O mito da espiritualidade no trabalho. E como ela interfere nos resultados da empresa Artigos, Empresas, Recursos Humanos

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Desde que iniciei minha atividade na área de Qualidade de Vida Integral, venho observando um interesse cada vez maior em uma das oito áreas que compõem o Ser humano: a área espiritual. Lembro que as outras sete são: física, emocional, intelectual, profissional, financeira, lazer e relacionamentos, inclusive os familiares.

Também venho observando que o tema “espiritualidade no trabalho” vem ganhando espaço em livros, dissertações e teses acadêmicas ou mesmo sendo tema de eventos e congressos.

Entretanto, ainda persiste dentro das organizações, não todas, é claro, uma certa aversão ao tema, visto que muitas pessoas ainda confundem espiritualidade com alguma religião.

Muitas são as definições que são encontradas a respeito destas duas palavras, mas a literatura mostra claramente que são coisas bem distintas, como mostra o quadro abaixo, elaborado a partir de estudos já relatados.

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Além disso, é importante lembrar que a espiritualidade apresenta duas características importantes: transcendência e conexidade. A primeira se refere às experiências vivenciadas fora do âmbito existencial e a segunda se relaciona diretamente com as pessoas, a natureza e o Universo.

Se vivemos em um mundo em constante transformação, nada mais lógico e racional que acompanhemos estas mudanças, tanto nas nossas oito áreas (âmbito pessoal), como também dentro do ambiente de trabalho (âmbito corporativo) onde estamos inseridos.

Nos dias de hoje o ambiente de trabalho está mais aberto à participação efetiva de seus colaboradores. E isto acaba abrindo espaço para que o emocional e o espiritual de cada um se manifestem de forma explícita.

Muitas empresas aplicam, através de suas políticas, elementos “espirituais” em suas práticas, elementos estes que fazem parte da natureza humana, tais como ética, amor, perdão, compaixão, responsabilidade, confiança, respeito ao próximo e à Vida, altruísmo, exercício do livre arbítrio, harmonia e integração entre as pessoas, solidariedade e fraternidade, apenas para citar alguns.

Embora exista aversão ao tema espiritualidade, a vivência destes elementos no ambiente de trabalho é amplamente estimulada e praticada. O que as pessoas não se dão conta é que, de forma indireta e inconsciente, a espiritualidade está sendo praticada e vivenciada.

Várias pesquisas sobre clima organizacional vem demonstrando que o item “qualidade de vida” é sempre citado como um dos mais importantes a ser oferecido aos colaboradores, inclusive no que tange ao engajamento dos colaboradores. E isto diz respeito também à sua saúde espiritual.

Muitas empresas já se aperceberam deste fato e tem adotado uma postura mais holística e mais transcendental, onde aqueles “elementos espirituais” são exercitados no dia a dia em busca de mais propósito e significado para o trabalho. E isto sem tirar os olhos da produtividade e dos resultados materiais almejados.

Aliás, o professor João Paulo Bittencourt diferencia empresas não espiritualizadas das espiritualizadas da seguinte forma:

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E que tipo de ganhos e benefícios podem ser conseguidos com esta mudança de postura?

Vejamos:

  • elevação do nível de consciência dos colaboradores;
  • maior sentimento de segurança psicológica e emocional;
  • ver na adversidade e nos momentos ruins uma fonte de aprendizado e de novas oportunidades;
  • melhoria do clima organizacional e da satisfação dos colaboradores na realização das tarefas;
  • maior motivação e desempenho;
  • maior produtividade e maior lucratividade;
  • maior sensação de pertencimento e comprometimento com a empresa;
  • desenvolvimento de melhores equipes através do “espírito de equipe”;
  • maior alinhamento do colaborador, dos líderes, das equipes e da empresa no que diz respeito aos seus propósitos e missões;
  • maior criatividade e cooperação entre os membros das equipes;
  • menos estresse, menos turnover, menos presenteísmo e menos absenteísmo;
  • as empresas não retêm seus talentos mas, ao contrário, são os talentos que “retêm” a empresa; e, sem dúvida,
  • mais, muito mais, Qualidade de Vida Integral.

Como citei anteriormente, muitas empresas praticam a espiritualidade e seus valores de forma inconsciente. O que está faltando é trazer ao nível consciente que sua prática faz parte do cotidiano de cada um, independentemente de sua religião.

Sempre é bom lembrar que é na empresa e no trabalho que as pessoas passam a maior parte do seu tempo. Consciente deste fato, nada mais racional que as corporações forneçam aos seus colaboradores ambientes que propiciem a cada um deles  a expressão de suas identidades como Seres Humanos Integrais, possuidores não apenas de corpo e mente, mas de corpo mente e alma.

Para a pesquisadora Leintina Trentin, “a era da espiritualidade no mundo corporativo já se iniciou. As empresas que apostarem neste novo rumo serão vencedoras tanto em harmonia, desempenho, produtividade, ambiente saudável, feliz e, acima de tudo, lucrativas.”

Devemos estar atentos, porque o futuro do mundo corporativo se delineia para uma transformação sem precedentes, onde a concorrência acirrada gerada pela globalização dará lugar a um novo capitalismo, não mais selvagem, mas mais dinâmico e mais espiritualizado.

É esperar para ver.

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

O mito da espiritualidade no trabalho. E como ela interfere nos resultados da empresa
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Últimos Comentários

  1. MARCOS PAIVA

    Tremendamente equivocada a ideia de distinguir espiritualidade das diversas áreas da vida. Em tudo na vida é algo espiritual: a maneira que você desenvolve sua saúde, o seu físico, suas emoções e intelectos. O exercício de profissão é demonstração inequívoca da espiritualidade, assim como dinheiro, lazer e relacionamentos são resultados unicamente do bom desenvolvimento da espiritualidade. Na vida tudo está relacionado a espiritualidade.

  2. Marcelo Barreto

    O homem chegará, em um futuro não muito distante, ao conhecimento do real sentido da vida. E a espiritualidade sem sombra de dúvidas é o caminho. Parabéns pelo artigo, amigo Fava.

  3. Luiz Roberto Fava

    Amigo Marcelo, grato pelo comentário. Fico feliz por saber que gostou do texto. Tenho percebido que muitas pessoas já estão se voltando para isso.

  4. Neide Tavares

    Fava, desculpe a demora em ler, mas a correria do fim de ano foi impressionante!
    Fantástico o seu artigo, parabéns mais uma vez!
    Concordo e já tenho observado práticas mais espiritualizadas em certas instituições.
    Mas o caminho ainda será longo!
    bjs

  5. Luiz Roberto Fava

    Neide, também acredito que o caminho é longo. E as mudanças irão ocorrer aos poucos. Acredito piamente nesta tese porque o Homem já não se contenta apenas em receber um salário no final do mes para suprir suas necessidades. ele já procura algo mair e que lhe de um propósito para conduzir de forma não tão “material” a sua atividade. Se você gostou do tema, leia meu texto “Carreira proteana – Uma tendência futura” também neste site. Feliz 2015. Abraços.

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