Carreira Proteana – A tendência futura Artigos, Carreira

Ao terminar o ensino médio, o jovem vai se defrontar com o dilema de escolher uma profissão, entrar em uma faculdade e, após o seu término, iniciar uma carreira profissional que, teoricamente, irá durar até o final de sua vida.

Mas o que é carreira?

Para alguns autores, este conceito pode ser visto de algumas maneiras:

a – como uma sequencia de trabalhos ou funções durante toda a vida do indivíduo, constituindo sua história como profissional;

b – como uma sequencia de experiências profissionais, caracterizada pelas suas  concepções e atitudes ao longo destas experiências;

c – como desenvolvimento profissional obtido através de promoções em diferentes ambientes profissionais e diversificação de atividades;

d – como uma ocupação profissional.

Modernamente, em um mundo globalizado, volátil, instável e mutável, o conceito de desenvolvimento profissional parece ser o que mais se adapta a estas constantes mudanças. Deste modo, o planejamento da carreira, neste cenário, torna-se um requisito fundamental.

Foi-se o tempo onde a carreira era desenvolvida em uma única empresa, até a aposentadoria do colaborador. Nesta época, que perdurou até os anos 70, a carreira era vista como o galgar dos diferentes níveis hierárquicos existente na organização até atingir o cargo de presidente. E isto era baseado no desenvolvimento profissional e tempo de casa.

Neste caso, a relação entre colaborador e empresa era estável, única e o comprometimento era o elo de ligação entre ambos. Além disso, a trajetória do colaborador era sempre previsível, onde sua ascensão seguia uma escala progressiva de cargos hierarquizada e pré-estabelecida.

Se você, leitor ou leitora, for um baby boomer como eu, certamente se lembrará de algum amigo ou familiar que trabalhou em apenas uma empresa até se aposentar.

A partir dos anos 80, houve uma expansão de pequenas e médias empresas que eram mais flexíveis do que as grandes corporações. Estas começaram a adotar um conceito de carreira mais horizontal, com redução dos níveis hierárquicos, como também a contratação temporária de colaboradores para a realização de projetos.

Nesta época, de acordo com Gilberto L. Nogueira, “os funcionários eram avaliados e recompensados pela contribuição que dão à empresa, isto é, aqueles que mais contribuem serão os mais valorizados”.

Com o advento da globalização e o avanço da tecnologia,, particularmente a partir dos anos 90, surge um novo conceito introduzido por Donald T. Hall (1996) denominado carreira proteana.

Este nome deriva de Proteu que, na mitologia grega, era filho dos deuses da água Oceano e Tétis ou, ainda de Poseidon.

Proteu tinha o dom da premonição e, além de prever o futuro, tinha também o dom de se transformar de acordo com sua vontade.

Quando as pessoas iam a ele perguntar sobre o que estaria por vir, ele se transformava em seres assustadores para afastar e afugentar estas pessoas.

Para Helio T. Martins, estas tres características, quando transportadas ao ambiente de trabalho, referem-se a:

a – o dom da premonição relaciona-se à habilidade de planejar a carreira com base em uma visão de futuro compatível com os objetivos fundamentais do indivíduo;

b – a capacidade de se transformar (mudar a forma) traduz-se em versatilidade e adaptabilidade para atingir tais objetivos; e,

c – afugentar e assustar as pessoas pode ser encarada como a utilização dos trabalhos para buscar uma nova posição ou redefinir a carreira quando não se está alcançando os objetivos fundamentais

Hall (1996) é de opinião que o objetivo final da carreira proteana seja o sucesso psicológico, ou seja, um sentimento de orgulho derivado do talento profissional do indivíduo e que faz com que seus objetivos sejam alcançados. Não apenas o sucesso psicológico relacionado ao seu trabalho, mas também aqueles relacionados aos outros aspectos da sua vida, como felicidade em família, paz interior, etc.

