O profissional “três em um” Artigos, Carreira, Recursos Humanos

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Quando eu era criança, talvez um pré-adolescente, ficava feliz quando, após o jantar, a sobremesa era um doce da CICA chamado “quatro em um”.

Este doce era comercializado em uma lata, na qual cada quadrante representava uma porção de figada, goiabada, pessegada e bananada. Havia também a versão “três em um”, sem a bananada.

Para quem não se lembra, a CICA era a sigla da Companhia Industrial de Conservas Alimentícias, situada na região de Jundiaí (SP) e cujo famoso slogan era: “Se a marca é CICA, bons produtos indica”.

Lembrei deste doce ao imaginar o profissional dos dias de hoje.

Este profissional vive “espremido” dentro de um mundo corporativo globalizado carregando dentro de si três “personagens” que refletem suas competências profissionais, as quais veremos adiante.

Nos dias de hoje, o mercado tem exigido profissionais mais completos e preparados para atender demandas cada vez maiores e mais diversificadas. E isto pode ter um lado bom e um lado ruim.

Ruim porque as demandas poderão fazer com que este profissional seja submetido a diferentes graus de estresse, o que pode trazer consequências sérias para sua saúde física e mental.

Bom porque as mesmas demandas fazem com que ele perceba que tudo muda e se transforma de forma contínua e rápida, fato que pode lhe servir de mola propulsora para sair de sua de conforto e o faça buscar, através de novos aprendizados, novas competências e novas qualificações.

Se na Era Industrial do trabalho a frase-mote era “você é pago para trabalhar e não para pensar”, hoje o mercado exige profissionais que também são pagos para, além de trabalhar, também pensar de forma criativa e inovadora, o que exige mais e mais atividade dos dois hemisférios cerebrais.

E, é claro, este profissional terá que desenvolver um novo perfil, fazendo vir à tona os três “personagens” citados anteriormente, daí o profissional “três em um”, que da o nome a este texto.

Estes três “personagens” foram descritos por Michael E. Gerber em seu livro O mito do empreendedor: como fazer de seu empreendimento um negócio bem sucedido. (São Paulo: Saraiva, 1996), e onde o autor os denomina de empreeendedor, gerente e técnico.

O “personagem” empreendedor

O empreendedor é o visionário, o que prefere lidar com o desconhecido e está sempre procurando algo para fazer. Daí ser muito inquieto e ter uma constante atividade mental.

Pelo fato de sempre imaginar o que poderá fazer de diferente, vive mais no futuro, sempre buscando inovar e conquistar novos mercados.

Sua criatividade transforma possibilidades em probabilidades, pois está sempre perguntando a si mesmo: e se?

Pelo fato de sempre estar contestando o status quo, o empreendedor é energia personificada, o agente das mudanças, aquele que busca constantemente transformações para melhorar o que já existe. Isto porque ele acredita que em qualquer situação banal sempre existem, de forma latente, novas oportunidades.

Sua meta é fazer com que os sonhos se tornem realidade.

O lado ruim é a necessidade do controle das pessoas, o que pode criar ou aumentar a distância entre ele e elas. E, quanto maior esta distância, mais espaço e energia terão que ser dispendidos para obter o apoio das mesmas às suas ideias.

Isto pode tornar o “personagem” empreendedor o responsável por gerar perturbações no ambiente e, consequentemente, estresse nos colaboradores.

Mas ele tem a convicção que, sem ele, nada pode ser feito.

O “personagem” gerente

O gerente é aquele que gosta da coordenação, de fazer com que tudo saia de acordo com o que foi planejado. Como é muito organizado, não tem o hábito de contestar o status quo.

Ele acredita que, sem a sua presença, as coisas caminhariam de forma imprevisível e desordenada.

Embora seja bem realista, ao contrário do empreendedor, vive mais no passado porque acredita que aquilo que já aconteceu é o que deu certo, é o que deve servir de modelo para as ações do momento presente.

Estas características do “personagem” gerente complementam aquelas do “personagem” empreendedor visto que:

  • se o empreendedor busca controlar, o gerente busca ordenar;
  • se o empreendedor vislumbra oportunidades, o gerente vislumbra problemas;
  • se o empreendedor cria coisas, o gerente as coloca na ordem correta;
  • se o empreendedor cria bagunça, o gerente a arruma;
  • se o empreendedor tem sonhos futuros, o gerente os equilibra com a experiência calcada em fatos passados.

O gerente também tem a convicção que, sem ele, nada pode ser feito.

O “personagem” técnico

Este é o que “põe a mão na massa”. É o que faz e tem prazer em ver o resultado final do seu trabalho. Está sempre se autodesafiando em fazer melhor e mais rápido.

Não se interessa pelo “porque” fazer mas pelo “como” fazer. Aliás, parece que o verbo FAZER é o único que existe no seu dicionário.

Também não se interessa por ideias, a não ser aquelas que estejam relacionadas com a prática, com o “como” fazer. Para ele o verbo PENSAR é sinônimo de improdutividade.

Realiza sempre uma coisa de cada vez e, muitas vezes, se esquece do tempo. Isto porque “mergulha de cabeça” naquilo que faz, daí ser muito individualista e perfeccionista. Ao terminar a tarefa sente-se relaxado e inundado de prazer pela sensação do dever cumprido.

Enquanto o empreendedor vive no futuro e o gerente vive no passado, o técnico vive no presente.

Para o técnico, o empreendedor e o gerente são fontes de problemas e que só o atrapalham. O primeiro por ficar lhe importunando e lhe interrompendo com ideias mirabolantes. O segundo por querer “enquadrá-lo” como uma peça que faz a roda girar.

O técnico também tem a convicção que, sem ele, nada pode ser feito.

De uma forma resumida, o empreendedor sonha, o gerente planeja e organiza e o técnico executa.

E estes três “personagens” estão dentro de cada um de nós. Em alguns momentos há predominância de um deles; em outros momentos a predominância é de um dos outros “personagens”.

Talvez o nosso maior desafio seja buscar o equilíbrio entre eles para, só assim, revelarmos todas as nossas competências. Aquelas que um mundo em constante transformação está exigindo de cada um de nós.

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

O profissional “três em um”
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Últimos Comentários

  1. Ariovaldo Ribeiro

    Muito bem pensado e colocado. Todos nós, acredito, que temos estas três “personagens”, basta que tenhamos c0onsciência e a pratiquemos com moderação e duicado.
    Abraços,
    ariri

  2. Luiz Roberto Fava

    É verdade, Ariovaldo. Todos nós carregamos estes três personagens na área profissional de nossas vidas. grato pelo seu comentário. Abraços.

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