Equilíbrio entre qualidade de vida e trabalho Artigos, Qualidade de Vida

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Uma das grandes preocupações das pessoas que trabalham neste universo extremamente competitivo – um trem bala em uma montanha russa, como afirma Cesar Souza – é buscar o equilíbrio entre qualidade de vida e trabalho.

A pesquisa realizada pelo Portal Catho, baseada em 5385 entrevistas, mostrou que este item estava presente em 55% das pessoas como algo que gostariam de ouvir ao discutir uma nova proposta de emprego.

Outro estudo, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com 3796 pessoas sobre o tempo dedicado ao trabalho, mostrou que 45,4% não se desligam totalmente e, deste total, 4,2% exercem outro trabalho remunerado; 7,2% procuram aprender coisas sobre o trabalho; 8% planejam ou desenvolvem atividades referentes ao trabalho via internet/celular e 26% ficam de prontidão porque podem ser acionados para alguma atividade extra.

Neste mesmo estudo, quando perguntados se o tempo dedicado ao trabalho comprometia sua qualidade de vida, 60,5% afirmaram que não e os outros 39,5% afirmaram que sim, sendo suas causas: cansaço e estresse (13,8%), prejuízo para as relações amorosas e atenção à família (9,8%), comprometimento do tempo para atividades físicas, lazer e/ou estudo (7,2%), interferências negativas nas amizades (5,8%) e perda da motivação para o próprio trabalho (2,9%).

Infelizmente, alguns mitos foram criados no ambiente corporativo, tais como: transformar os problemas em desafios e oportunidades, alcançar uma performance máxima a qualquer custo, pensar sempre de forma positiva, dar o melhor de si enquanto se é jovem, etc.

Alia-se a isso o fato de não se questionar decisões, o medo de reclamar e perder o emprego, não dizer NÃO e assumir mais e mais responsabilidades, jornadas mais longas para a entrega de resultados, querer aumentar seus ganhos e seu sucesso, etc. Estes exemplos são e estão bem presentes na vida profissional das pessoas.

Já me manifestei inúmeras vezes ao dizer que todo Ser Humano possui oito áreas a serem administradas, e o aspecto profissional (trabalho) é apenas uma delas. Se esta área passa a ser prioritária em detrimento das outras sete, é óbvio que a pessoa estará adotando um estilo de vida totalmente sem equilíbrio, fato gerador de doenças físicas e mentais. Dentro de uma empresa, isto se traduz pelos altos índices de absenteísmo e presenteísmo.

Todos nós temos consciência que a maior parte do nosso tempo é dedicado ao trabalho. Embora ele possa nos proporcionar a sensação de realização por prover os recursos que darão o sustento necessário a mim e à minha família, é fundamental se distinguir entre “trabalhar para viver” e “viver para trabalhar”. Muitas pessoas não param para pensar um pouco mais profundamente sobre isso e acabam se tornando escravas do trabalho, com todas as consequências para a sua saúde.

Os dois estudos acima mencionados mostram um desequilíbrio marcante entre qualidade de vida e trabalho.

Wanderley Pires, em seu livro Qualidade de vida, afirma que “muitos empresários admitem que estiveram tão ocupados com a implementação de um administração competitiva que não deram a devida importância à qualidade de vida de seus subordinados. Ao contrário, os métodos de cobrança e promoção através da avaliação de desempenho levam as pessoas a tentar superar continuamente seus próprios limites, sacrificando as horas de esporte e lazer e prejudicando a própria saúde e bem-estar. É praticamente impossível alguém se sentir feliz quando está doente. Por isso a nossa felicidade está intimamente relacionada com o “estilo de vida” que adotamos.”

Ao adotar o “estilo de vida” característico de uma grande maioria de empresas, certamente o estresse passará a fazer parte da vida de seus colaboradores e, consequentemente, certas doenças começarão a fazer parte do dia-a-dia da empresa, como pressão alta, diabetes, obesidade, dores musculares e câimbras, úlceras, alergias, alterações do sono, crises de choro, acessos de raiva, ansiedade, depressão, desânimo, uso do álcool e outras drogas, diminuição da concentração, impotência sexual, podendo chegar a consequências mais graves como infarto do miocárdio, derrame cerebral ou, até mesmo, o suicídio.

A pergunta que não quer calar é: será que as empresas ainda não perceberam que, tendo colaboradores saudáveis, a produtividade e o lucro serão maiores? Que tendo programas efetivos de qualidade de vida, elas sempre estarão na lista das melhores empresas para se trabalhar?

Para buscar o equilíbrio entre qualidade de vida e trabalho, independentemente do papel da empresa neste processo, comece fazendo a si mesmo (a) algumas perguntas:

  • o que eu estou perdendo nas minhas outras sete áreas por trabalhar tantas horas apenas para comprar tudo aquilo que quero?
  • será que isto é tão importante a ponto de não ter tempo para mim, minha família, meus amigos, meu lazer?
  • a aquisição de mais e mais bens materiais (além daqueles necessários para a minha sobrevivência) é importante, sabendo que um dia morrerei e não levarei comigo nenhum destes bens?
  • meus filhos ficariam mais felizes se eu passasse mais tempo com eles ou se trocasse de carro todo ano por um modelo mais caro e mais sofisticado?
  • como meus amigos e meus familiares se sentiriam se eu morresse agora? Haveria o mesmo sentimento no meu local de trabalho?

Se você adota um “estilo de vida” desequilibrado, assista ao vídeo abaixo. Espero que ele lhe ajude em suas reflexões para buscar um equilíbrio mais estável entre sua qualidade de vida e trabalho.

Fava Consulting – Para viver com muito mais Qualidade

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Equilíbrio entre qualidade de vida e trabalho
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Últimos Comentários

  1. neuza

    Olá Fava

    Acredito que viver é uma arte, podendo desfrutar o trabalho com lazer.
    Curta a vida , que a vida é curta.
    Parabéns pelo texto.
    abraços

  2. Aldo

    O texto cita 8 áreas a serem exploradas pelas pessoas, sendo que uma é o trabalho, mas em momento algum informa quais são as outras sete. Ficou omisso o texto.

  3. Luiz Roberto Fava

    Caro Aldo, em vários dos meus textos cito as oito áreas. Talvez você não tenha lido nenhum deles. Mas as outras sete áreas são: físico, emocional, intelectual, lazer, financeiro, relacionamentos (inclui a familia) e espiritual.
    Grato pela sua observação e participação. Att., Fava

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