Isto representa um enorme contraste com o conceito anterior de carreira, onde o objetivo era escalar a pirâmide corporativa através de um único caminho e obter sucesso financeiro. Na carreira proteana existem inúmeros caminhos para se alcançar o sucesso psicológico e atender as necessidades individuais.

Sem dúvida, este é o tipo de carreira que vai caracterizar o profissional do futuro; futuro este que não está muito distante do tempo presente.

Ainda, de acordo com Hall (1996) e Hall & Mirvis (1996), as carcterísticas da careira proteana são:

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Para Gisele S. Abrahim, o modelo proteano de carreira inclui tres aspectos:

a – abre novos modos de pensar o trabalho porque carrega de forma imediata a mobilidade da carreira;

b – amplia o conceito de carreira, visto que o trabalho pode ser realizado fora da empresa e não se restringe a uma única função; e,

c – as pessoas é que tomam as rédeas de suas carreiras, o que aumenta sua empregabilidade, autonomia e adaptabilidade para assumir novas funções.

Martins (2001) afirma que “o profissional proteano se caracteriza pela independência a flexibilidade com que administra sua carreira, norteando-a por critérios próprios de sucesso profissional e pessoal. Sua gestão é um processo contínuo de tomada de decisões e de soluções de problemas relacionados ao trabalho e à vida pessoal, exigindo um grande contingente de informações que advém, primordialmente, do seu autoconhecimento.

Importante ressaltar que, em função da grande quantidade de informações e formas de aprendizagem, o profissional proteano deverá ter muito bem clero seu foco no que aprender, para desenvolver melhor outras competências ou aperfeiçoar as que já possui.

Este cuidado é fundamental para que ele não se perca na quantidade de informações hoje existentes e acessíveis a qualquer pessoa. Abordei este assunto em dois de meus textos já publicados no site: Você sabe? S.E.I e Tres “têres” para ter sucesso.

Este tipo de carreira passa a ser, então, o conjunto de experiências e vivências da pessoa relacionadas à sua educação, à sua vivência no seu trabalho em uma ou várias empresas e/ou uma mudança de profissão.

Para Lorena Bezerra, “o conceito de profissional proteano apresenta um caráter dinâmico e sistêmico, integrando todas as dimensões e papéis do indivíduo à medida que estabelece um objetivo final e sucesso baseados em critérios pessoais. Dele se espera versatilidade, flexibilidade e adaptabilidade; habilidade de planejar a carreira com base um uma visão de futuro e que saiba o momento de mudar de emprego ou redefinir sua carreira quando seus objetivos pessoais e/ou profissionais não estiverem sendo alcançados”.

Evans (1996) é de opinião que a carreira proteana assume e acomoda duas tendências sociais importantes.

Uma diz respeito à mudança de uma ética de trabalho baseada em dever para outra baseada em prazer, ou seja, incorporando de forma mais marcante o divertimento e a eficiência em vez de uma obrigação para com a empresa e a família.

A segunda é o sentido de independência, a busca pelo controle de sua própria Vida e a negação ao poder impessoal da autoridade.

Em resumo, no dizer do autor, “as carreiras estão se tornando de natureza espiral, ziguezagueando em vez de seguirem uma escada”.

Podemos até afirmar que este conceito de carreira, onde acabam não se dissociando objetivos pessoais e profissionais (lembre-se: o sucesso é psicológico), é muito mais integrador e onde deixam de existir “vida pessoal” e vida profissional”. (Já abordei este este tema em Nem pessoal, nem profissional. Apenas…VIDA disponível em www.ogerente.com.br). Para mais, é um conceito muito mais holístico dentro de um mundo que sofre mudanças constantes em pequenos espaços de tempo.

Finalmente, o profissional proteano é um profissional feliz. É dono do seu “próprio nariz” no que diz respeito ao aspecto profissional da sua vida. Ele vê no seu trabalho um sentido maior para seguir vivendo e não apenas o aspecto financeiro. Ele torna seu trabalho algo muito especial para si e para o mundo altamente mutante e onde vive.

