Treinamento X Treinamente Artigos, Recursos Humanos

O processo de globalização, cada vez mais rápido e mais ágil, tem exigido das organizações processos de transformação e adaptação constantes tendo em vista as mudanças que ocorrem em períodos de tempo cada vez mais curtos, independentemente da área considerada (econômica, social, tecnologia, política, etc.).

Isto obriga que seus colaboradores se tornem, a cada dia que passa, mais preparados, mais flexíveis e tenham mais agilidade para se confrontarem com a realidade de mercados em freqüente ebulição.

Para que as empresas se mantenham em destaque, é necessário um investimento contínuo no preparo dos colaboradores que nelas trabalham.

Este é o motivo principal de se colocar tanta ênfase no tema “treinamento e desenvolvimento de pessoas”.

Embora tais termos sejam parecidos, Chiavenato (1999) mostra haver diferença entre ambos. Para o autor, “o treinamento está focado para o cargo atual, buscando melhorar as qualidades exigidas para o desempenho imediato do cargo, enquanto o desenvolvimento de pessoas objetiva os cargos a serem ocupados futuramente e as novas habilidades que serão requeridas”.

É óbvio que a prática de treinamentos é um investimento necessário para que a própria corporação sobreviva em cenários altamente instáveis, considerando-se a velocidade acelerada de como o mercado caminha.

“O treinamento é um processo de enriquecimento de habilidades (motoras, cognitivas ou interpessoais) a fim de aumentar o nível de proficiência dessas habilidades sobre uma tarefa específica ou um grupo de tarefas”, afirma Chiavenato (1998).

Para Carvalho (1993), os principais objetivos do treinamento são:

  • a – preparar os colaboradores para a execução imediata de inúmeras tarefas características da organização por meio da transmissão e do desenvolvimento de habilidades:
  • b – dar oportunidades para o contínuo desenvolvimento pessoal, não somente em seus cargos atuais, como também para as outras funções para as quais o indivíduo pode ser considerado; e,
  • c – mudar as atitudes dos indivíduos, com o objetivo de criar um clima satisfatório entre os empregados, aumentando a motivação dos mesmos e tornando-os mais receptivos à supervisão e gerência.

Sem entrar no mérito do porquê, quem e como treinar, os treinamentos, de acordo com vários autores, apresentam inúmeras vantagens:

  • definição das características dos empregados;
  • racionalização da metodologia de formação e aperfeiçoamento dos colaboradores;
  • melhoria dos padrões profissionais dos empregados treinados;
  • maximização do aproveitamento das aptidões dos colaboradores;
  • elevação no nível de segurança econômica, em virtude da maior estabilidade empregatícia;
  • fortalecimento da autoconfiança e do espírito de trabalho em equipe dos funcionários;
  • aumento da qualidade dos produtos ou serviços produzidos;
  • maiores possibilidades de ampliação ou transformação dos programas de trabalho;
  • aumento do número de cargos de gerência e supervisão à disposição dentro da própria organização;
  • diminuição de custos pela queda do retrabalho;
  • melhoria nas condições da competitividade, dada a capacidade de oferecer produtos e serviços com um grau mais elevado de qualidade;
  • queda acentuada nos acidentes de trabalho;
  • tornar o colaborador mais criativo, mais produtivo e mais eficiente para trazer melhores resultados para si e para a empresa;
  • preparar o colaborador para enfrentar situações inusitadas, não rotineiras, raras, deixando-o mais ágil para enfrentá-las;
  • maior desenvolvimento pessoal e profissional do colaborador;
  • abrir portas para novos treinamentos em busca da excelência;
  • melhorar a imagem institucional da corporação, visto que seus profissionais são percebidos de forma positiva pelo mercado.

Volpo & Lorusso (2009) afirmam que o treinamento não deve ser confundido com a simples realização de cursos que transmitem novas informações. Treinar significa atingir o nível de desempenho desejado pela organização por meio do desenvolvimento contínuo dos indivíduos que nela trabalham e, por isso, é necessário uma cultura organizacional favorável ao aprendizado e comprometida com as mudanças.

A par dos treinamentos, necessitamos também treinar nossa mente.

Dulce Magalhães afirma que “conhecer um conceito não é suficiente para incorporá-lo”. De que adianta receber uma série de novos conhecimentos através de treinamentos se não vamos incorporá-lo ao nosso dia-a-dia? Saber e não fazer é o mesmo que não saber.

