-se entender porque a globalização e a tecnologia transformaram o planeta em uma nova Pangea. Atualmente a divisão geográfica em continentes e os fusos horários entre eles não existem mais, exceto nos livros de Geografia.

Nossa época passou a ser a do aqui e agora.

E como é o “mundo” do aqui e agora onde você vive? Ele é um “mundo” com algumas características:

  • extremamente competitivo, onde a concorrência aumenta de forma exponencial e acirrada;
  • um “mundo” de equiparação produtiva, onde produtos se assemelham entre si, não importando onde sejam fabricados;
  • riqueza já não significa dinheiro; o capital financeiro foi substituído pelo capital humano. Pessoas é que geram e gerenciam o dinheiro. Mais de dois terços do valor de um produto ou serviço tem como fonte o conhecimento;
  • maior autonomia e liberdade de ação, isto é, as pessoas são mais informadas, conscientes e sabem avaliar alternativas. Por isso estão se tornando mais autônomas, empreendedoras dos próprios negócios e ainda escolhem a empresa onde irão trabalhar;
  • diversidade do público consumidor e segmentação de mercado em nichos específicos para atender pessoas da terceira idade, homossexuais, etc.

E tudo isso ocorrendo com uma velocidade incrível e onde o ambiente corporativo sofre uma contínua mutação, vive agitado e cheio de altos e baixos; um verdadeiro turbilhão.

Não é à toa que Cesar Souza, ao definir a Neo Empresa, a empresa deste mundo contemporâneo, a define como um trem bala trafegando em uma sinuosa montanha-russa.

Neste breve cenário do mundo atual, fica a pergunta:

– E eu? Como estou neste trem bala trafegando nesta montanha russa?

Se você, caro leitor ou leitora, ainda não tomou uma “chacoalhada” deste mundo, onde o real, muitas vezes, se funde ao virtual, sugiro que dê uma parada e olhe para si mesmo.

Você está mudando na mesma velocidade das mudanças do mundo? Ou continua se achando o mesmo de, apenas, 30 dias atrás?

Para aqueles mais lerdos (e a velocidade da mudança é algo individual além de ser também uma escolha pessoal) ou aqueles que continuam na mesma, sofrendo da “síndrome de Gabriela”, deixo a sugestão, que dá título a este texto, para que pensem e reflitam sobre si mesmos dentro desta “pangea” onde estamos inseridos.

1 – MA – de marasmo

Marasmo significa estagnação, inércia, paralização, indiferença, apatia, inatividade, falta de ação, falta de energia, torpor tédio, falta de estímulo, falta de ânimo, falta de vontade.

É assim que você se sente neste mundo volátil, incerto e sofrendo constantemente grandes e pequenas mudanças?

Veja a figura abaixo e imagine-se como o remador, remando em águas calmas e realizando os mesmos movimentos.

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Mesmo em movimento, isto é marasmo. Não existem fatores que vão mudar este status quo.

E você segue, por quilômetros seguidos, dias seguidos, anos seguidos, fazendo a mesma coisa, sem perceber que todo o seu entorno está mudando. Mas você vai em frente porque quer chegar ao seu destino e, quando chega, ele já não está mais lá; ele mudou de lugar porque o mundo mudou.

Infelizmente existem pessoas, corporações, entidades, que não mudam, ou por terem medo, ou por interesse próprio, não se dando conta que se não estiverem preparadas para viver o aqui e agora, não sobreviverão.

Acabou a monotonia dos negócios do século passado onde empresas duravam décadas e os profissionais tinham uma carreira previsível.

Hoje tudo é dinâmico e veloz. Veja se a figura abaixo não lhe traduz de forma mais realista o momento de hoje.

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Deixamos de remar em águas planas e calmas para remar em águas turbulentas e em locais cheios de obstáculos.

Agora eu lhe pergunto:

– Você já trocou de barco e de local para remar?

2 – ME – de metanóia

Se você ainda não trocou nem de barco e nem de local para remar, a metanóia pode ser o caminho.

Esta palavra tem origem grega e significa mudar o próprio pensamento, mudar de ideia (meta – além, depois e nóia – mente).

Em um sentido amplo, metanóia significa:

  • ter uma mente aberta ao novo e onde tem-se a certeza de que tudo pode ser transformado em algo melhor, seja o foco pessoal, empresarial, comunitário, social, etc.
  • ir além da aparência para viver em constante transformação interna (pensamentos, crenças, valores, etc.), tornando-se cada vez melhor á medida que aumenta seu autoconhecimento.
  • rupturas para a adoção de novos comportamentos.
  • aprendizado contínuo e, através dele, práticas que expandam capacidades e competências, mais abrangentes e mais especializadas.
  • inovar constante e continuamente produtos, serviços e processos para servir de forma sustentável a sua comunidade de negócios, de família, de amigos, etc.

Enfim, metanóia é contribuir para um mundo melhor.

Quando mudamos nossos pensamentos, mudamos nossa forma de sentir e agir. Mudamos o jeito de fazer as coisas e, quando assim procedemos, mudamos também os resultados. Para isso, o esforço e a energia dispendidos são muito mais mentais do que braçais.

