Ergofeliciômetro – Parte 3 Artigos, Qualidade de Vida

Nas minhas duas últimas postagens, procurei contribuir para que você fizesse a avaliação do grau de sua felicidade no trabalho. Um tema extremamente atual, mas longo e diverso considerando-se a percepção individual do que seja felicidade.

A lei fundamental da genética ensina que:

Genótipo + ambiente = Fenótipo

Onde genótipo representa a composição genética do indivíduo e fenótipo o organismo de um ser vivo considerado em relação aos caracteres apreciáveis com o uso dos sentidos.

Neste contexto, o que nos faz mudar constantemente é a influência que o ambiente exerce sobre nós, fazendo com que não sejamos sempre a mesma pessoa. É o ambiente que nos faz mudar.

AMBIENTE

O lar, a escola, as relações sociais e os amigos oferecem, de acordo com o tipo de personalidade dominante nesses ambientes, oportunidades e reforço para:

A percepção do EU no mundo
Valores
Sensibilidade para influências ambientais
Traços de personalidade

Fonte: Fraiman. L. – O jovem: como orientá-lo para construir seu projeto de vida. São Paulo, Ed. Esfera, 2009. P.64

Aliás, o AMBIENTE (MEIO) deu origem a duas escolas filosóficas.

A primeira –determinismo– afirma que o Homem é produto do meio, enquanto a outra –possibilismo– afirma que o meio é produto do homem.

Embora contraditórias, elas se complementam, pois o Homem é influenciado pelo ambiente (meio) onde vive, mas pode, por outro lado, influenciá-lo para melhorá-lo.

E quanto mais ele muda, a si e ao ambiente, maiores as chances para que ele busque e perceba a SUA felicidade.

Naqueles textos deixo claro que, dentro das empresas, a felicidade é responsabilidade tanto dela como do colaborador.

Neste contexto, começa a aparecer no mundo corporativo a figura da CHO – Chief Hapiness Officer – o especialista em felicidade no trabalho.

Uma destas pessoas é o dinamarquês Alex Kjerulf, especialista na área e autor do livro Happy hour is 9 to 5 – How to love your job, love your life and kick butt at work. Recentemente ele foi entrevistado pela revista Melhor – Gestão de pessoas (nº 274, set., 2010) a qual reproduzo abaixo.

Boa leitura.

É senso comum que as pessoas motivadas trabalham melhor, entregam resultados e contribuem para aumentar a produtividade. Porém, é muito comum pessoas lidarem com chefes intratáveis, competição entre colegas e prazos apertados. É possível ser feliz em um ambiente tão estressante assim?

Às vezes é possível. Você pode encontrar ilhas de pessoas felizes em empresas infelizes e vice-versa. Mas na maioria das vezes é impossível. É difícil de encarar, mas alguns locais de trabalho são muito tóxicos e jamais mudarão, não importa o quanto você tente. De fato, você pode se matar tentando e não vai conseguir. Neste caso, o melhor a fazer é ir embora e procurar um lugar em que seja mais fácil você ser feliz.

Como o senhor definiria um profissional feliz?

Alguém que acorda na segunda-feira e diz “Oba, é segunda, eu tenho de ir trabalhar novamente”. O oposto são todas as pessoas que dizem “Oba, é sexta-feira, chega de trabalho”.

O senhor se intitula Chief Hapiness Officer. O senhor enxerga organizações implementando esse cargo em suas hierarquias no futuro? Qual seria a contribuição que esse executivo poderia dar?

Eu vejo cada vez mais CHOs, o que é fantástico porque esse é um dos mais importantes cargos numa organização. Eles podem nem sempre ser denominados Chief Hapiness Officers, mas são pessoas vistas como responsáveis por fazer e manter a empresa feliz. A contribuição é tanto inspiracional quanto de ordem prática. Por um lado, o CHO deve – evidentemente – ser alguém feliz. Deve ser capaz de inspirar felicidade nas outras pessoas por sua natureza, e alguém que seja divertido, agradável e com muita energia. Por outro lado, o CHO pode também liderar iniciativas diversas para deixar as pessoas mais felizes, como celebrações, treinamentos e outras atividades divertidas no trabalho.

