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criatividade

Hoje retomo o tema CRIATIVIDADE, mas acrescentando um R a esta palavra, visto que, ao criar, nosso cérebro está trabalhando, exercendo uma atividade.

A capacidade de criar, inventar, nasce com o ser humano. Embora tenhamos sido criados com a ideia que somente gênios e artistas possuem esta capacidade, isto não é verdade.

Infelizmente nossa educação e nossa formação segue um modelo que nos ensina apenas que tudo tem apenas uma única resposta. Somos ensinados a copiar e a repetir padrões e nada nos é ensinado a realizar exatamente o contrário.

Desde muito cedo “perdemos” nossa identidade, nossa individualidade, para sermos mais um número, uma “máquina” ou um “robô” dos tempos modernos, que não pensa; apenas copia e repete. Acabamos sendo cópias ou clones daqueles que nos educam e acabamos por achar que são OS OUTROS os mais criativos e que conseguem fazer coisas diferentes.

A verdade é que, desde os primórdios da humanidade, sempre existiu no ser humano a curiosidade e a criatividade. Duas coisas, aliás, que muito contribuíram para a sua sobrevivência e que o ajudaram a vencer obstáculos e inimigos, como, por exemplo, a dor, pelo desenvolvimento de terapias medicamentosas, o cansaço, pelo desenvolvimento dos meios de transporte e a solidão, pelos mais variados tipos de entretenimento.

A criatividade é mais visível enquanto somos crianças, onde uma simples vassoura transforma-se no cavalo do herói ou o empilhamento de blocos transforma-se em um castelo encantado.

À medida que a criança cresce, se desenvolve e é escolarizada, ela acaba aprendendo a ser “não criativa”, não pelo avançar da idade, mas devido aos bloqueios mentais que lhe vão sendo impostos pelo ambiente onde vivem, como a escola, a família, a empresa, etc.

O pesquisador George Land mostrou esta tendência. Em seu estudo, acompanhando um grupo de 1600 indivíduos, dos cinco aos quinze anos, verificou que o potencial criativo decresceu de 98%, aos cinco anos, para apenas 12%, aos quinze anos.

Este condicionamento que o ambiente impõe às pessoas é o principal responsável pela nossa “não criatividade”, ou o “assassino oculto” de nossas ideias. Seja, por
exemplo, um pai ao proibir seu filho de fazer tal coisa, ou um líder ou gestor que não deixa o membro de sua equipe expor sua ideia, exclamando de supetão um “isto não vai funcionar” ou um “você é pago para trabalhar e não para pensar”.

Nos dias de hoje a criatividade continua sendo um item importantíssimo para a nossa vida. E, cada vez mais precisamos lançar mão dela para nossa “sobrevivência” em um mundo caracterizado pela sua complexidade, competitividade, velocidade, mutabilidade, complexidade e instabilidade.

No momento atual, talvez você esteja exercendo sua criatividade sem saber ou sem se dar conta.

Quantas vezes você escutou frases como “vire-se”, “procure um jeito”, “ache o melhor caminho” e outras, e você acabou resolvendo o problema.

Outras vezes, ao ter uma nova ideia e compartilhar com alguém, você escutou:

– Você está louco?

– O que deu em você?

– Você está variando?

– Qual é? “Viajando na maionese?”

O mundo de hoje exige de todos nós o exercício constante da criatividade, não importando o campo de atuação. Seja um cientista descobrindo novos remédios, vacinas e terapias; um profissional de tecnologia desenvolvendo aplicativos; um artista que cria obras inéditas; um músico que compõe músicas inesquecíveis; ou mesmo um gari que contribui para a sustentabilidade ambiental.

Para exercermos nosso poder criativo, devemos:

  • sair da zona de conforto e transformá-la em zona de desconforto;
  • eliminar as restrições que nos foram impostas e mudar nosso modelo mental;
  • “abrir a cabeça”;
  • expandir nossa consciência frente aos fatos da vida.

Assim sendo, criatividade é a capacidade de gerar ideias surpreendentes, relevantes e úteis, como afirma Daniel Macedo.

Quanto mais nos esforçamos para isso, mais abrimos espaço na nossa mente para gerar novas ideias, diferentes, inovadoras, que saem do lugar comum. E, para isso não existe hora e lugar.

E onde existe esforço, existe energia. Poderíamos até afirmar que a criatividade é a energia que impulsiona o mundo e as pessoas. Sim, porque é a criatividade que nos leva a obter, constantemente, mais e melhores resultados no desenvolvimento de processos, produtos e sistemas.

Entretanto, existem coisas que atrapalham ou não deixam o espírito criativo vir à tona. Por outro lado, existem coisas que ajudam o processo criativo. A esse respeito, a consultora Dilza M. Franchin assim se expressa:

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A ciência já demonstrou que, quanto mais usamos o cérebro, maior o número de sinapses, as interligações que existem entre os neurônios, as células do sistema nervoso.

À medida que vamos obtendo mais informação e mais conhecimento, maior será aquele número, o que revela um maior dinamismo cerebral.

José Claudio Terra ensina que “a criatividade humana se revela a partir de associações e combinações inovadoras de planos, modelos, sentimentos, experiências e fatos.”