Metanóia gera ações de transformação.

Se você mudou de barco e de local para remar e transformou-se em um metanóico, chegou o momento de ir para o próximo passo desta jornada.

3 – MI – de missão de vida

Certamente, quando você ainda era criança, alguém lhe perguntou:

– O que você vai ser quando crescer?

E você pode ter respondido uma série de profissões.

Aí você cresceu, estudou e se preparou para exercer uma atividade.

Muitas vezes as pessoas enveredam por caminhos que, mais tarde, as deixarão infelizes por não realizar coisas que as façam se sentir mais úteis e mais felizes.

Talvez o melhor caminho para entender nossa missão de vida seja o autoconhecimento. Você, por acaso, já se fez perguntas como:

– Qual a razão para eu estar vivo?

– Qual o meu papel, ou papéis, neste mundo?

O autoconhecimento nos ajuda a responder tais perguntas. Nossa missão de vida está atrelada ao que somos e ao que fazemos no desempenho de nossos mais diferentes papéis (pai/mãe, marido/esposa, colaborador/colaboradora, etc.). Descobrí-la, entretanto, pode não ser uma coisa fácil.

Acredito que nossa missão de vida está intimamente relacionada com a nossa vocação. Esta palavra deriva do latim vocare que significa chamamento, ato de chamar, tendo também o significado de tendência, pendor ou predisposição.

Vocare é aquela voz interior (automotivação?) que faz com que sintamos prazer em realizar nossas tarefas, independentemente de ganho financeiro, reconhecimento ou qualquer outra coisa. E, enquanto a fazemos, ela se torna fácil por mais árdua que seja.

Entretanto, existem pessoas que passam pela Vida se se darem conta de sua vocação.

Quantas pessoas você conhece que se formaram em uma faculdade e acabaram desistindo de sua profissão para percorrer outro caminho profissional?

E quantas outras existem que, durante o curso superior, percebem que aquilo não era o que queriam e também vão buscar outro caminho?

E aquelas que, sem saber qual caminho profissional seguir, vão tentar descobrí-lo através de um teste vocacional?

Aquele que já descobriu e segue sua vocação, certamente:

  • está sempre feliz com o que faz, pois encontrou significado para sua atividade;
  • não trabalha, se diverte, pois encontrou as razões para tal;
  • tem sempre um brilho no olhar, desde o início até o final da sua atividade;
  • nunca está cansado, está sempre disposto física e mentalmente;
  • renuncia a muitas coisas em prol de sua felicidade;
  • está sempre automotivado e tem energia para vencer e superar os desafios e obstáculos mais difíceis;
  • descobre sua missão de vida, o porquê de estar neste mundo e fazendo o que escolheu fazer, o que lhe dá prazer e o deixa feliz.

Quem segue sua vocação e sua missão de vida certamente irá mudar suas ideias e seus comportamentos, tornando-se uma pessoa melhor tanto para si como para os outros.

Laurie Beth Jones, em seu livro The Path, afirma que nossa missão se revela pelo autoconhecimento. Como naquele episódio onde perguntaram a Michelangelo como ele fazia para esculpir imagens tão perfeitas e ele respondeu:

– A obra está dentro da pedra. Eu só tiro os excessos.

Embora o ato de descobrir a missão de vida possa parecer difícil e trabalhoso, em realidade não o é. Basta uma virada para dentro de si mesmo e, “retirando os excessos”, você irá encontrá-la.

Veja a segunda parte neste link

Fava Consulting – Para viver com muito mais Qualidade

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

MA – ME – MI – MO – MU – Parte 1
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Últimos Comentários

  1. Neuza

    Concordo que missão de vida seja, a realização das nossas escolhas com prazer e sendo feliz.
    Parabéns

  2. Clever Rogério

    Prezado Dr. Fava, parabéns pelo artigo. De uma maneira super objetiva, disse tudo. Tudo começa com a decisão de querer, e a atitude de fazer.

  3. Sidnei Silva de Oliveira

    Achei muito interessante seu documentário pois atualmente estou exatamente vivendo essa situação de querendo me encontrar saber minha razão de viver e existir, e sabendo que deixei de concluir aguns passos que ainda preciso descobrir quais são…

  4. Luiz Roberto Fava

    Caros Clever Rogério, Michel e Sidnei agradeço pela participação e comentários. MA – ME – MI – MO – MU representam as sílabas iniciais de cinco estágios de uma jornada de transformação. Aguardem a parte 2.
    Abraços,
    Luiz Roberto Fava

  5. Olaia

    Textos como este são auténticas terapias no que concerne ao autoconhecimento e motivação para lutar e vencer na vida.

    Eu sou um desses que descobri a minha vocação aos 35 anos de idade e agora estou empenhado em “tirar os excessos” e estou feliz com a minha missão.

    Não pensem que todos me compreendem…

  6. Luiz Roberto Fava

    Olaia, fico feliz por seu comentário e pela sua confissão. Ninguém precisa lhe compreender. O importante é que você está feliz com sua missão. Eu, particularmente, descobri minha segunda “missão” aos 55 anos. Abraços, Fava

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