O título de seu mais recente livro, Happy Hour is 9 to 5, sugere uma transformação interior nas pessoas? Como as pessoas conseguem isso? E como diferenciar essa abordagem do autoengano?

Eu realmente não vejo isso como uma transformação profunda – que as pessoas vão da infelicidade a um contentamento profundo. Isso realmente tem a ver com ficar um pouco mais feliz a cada dia. Tem a ver com escolher ser feliz no trabalho. Dizer para si mesmo: “Eu vou trabalhar por muitas horas em minha vida – eu quero que essas horas sejam divertidas e motivadoras”. E se trata, sobretudo, de perceber que você pode ser feliz no trabalho e que pode fazer algo por você. Você não está à mercê de seus colegas, do local de trabalho ou do seu chefe. Antes de tudo, você tem o poder de ir embora e achar um emprego que lhe dê mais felicidade em algum outro lugar.

É comum haver conflitos no local de trabalho. Existe uma abordagem correta para solucioná-los?

A abordagem correta é resolver o conflito o quanto antes. Quanto mais se espera, pior ele fica. Além disso, tenha em mente que, em um conflito, dificilmente uma só parte é culpada. Será que você mesmo não contribuiu de alguma forma para o conflito?

Como o senhor vê os tradicionais programas de motivação nas empresas? Eles funcionam?

Infelizmente, a maioria deles não funciona muito bem. Podem dar uma cutucada temporária na motivação e na felicidade, mas rapidamente se esvaem, deixando os funcionários mais abatidos e céticos do que antes. O que nós precisamos é mudar a abordagem festivos – como aqueles eventos para formação de equipes – para o estratégico, de modo que a felicidade seja parte do DNA corporativo e incluída em todas as decisões. Somente as empresas que fazem isso podem criar felicidade no longo prazo – e felizmente muitas delas estão fazendo isso, como Google, Southwest Airlines e Zappos.com.

Como os gestores de RH podem contribuir para fazer as pessoas mais felizes?

Eis a verdade: a função mais importante do RH é fazer as pessoas felizes. Eu sei que o RH tem muitas outras tarefas, como cuidar de contratos, políticas, contratações, treinamentos, etc. Mas tudo o que o RH tem de fazer é realmente colocar as melhores pessoas na organização e obter o melhor delas enquanto estiverem ali. Isso só é possível quando as pessoas estão felizes. Essa é a razão pela qual o gestor de RH é a pessoa ideal para ser o Chiel Hapiness Officer. Para muitos departamentos de RH, essa é uma mudança radical de foco, mas isso é o que fará o RH muito mais divertido e muito mais eficaz.

A propósito, se o senhor fosse CEO de uma grande empresa, que tipo de profissional de RH gostaria de ter ao seu lado?

Alguém que tivesse um grande coração e naturalmente gostasse de gente. Alguém divertido, criativo e com bastante energia, que não tivesse medo de tentar novas ideias e abordagens. Alguém que soubesse profundamente que pessoas felizes são muito mais eficazes e que locais de trabalho felizes são muito mais bem-sucedidos. Eu gostaria de uma pessoa que me fizesse feliz, apenas por estar na mesma sala que eu. Isso seria também – não por coincidência – o perfeito Chief Hapiness Officer.

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Ergofeliciômetro – Parte 3
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Últimos Comentários

  1. Robson

    Bom dia Fava, concordo plenamente com o que está dizendo, estou elaborando um trabalho sobre o Desenvolvimento da felicidade no local de trabalho e me foi muito útil, e penso que se podessimos fazer os nossos horários ou trabalhar em casa dependendo do ramo de atividade seria lucrativo para o empregado e para a empresa.

  2. Luiz Roberto Fava

    Caro Robson,
    Quem me dera que as empresas incluíssem em sua gestão estratégica ou gestão de pessoas um item denominado felicidade no trabalho.
    Embora muitas tem se esforçado para isso, acredito que este sonho ainda está longe de ser alcançado e de se tornar algo como salário ou benefício.
    Mas um dia chegaremos lá.
    Grato pela sua participação e comentário.
    Abraços

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