Por isso precisamos treinar nossa mente para receber coisas novas e transformar o conhecimento em sabedoria. Já me referi a isso no meu texto Tres “têres” para ter sucesso.

Aquele que treina e exerce o controle sobre sua própria mente, sobre seus pensamentos tem uma vida mais feliz e mais prolongada.

“Saber acalmar a mente, tornando-a mais calma, estável, preenchida com pensamentos objetivos e positivos é fonte de felicidade”, afirma o Dalai Lama.

Respirar de forma lenta e profunda traz inúmeros benefícios ao organismo e, acima de tudo, ajuda a acalmar a mente.

Meditar, independentemente das inúmeras técnicas preconizadas, significa esvaziar a mente de pensamentos ou encará-los como se você fosse um expectador.

Entre inúmeros aspectos positivos, meditar é um excelente exercício para desenvolver o foco e a concentração para a realização das nossas atividades.

Mas se você não é adepto da respiração profunda e nem da meditação para desenvolver o foco e a concentração, tente desenvolvê-los pela técnica preconizada por Albert Einstein, a qual também descrevo no último capítulo do meu curso on line Gerencie a sua vida usando o tempo a seu favor.

Para isto, tenha à mão um pedaço de papel, um lápis ou uma caneta e um cronômetro.

Inicie o exercício estabelecendo um tempo de três minutos e a frase “nunca serei distraído por isso”.

Inicie a sua tarefa, que pode ser a leitura de um livro.

Quando você perceber que se distraiu, ponha o dedo no ponto do texto e trace uma linha no papel. A seguir, diga para si mesmo: “nunca serei distraído por isso”.

Continue sua leitura e repita o procedimento todas as vezes que se distrair.

Depois dos três minutos, veja quantas linhas foram riscadas no papel. Isto representa a quantidade de distrações que você teve naquele intervalo de tempo.

À medida que você vai repetindo o exercício, o número de linhas traçadas tenderá a diminuir.

Quando você conseguir ficar sem traçar nenhuma linha durante os três minutos, comece a aumentar o tempo do exercício para 4, 5, 6, 7 minutos e assim por diante.

Com esta técnica, Einstein conseguiu obter 100% de concentração.

Exercitando o poder de concentração, vamos conseguir “isolar” todos os pensamentos que vêm à nossa mente, e focar nossa atenção apenas naquilo que decidimos ser importante.

Fazer várias coisas ao mesmo tempo reduz a capacidade de se registrar a informação e de retê-la na memória.

Em seu texto Experiência X Aprendizado (revista Amanhã, junho, 2011), Dulce Magalhães afirma que “às vezes, por termos vasta experiência em determinado assunto, criamos a ilusão de que dominamos o conteúdo – e então nos fechamos para novos aprendizados. A experiência, neste caso, é justamente o que nos impede de evoluir por meio de novos saberes”.

Ter experiência em alguma atividade é ótimo: ser excelente no trabalho, também é ótimo. Mas fazer disso algo para levar para o túmulo, é uma grande bobagem. O que é útil hoje, amanhã será peça de museu ou estará fazendo parte da História.

À medida que vamos treinando nossa mente, percebemos que nada é permanente. Nem nós mesmos. Podemos parecer os mesmos com o correr dos anos mas, a cada segundo, não somos mais os mesmos.

Mente treinada é mente sempre aberta; é saber que o conhecimento não tem fim; é saber que o que me serve hoje, amanhã será imprestável; é saber que, como afirmava Sócrates, quanto mais eu sei, mais eu sei que nada sei.

Para Carlos Cruz, os treinamentos, hoje, não são mais diferenciais, mas pré-requisitos para que as pessoas se mantenham inseridas nas organizações.

Treinamentos são fundamentais e mentes treinadas, idem.

Ambos são importantíssimos para o nosso crescimento pessoal e profissional. Ainda mais em um mundo globalizado onde tudo muito rápido e de forma constante.

E você? Já está treinado e preparado?

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

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Últimos Comentários

  1. Ana Elena Austrilino Paz

    Olá Luiz Roberto Fava,

    gostei muito do seu texto, estou pesquisando nessa área de treinamento e meu trabalho fala justamente sobre essa visão diferenciada do ato de treinar, mas embassado pela psicologia rogeriana.

    Parabéns pelo texto.
    Abs.

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