FLEXILIÊNCIA Artigos, Crescimento Pessoal

Inicio este texto com uma frase que, para mim, é uma das verdades da Vida: “a única coisa imutável é a mudança”, atribuída a Heráclito de Éfeso (540 a.C – 470 a.C), filósofo pré-socrático.

Outra é atribuída a Morin (2000): “uma nova consciência começa a surgir: o homem, confrontado de todos os lados às incertezas, é levado em nova aventura – é preciso aprender a enfrentar a incerteza, já que vivemos em uma época de mudanças em que os valores são ambivalentes, em que tudo é ligado”.

Ter a consciência que o Ser Humano vive em meio a eternas mudanças e que estas podem deixá-lo tenso, pressionado, estressado e ansioso, entre outros efeitos, já é meio caminho andado para que ele se torne um flexiliente.

Esta palavra não existe formalmente; você não vai encontrá-la no dicionário. Mas significa a junção de duas palavras, as quais são essenciais no mundo de hoje: flexibilidade e resiliência.

Estas duas palavras representam duas qualidades que todo Ser Humano deve desenvolver para que consiga viver com mais qualidade de vida, seja no âmbito pessoal, seja no âmbito profissional.

E não devemos esquecer que, para nós brasileiros, o ano de 2012 será um ano de transformações e mudanças muito significativas devido, principalmente, ao início da Era de Aquário em 2013.

Flexibilidade

Ser uma pessoa flexível é ter a capacidade de mudar pensamentos e atitudes para se adaptar às circunstâncias para as quais ela não se considerava pronta. O que não implica que ela seja obrigada a mudar de opinião, nem suas crenças e nem seus valores.

Dou um exemplo: todas as vezes que um exército está perdendo a guerra, existem duas opções: bater em retirada ou se aliar ao inimigo. Pode ser que a segunda opção possa ter suas vantagens, as quais não eram pensadas no calor da disputa.

Desenvolver a flexibilidade leva a pessoa a ter mais maturidade e a torna mais evoluída.

Pessoas flexíveis são pessoas que possuem uma séria de características. Entre elas, destaco:

  • são abertas ao diálogo;
  • sabem dizer SIM e NÃO quando necessário e no momento certo;
  • sabem escutar de forma empática, isto é, colocando-se no lugar do outro para compreendê-lo de uma forma plena; isto estimula o diálogo de forma muito mais intelectual e inteligente;
  • não impõem de forma unilateral suas idéias; ao contrário, procuram discuti-las para buscar as melhores soluções;
  • sabem ir além de suas limitações, sempre buscando um maior conhecimento e desenvolvimento;
  • são tolerantes com o próximo, pois saúdam a diversidade e tem consciência de que ninguém é perfeito, inclusive ele mesmo;
  • por possuírem bom humor e auto-motivação, tem sempre algo a mais para se sair bem em qualquer situação;
  • usam e abusam da sua criatividade na busca de inovações, para que tudo caminhe melhor;
  • buscam sempre o equilíbrio nos oito diferentes aspectos da sua Vida: físico, emocional, intelectual, profissional, financeiro, lazer, relacionamentos (inclusive a família) e espiritual;
  • não se assustam com o novo a ponto de ficarem inertes e com medo; mas, reagem a ele ponderando e buscando caminhos para aceitá-lo, compreendê-lo e superá-lo;
  • são humildes; ao errarem assumem o erro e fazem dele uma fonte de aprendizado.

Mas isto pode não ser uma coisa fácil, visto que mudar para se adaptar à uma nova situação requer mudanças internas, de pensamentos e de atitudes.

Felizmente existe uma luz no fim do túnel que pode nos ajudar a nos tornarmos mais flexíveis. Esta luz se chama Neuróbica.

O conceito de Neuróbica, ou neurofitness é bem recente e foi introduzido pelo neurocientista Larry Katz. Basicamente “consiste em estimular os cinco sentidos por meio de exercícios, fazendo com que você preste mais atenção nas suas ações e então, melhore seu poder de concentração e a sua memória”, explica a psicóloga especialista em análise comportamental e cognitiva, Mariuza Pregnolato. “Não se trata de acrescentar novas atividades à sua rotina, mas de fazer de forma diferente o que é realizado diariamente”.