Inicialmente, absorvemos a informação e retemos aquilo que nos interessa, para depois criar e, finalmente, julgar. Por isso os especialistas recomendam não julgar, inicialmente ou de forma abrupta, ideias que possam ser totalmente estapafúrdias ou fora do contexto.

De uma forma bem prática, quanto maior for a diversidade de uma pessoa em buscar conhecimento nas mais diferentes áreas, e não somente naquela onde atua, maior a possibilidade dela ter um alto poder criativo.

Além disso, devemos ter um aliado fundamental na diversidade deste conhecimento: nosso espírito de observação. Ao “enxergarmos o que ninguém vê”, aliado àquilo que já conhecemos, chegamos aos famosos AHÁ e EUREKA.

Dois exemplos clássicos deste processo foram as “descobertas” da lei da gravidade de Newton, quando uma maçã caiu em sua cabeça, e o princípio de Archimedes, descoberto pelo sábio grego enquanto se banhava na banheira.

Jack London, em seu texto Criatividade, genialidade e loucura, assim descreve as pessoas criativas:

  1. pessoas criativas são abertas a experiências variadas, exibem uma excepcional tolerância à ambiguidade, buscam a complexidade e a novidade e podem desenvolver uma atenção múltipla, muitas vezes fora de foco.
  2. exibem uma enorme gama de interesses, que vão além de sua área de atuação.
  3. têm muito mais probabilidade de serem introvertidos do que extrovertidos e parecem às vezes distantes, deslocados ou antissociais. Também exibem uma imensa independência e autonomia, frequentemente se recusando a se submeter às normas convencionais, às vezes exibindo uma acentuada faceta de rebeldia.
  4. amam profundamente o que fazem, demonstrando entusiasmo, energia e compromisso incomuns com seus projetos e concepções.
  5. são persistentes diante de obstáculos e decepções, mas ao mesmo tempo são bastante flexíveis para alterar estratégias e táticas quando assim determina o fracasso.
  6. a criatividade não está necessariamente associada ao fato de atingir altos níveis de educação formal, mas não prescinde de leitura e aprendizado. Muitas vezes esse aprendizado não se dá dentro das escolas formais, burocráticas e repetitivas.

Já Antonio Carlos Teixeira da Silva assim se expressa sobre o estilo criativo:

  • pense fora dos padrões consagrados;
  • não tenha receio de expressar suas ideias;
  • sinta-se à vontade com suas ideias diferentes;
  • conviva com pessoas criativas;
  • leia sobre pessoas que tiveram grandes ideias e soluções criativas;
  • leia, leia muito, leia mais! A leitura leva você a qualquer ponto do universo;
  • assista a palestras, cursos e workshops sobre criatividade;
  • quando precisar de ideias, esteja aberto para uma infinita quantidade de soluções possíveis;
  • conscientize-se de que uma ideia reprovada pode leva-lo a uma nova ideia ou possibilidade;
  • fique aberto ao desdobramento de ideias que surgem no decorrer do processo criativo; uma ideia puxa outra.
  • não desanime se tiver que desconsiderar uma ideia que lhe parecia muito boa. Guarde-a para outro projeto ou para outro momento;
  • anote todos os pensamentos e ideias assim que surgirem na sua mente. Releia semanalmente suas anotações e verifique se há algo que possa ser aplicado;
  • exerça atividades ou interesses em assuntos diferentes dos da sua esfera de trabalho. As pessoas criativas mantêm interesses em diversas áreas;
  • ouça sua intuição;
  • aproveite cada oportunidade que surgir para fazer uso de sua criatividade;
  • evite envolver-se profundamente em rotinas;
  • aceite que seu trabalho criativo é importantíssimo, mesmo que os outros não o valorizem.

Não existe uma maneira para se calcular a criatividade de forma quantitativa; nem fórmulas e nem testes específicos.

Criatividade pode ser “medida” apenas de forma subjetiva, isto é, avaliando-se a resposta e o reconhecimento das pessoas frente a uma nova ideia.

Entretanto, quando esta ideia é “materializada” em algo que gere lucro, este lucro pode ser um instrumento indireto para se avaliar o quanto aquela ideia foi criativa.

Para você “se abrir” ou se manter “sempre aberto” à criatividade, amplie sua visão e mire sempre para a frente, sem desvalorizar aquilo que já foi feito. E tenha sempre em conta que a criatividade não envolve, muitas vezes, algo novo, mas a melhoria de algo já existente.

E, lembre-se: nunca tenha medo de tentar algo novo. Um homem solitário construiu uma Arca; um grupo de profissionais construiu o Titanic.

Finalmente, deixo-lhe uma pergunta para você refletir se você é ou não uma pessoa criativa:

– Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

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Últimos Comentários

  1. Claudia Bordin

    Dr. Luiz Fava
    Esta é a primeira vez que leio o seu artigo, acredito que o chamado do seu novo site foi criativo e voltou a minha curiosidade para a pesquisa.
    Gostei muito das colocações e me identifiquei com elas, sou psicóloga em transição de carreira organizacional para atividades autônomas, dentre elas orientação de carreira e psicologia clinica. Achei muito interessante a explanação das idéias e a clareza dos exemplos.
    Estarei sempre em contato pois aprecio artigo que me façam refletir e expandir o meu raciocínio.
    obrigada
    att,
    Claudia Bordin

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