Este tipo de profissional alcança sempre o objetivo da carreira proteana: o sucesso psicológico!

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Carreira Proteana – A tendência futura
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Últimos Comentários

  1. Fernanda Moreira

    Obrigada! Me sinto em tudo isso. Eu diria mais, somos de múltiplos planejamentos.
    Belíssimo trabalho! Quero receber mais e mais…
    Abraço,

    Fernanda Moreira

    1. PROF.MSC ADM EURICO LEITE LISBOA

      É imperativo que tenhamos essa flexibilidade no trabalho para realizar coisas que até então ninguém pensou em realizar.Mas, penso que embora essas novidades sejam maravilhosas, sob o ponto de vista do profissional, devemos considerar a variável Empresa, como o grande indicador para uma cultura transformadora: Ou a Empresa decide seguir esse caminho ou nada feito,Vamos continuar navegando pelos mares bravios da administração Taylorista smj

      1. Luiz Roberto Fava

        Caro Professor Eurico, grato pelo seu comentário. Eu, particularmente, tenho uma visão bem diferente do estilo taylorista e fordista de se trabalhar. Quando mencionas EMPRESA

      2. Luiz Roberto Fava

        Caro Professor Eurico, grato pelo seu comentário. Eu, particularmente, tenho uma visão bem diferente do estilo taylorista e fordista de se trabalhar. Quando mencionas EMPRESA, creio que queira substituir por PESSOAS QUE DIRIGEM A EMPRESA. Pois são estas que necessitam adotar novas formas de gestão para que AS PESSOAS possam usufruir dos benefícios da carreira proteana. Também concordo que ainda estamos longe disso, assim como da prática do workation (ver http://www.vitae360.com.br). Em todo o caso, acredito que o futuro será do TRABALHO e não do EMPREGO. É esperar para ver.

  2. Luiz Roberto Fava

    Cara Fernanda, este texto representa uma tendência que eu diria, futura, mas que está cada vez mais presente na vida das pessoas mais jovens.
    Acredito que em meus textos já publicados você encontrará mais material interessante que possa lhe ser útil.
    Abraços,
    Fava

  3. Luiz Roberto Fava

    Caro Marcelo,
    Fico muito feliz quando, pessoas como você, manifestam sua opinião dizendo que o conteúdo do texto foi útil, oportuno,que se encaixa naquele momento de vida, etc.
    Quando alguém opta, como eu, em fazer com que as pessoas busquem mais qualidade de vida, certamente ajudá-las faz parte dos meus propósitos.
    Abraços,
    Fava

  4. Fabiano Farias

    Dr. Luis,
    Parabenizo pelo texto,
    Estou fazendo um trabalho na faculdade que abrange o tema e achei muito rico e ideal para empresas no presente e futuro.

    Att,

  5. Lilian

    Esclarecedor e interessante o texto, parabéns! Senti falta das referências bibliográficas completas, é possível disponibilizá-las? Lilian

    1. Luiz Roberto Fava

      Lilian, grato pelo seu comentário. Como já faz tempo que escrevi este artigo, não tenho como disponibilizar as referências. Mas eu as retirei todas da internet. Creio que com um pouco de paciência você também consegue.

  6. Camila

    Luiz, que texto magnífico. O novo conceito de carreira está sendo amplamente discutido e poucas conclusões foram tiradas e acredito que essa também seja uma tendência/realidade: a reformulação dos conceitos está acontecendo em ciclos cada vez menores e com a mudança do eixo central para o indivíduo, no que tange a questão da carreira, formular um conceito bem-definido é um desafio.
    Sei que estamos em 2016 e o texto foi publicado em 2013, mas o futuro ao qual você se refere nele já chegou.

    Grande abraço e obrigada pelo texto.

    1. Luiz Roberto Fava

      Camila, grato pela sua participação. É, o tempo passa. E hoje já é ontem ou, quem sabe, amanhã. Para sua reflexão. Felicidades.

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