Espiritualidade e fé – “Santos” remédios para a saúde Artigos, Crescimento Pessoal

Em um dos meus textos já postados (O que faz você brilhar) procurei mostrar que o Ser Humano possui oito áreas que devem ser cuidadas e administradas, sendo uma delas, a área espiritual.

Mas, por incrível que possa parecer, ainda existem pessoas que confundem espiritualidade como algo relacionado à alguma religião.

Por isso, antes de abordar o tema deste texto, quero procurar diferenciar estes dois termos através de algumas definições encontradas em dicionários e textos que abordam estes temas:

  • religião – (1) crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais consideradas como criadoras do Universo; (2) a manifestação de tal crença por meio de uma doutrina ou ritual próprios;
  • espiritualidade – (1) conjunto de crenças que traz vitalidade e significado aos eventos da vida. É a propensão humana para o interesse pelos outros e por si mesmo. Atende à necessidade de encontrar razão e preenchimento na vida, assim como a necessidade de esperança e vontade de viver; (2) propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível; um sentido de conexão com algo maior que si próprio, que pode ou não incluir uma participação religiosa formal.

Enquanto a religiosidade (qualidade de religioso, próprio de uma religião) envolve sistematização de culto e doutrina compartilhados por um grupo, a espiritualidade está afeta a questões sobre o significado e o propósito da vida, com a crença em aspectos espiritualistas para justificar sua existência e significados.

  • – independentemente de ser uma crença religiosa ou não, significa crer, acreditar, confiar. Você se lembra da frase: a fé move montanhas?

Há muitos anos as pessoas tem se perguntado se a fé, a oração ou a espiritualidade exercem influência na saúde, seja ela na sua própria saúde, seja na recuperação de alguém que esteja doente.

É claro que, inicialmente, isto pode gerar um sentimento de não acredito nisso ou acredito nisso, tendo em vista que não existem demonstrações objetivas deste poder.

Para uns, as respostas são dadas pela ciência (Medicina, Bioquímica, Fisiologia, Psicologia, etc.) enquanto que, para outros, não há necessidade de explicações racionais.

Para o primeiro grupo, predominam a razão e resultados palpáveis, enquanto que, para o segundo grupo, a fé e a espiritualidade funcionam através de energias que trarão alívio, conforto e recuperação.

Estas duas linhas de pensamento tem um aspecto positivo: favorece, cada vez mais, a realização de mais estudos sobre o poder da fé e da espiritualidade sobre a saúde física e mental-emocional das pessoas.

Desde a década de 80 do século passado, muitos pesquisadores médicos e instituições tem se dedicado a este tema através de artigos, livros e estudos clínicos.

Hoje, acredita-se que, se a fé não move montanhas, ela atua e faz muito bem às pessoas. Atualmente já existe um número muito grande de evidências, inclusive científicas, que demonstram que a fé e a espiritualidade exercem na saúde das pessoas, independentemente da religião que ela professa ou da igreja a qual ela pertence.

Para o Prof. Jeff Levin, autor do livro Deus, Fé e Saúde e pesquisador do National Institute for Healthcare Research, as linhas de pensamento conservador da Medicina relutam em aceitar o fato que a fé, a espiritualidade e o envolvimento religioso influenciam positivamente a saúde e o bem-estar físico e mental.

Entretanto, algumas conclusões de seus estudos foram:

  • as pessoas podem ser perfeitamente saudáveis, sendo ou não espiritualizadas ou religiosas;
  • a associação entre espiritualidade e saúde pode ser detectada através da geração de comportamentos saudáveis, melhoria das relações de apoio e solidariedade e geração de sentimentos ou emoções positivas e poderosas;
  • professar uma religião ou ter uma atitude espiritual independente não é fator determinante em se ter uma saúde melhor ou pior. Ambos podem ter boa saúde, sejam judeus, católicos, protestantes, budistas, etc. (formalmente religiões) ou que praticam outros caminhos espirituais, como, por exemplo, a meditação.

“Fé e espiritualidade não estão necessariamente relacionadas à fé religiosa”, afirma o Pro. Andrew Newberg, diretor do Centro da Espiritualidade e da Mente da Universidade da Pensilvânia. Ele é de opinião que a meditação e a oração ajudam a melhorar a relação consigo mesmo e com os outros, não importando o tipo de prática, mas como ela é praticada.

 

Benefícios dos “santos” remédios

Como estes estudos se iniciaram por volta de 1980, muitos benefícios da espiritualidade e da fé sobre a saúde das pessoas já foram relatados. De uma forma resumida, os benefícios observados foram:

  • pessoas que oram todos os dias, e/ou freqüentam cerimônias religiosas uma vez por semana, independentemente da religião professada, possuem maior resistência às doenças; quando hospitalizadas, toleram melhor os tratamentos e apresentam respostas mais rápidas a eles, além de permanecerem menos tempo no hospital, quando comparadas com pessoas que se dizem sem religião;
  • quanto maior a prática, melhor é a saúde mental das pessoas: de modo inverso, pessoas com baixo bem-estar espiritual apresentam o dobro de chance de possuir transtornos psiquiátricos;
  • episódios de recuperação de doenças graves, onde não existe uma explicação racional para ela, são atribuídos a uma predisposição favorável (fé) do paciente, o que influencia de forma decisiva e positiva a evolução do quadro clínico;
  • quem pratica uma religião ou desenvolve sua espiritualidade vive, em média, 29% de tempo a mais quando comparado ao tempo de vida de pessoas que não praticam estas atividades ou que não possuem nenhum tipo de fé;
  • quando uma pessoa ora ou medita, há um aumento do fluxo sanguíneo nas regiões cerebrais ligadas ao sistema imunológico, o que provoca a liberação de substâncias que estimulam a produção de células de defesa;
  • comportamentos religiosos, ou similares, estão associados a uma progressão mais lenta de doenças como AIDS e diferentes tipos de câncer;
  • tais comportamentos provocam uma redução dos níveis de cortisol no sangue, o que significa que estas pessoas suportam mais o estresse diário;
  • também já foi relatado que, neste tipo de pessoas, um aumento dos níveis de dopamina, substância responsável pela sensação de bem-estar;
  • para estas pessoas sempre há crescimento intrapessoal (através da geração de sentimentos como esperança, altruísmo e idealismo), crescimento interpessoal (tolerância, unidade e senso de pertencer a um grupo) e transpessoal (amor incondicional, adoração a um Ser Supremo e crença de que não está só no Universo);
  • quando bem desenvolvida, a espiritualidade é considerada um fator protetor para evitar sofrimento psicológico, comportamento delinqüente, abuso de drogas e suicídio;
  • pessoas espiritualizadas tendem a desenvolver um alto grau de resiliência e a enfrentar situações adversas com mais garra e decisão;
  • a prática da espiritualidade ou práticas religiosas gera atitudes de combate ao estresse, ou seja, um maior respeito ao próprio corpo e um melhor estado mental-emocional;
  • uma espiritualidade bem desenvolvida produz benefícios sobre as doenças cardiovasculares, como pressão alta, infarto e acidente vascular cerebral (derrame);
  • o mesmo ocorre sobre a depressão, doenças osteomusculares, neoplasias e doença de Alzheimer;
  • a fé e a espiritualidade funcionam como a segunda melhor maneira de se controlar a dor, sendo a primeira o uso de analgésicos;

Fé, espiritualidade e práticas religiosas podem ser consideradas como um fator de prevenção no desenvolvimento de uma série de doenças.

O que é importante e que não deve ser esquecido ou relegado a um segundo plano, é que a espiritualidade e a fá trazem, sim, benefícios à saúde, mas não curam doenças.

Elas podem contribuir para uma vida melhor, amenizar sintomas, gerar atitudes e sentimentos positivos, mas, em hipótese alguma, substituem tratamentos e protocolos médicos. No caso de doenças, elas constituem um fator coadjuvante para que se alcance os benefícios descritos.

Para mais, este tema está sendo estudado de um modo tão profundo, que já existe uma área de pesquisa denominada neuroteologia, destinada a estudar as respostas das várias regiões cerebrais em função da fé e da espiritualidade.

Atitudes religiosas ou espirituais melhoram, como um todo, a qualidade de vida das pessoas visto que elas tendem a ser física e mentalmente mais saudáveis, desenvolver um estilo de vida mais benéfico para si e requerer menos assistência médica.

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Espiritualidade e fé – “Santos” remédios para a saúde
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Últimos Comentários

  1. Daiane

    Boa Tarde,

    Gostei do artigo, eu sempre tento buscar a essência da minha espiritualidade, não vou mentir as vezes me perco e tenho que parar e refletir sobre minha espiritualidade, gosto deste tema e ainda estou descobrindo muitas coisas sobre espiritualidade.

    Atenciosamente,

    Daiane Neves

  2. Ismar Farias

    Dr. Luiz, boa tarde.
    Gostei muito do seu artigo, ele reflete a abertura de um profissional da saúde, cuja classe só aceita a ciência como a solução dos problemas de saúde. Veja uma luz no diálogo onde compartilharemos nossas experiências de fé e ciência. Faz pelo menos uns dez anos que só vou ao médico fazer os exames de rotina. Minha esposa e filhas também, minha esposa tem um problema de rins policísticos e pressão renal, e graças à Deus nunca precisou ser internada, controla a pressão com comprimidos para pressão alta. Somos católicos praticantes, somos missionários e vivemos nossa fé acima de tudo.
    E este seu artigo só vem a confirmar que a fé realmente remove montanhas, especialmente das doenças modernas. Um forte abraço.
    Ismar Farias
    Recife/PE

  3. Luiz Roberto Fava

    Caro Ismar,
    Ainda chegaremos a uma época onde fé e ciência caminharão de mãos dadas, lado a lado.
    Chegará o tempo onde cientistas e filósofos concluirão que Ciência e Espiritualidade são duas vertentes da Vida que necessitam caminhar juntas.
    Grato pela sua participação.
    Abraços,
    Luiz Roberto Fava

  4. Neuza

    Olá Dr. Fava

    Acredito mesmo que espiritualidade independe de religião, é uma conexão com o ser vivo. Eu tenho o privilégio de usufruir esse momento mágico na minha vida.
    Abraços e Parabéns pelo texto

  5. Luiz Roberto Fava

    Neusa,
    Diria que é uma conexão entre o ser vivo e o Ser Supremo,estabelecendo uma unidade única e indivisível.
    Grato pelas suas palavras e participação.
    Abraços
    Fava

  6. Celina

    Seu artigo é muito interessante, acredito que a fé é o único meio de atrair a cura para o corpo e para a alma.

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