Doenças da modernidade tecnológica Artigos, Qualidade de Vida, Saúde

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O mundo, como um todo, caminha, nos dias de hoje, de forma inconstante e imprevisível.

Mudanças sociais, culturais e tecnológicas ocorrem a todo momento e a uma velocidade onde só vamos viver o presente quando ele já tiver passado. Não conseguimos nos adaptar às mudanças na mesma velocidade com que ocorrem.

Isto acaba gerando no Ser Humano ansiedades e angústias que vão afetá-lo tanto na sua saúde física como na sua saúde mental.

Muitas das doenças da atualidade tem origem no estresse negativo (distresse) o qual é gerado por inúmeros agentes estressores, como falta de tempo, trânsito caótico, condições de trabalho, etc. Alia-se a isso o excesso de informação e o uso indiscriminado da tecnologia, representada por computadores, smartphones, tablets e celulares menos sofisticados.

Infelizmente, a tecnologia e os avanços tecnológicos, apesar de trazerem ao Ser Humano muitas facilidades para a resolução de seus problemas do cotidiano, seu uso indiscriminado também tem gerado uma série de doenças e síndromes. Além disso, ela também contribui para que seus usuários se tornem viciados em seu uso, onde tal dependência em muito se assemelha à dependência do álcool, do fumo e do uso de drogas ilícitas, como a cocaína, o crack e o ecstasy.

Entre os jovens, alguns fatos relacionados à esta dependência já são considerados certezas, tais como:

a – a dependência da tecnologia é um fenômeno global e estima-se que 5% dos jovens podem ter algum distúrbio em função do seu uso;

b – meninos tem mais problemas devido aos jogos on line enquanto as meninas fazem uso mais intenso das redes sociais;

c – os prejuízos mais observados são: piora importante no rendimento escolar, isolamento social, conflitos familiares, aumento de peso devido ao sedentarismo e dores na coluna;

d – a maioria dos jovens que se encontra nesta situação apresenta também outros problemas como depressão, ansiedade social, déficit de atenção/hiperatividade e agressividade;

e – para a grande maioria dos jovens, o uso intenso e os prejuízos decorrentes tendem a se manter ao longo do tempo, não sendo apenas uma “fase passageira”.

A literatura já mostra uma série de doenças causadas pelo uso excessivo destas tecnologias.

1 – Nomofobia

Medo de ficar sem o celular e se sentir “desconectado”, seja por ter esquecido o aparelho em algum lugar, com a bateria prestes a acabar, ficar sem créditos ou estar fora da área de cobertura.

Seus principais sinais são:

  • incapacidade de desligar o telefone;
  • verificação obsessiva de chamadas perdidas, e-mails e textos;
  • ser incapaz de aumentar a vida da bateria;
  • ser incapaz de ficar sem o aparelho, até mesmo para ir ao banheiro.

Além dos sintomas físicos, como tremor, suor excessivo, falta de ar, dor de cabeça, os nomofóbicos também apresentam sintomas para seu lado mental, como impaciência, impulsividade e ansiedade, que podem gerar fobias sociais, como síndrome do pânico e depressão. Também podem se sentir rejeitados e frustrados quando ninguém se comunica com eles ou quando seus amigos recebem mais ligações e mensagens de texto do que eles.

Para o lado dos relacionamentos interpessoais, a nomofobia pode gerar um distanciamento entre as pessoas, diminuindo o convívio social e familiar e fazendo com que o indivíduo se sinta mais seguro no mundo virtual, o que pode acabar lhe levando a um isolamento social.

2 – Cansaço ocular

Ao ficar várias horas trabalhando e olhando para a tela de um computador, ou similar, podem aparecer dores de cabeça, dor nos olhos, secura ocular, vermelhidão, visão embaralhada e sensibilidade à luz.

3 – Insônia

Fato mais visto em adolescentes que ficam conectados grande parte do dia e da noite, enviando e recebendo mensagens chegando até a dormir com seus celulares ligados embaixo do travesseiro.

Tal fato interfere tanto na qualidade do sono como também no seu número de horas, fazendo com que o cansaço se perpetue e aumente com o passar dos dias.

4 – Síndrome da vibração fantasma

Como as pessoas são cada vez mais dependentes do aparelho celular, muitos usuários desenvolvem a sensação que o aparelho está vibrando e, quando vão ver, não é nada.

Para o pesquisador Jack Tsao, “o cérebro destes usuários interpreta os movimentos do telefone celular como parte do corpo, razão pela qual a vibração é sentida”.

Esta síndrome pode ser o resultado de ações repetitivas, isto é, alguns indivíduos usam tanto o celular no vibracall que seu cérebro já se acostumou com este mecanismo.

5 – WhatsAppite

Inéz Fernandez-Guerrero, uma médica espanhola foi a pioneira em descrever um caso de WhatsAppite no periódico médico The Lancet.

Esta doença é decorrente do esforço repetitivo no punho devido à frequência de usar os dedos para digitar no teclado do celular.

No caso em questão, a paciente havia passado o dia respondendo as mensagens de Natal que havia recebido através do aplicativo WhatsApp.

6 – Problemas auditivos

O uso cada vez mais constante de fones de ouvido, para ouvir músicas ou falar com outras pessoas, pode levar o usuário à uma perda parcial da audição, principalmente se usar um volume alto.

7 – Lesão por esforço repetitivo

Além de ser bem conhecida pelo uso excessivo do teclado de computadores, esta lesão também tem sido observada em usuários de smartphones.

Muitos destes usuários digitam e-mails e mensagens nestes aparelhos usando apenas os polegares em alta velocidade o que, além da L.E.R., podem desenvolver artrites.

Os avanços no desenvolvimento de aparelhos e dispositivos tecnológicos tem trazido muitas facilidades e comodidades à vida das pessoas naquilo que se refere ao seu trabalho, ao seu lazer, ao seu aprendizado, etc.

Infelizmente, seu uso contínuo e sem cuidados, estão fazendo com que seus usuários acabem se viciando e se tornando dependentes de seu uso e acabam desenvolvendo uma ou mais doenças daquelas acima relatadas.

Agora, se você não quer se tornar um “escravo” destas tecnologias, dou abaixo três dicas bem simples:

  1. desconectar-se COMPLETAMENTE por algum tempo;
  2. procurar atividades no MUNDO REAL que envolvam parentes e/ou amigos;
  3. realizar exercícios de relaxamento, como caminhar, ir ao cinema, ir à bibliotecas, galerias de arte, teatro ou espetáculos musicais ou usar brinquedos e jogos que exijam concentração.

Para mais, em caso de dúvida, pergunte-se sempre: por que preciso ficar conectado o tempo todo? Ou, ainda: o que eu estou ganhando com isso?

Luciana Ruffo, da PUC/SP, afirma que “a pessoa se vicia na tecnologia porque tem alguma coisa errada ou que lhe está incomodando na sua vida pessoal”.

Concordo que não é fácil se manter “desconectado” quando se faz parte de um  mundo altamente tecnológico.

Entretanto, toda esta tecnologia deve vir em nosso auxílio para implementar e agilizar nossas tarefas.

A tecnologia é que deve ser nossa “escrava” e não o oposto, onde as pessoas estão sendo escravizadas por ela.

Devemos extrair dela tudo aquilo que pode vir a nosso favor, não o que nos deixa viciados, dependentes e doentes.

A tecnologia deve nos ajudar a viver melhor e não pior.

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

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