Existem vários exercícios neuróbicos para ajudar no desenvolvimento de sua flexibilidade, pois são exercícios realizados de forma não rotineira. Tente alguns destes (http://www.insistimento.com.br/2010/06/14/21-exercicios-de-neurobica-que-deixam-o-cerebro-afiado/):

  • Use o relógio de pulso no braço direito;
  • Ande pela casa de trás para frente;
  • Vista-se de olhos fechados;
  • Veja as horas num espelho;
  • Troque o mouse do computador de lado;
  • Escreva ou escove os dentes utilizando a mão esquerda – ou a direita, se for canhoto;
  • Quando for trabalhar, utilize um percurso diferente do habitual;
  • Ao entrar numa sala onde esteja muita gente, tente determinar quantas pessoas estão do lado esquerdo e do lado direito. Identifique os objetos que decoram a sala, feche os olhos e enumere-os;
  • Selecione uma frase de um livro e tente formar uma frase diferente utilizando as mesmas palavras;
  • Compre um quebra cabeças e tente encaixar as peças corretas o mais rapidamente que conseguir, cronometrando o tempo. Repita a operação e veja se progrediu.

Em síntese, a Neuróbica objetiva a mudança daquilo que lhe é rotineiro. Certamente estes e outros exercícios ajudarão a torná-lo (a) mais flexível.

Resiliência

Este termo tem origem na Física e significa “a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo é devolvida quando cessa a tensão causadora de uma deformação elástica”. Para entender este fenômeno, pegue um elástico e estique-o; ao soltar uma das pontas, ele volta ao seu estado anterior.

No meu e-book O Humor também ensina tenho um capítulo sobre este tema e do qual transcrevo alguns trechos.

O conceito de resiliência remonta há mais de 5000 anos. Naquela época, os monges indianos, por possuírem uma estrutura física bastante frágil, eram alvo fácil dos assaltantes. Para se defender, desenvolveram um tipo de luta na qual pudessem derrotar seu oponente sem o uso da violência.

De acordo com a lenda, tais monges tiveram a inspiração ao notar as árvores durante o inverno. Observaram que os galhos do carvalho, grossos e resistentes, quebravam sob o peso da neve. Por outro lado, os galhos do chorão, finos e flexíveis, envergavam, o que fazia a neve cair e, sem o peso dela, voltavam à posição original.

Desta forma, foi desenvolvida a arte milenar da defesa pessoal precursora do jiu-jitsu (arte flexível), cujo princípio fundamental é ceder para vencer.

Hoje este conceito se expandiu a várias áreas do conhecimento humano.

Em Ciências Sociais a resiliência é uma qualidade de resistência e perseverança da pessoa humana face às dificuldades que encontra.

Em Medicina, é a capacidade que o individuo tem de resistir por si próprio ou por medicamentos à uma doença, intervenção ou infecção.

Em Biologia, é a capacidade que a natureza possui de se reorganizar após passar por um período de devastação.

Em Psicologia, significa a capacidade que o ser humano tem em superar situações adversas (estresse, crises) com o mínimo de disfuncionabilidade no seu comportamento, adaptando-se ou ajustando-se a uma nova situação.

Para Carlos Legal, resiliência “é a capacidade que o indivíduo possui em saber lidar com pressões e situações difíceis e adversas sem prejuízo de sua saúde física e de seu equilíbrio emocional”.

Sylvia Mello S. Baptista afirma que resiliência “é lidar com as adversidades de maneira criativa, de modo a dar continuidade à vida sem que um obstáculo, que parecia intransponível seja motivo de paralisação”.

José Tavares afirma que, ao ser orientado para as corporações, o conceito de resiliência é definido “como a capacidade de responder de forma mais consistente aos desafios e dificuldades, de reagir com flexibilidade e capacidade de recuperação diante de desafios e circunstâncias desfavoráveis, obtendo uma atitude otimista, positiva e perseverante e mantendo um equilíbrio dinâmico durante e após os embates”.

Para o consultor organizacional Eduardo Carmello, resiliência “é a capacidade de promover as mudanças necessárias para atingir seus objetivos e os da empresa; manter as competências e habilidades, mesmo diante dos obstáculos; antecipar crises, prever adversidades e se preparar para elas: e, ter firmeza de propósito e manter a integridade”.

Para a psicoterapeuta Claudia Riecken, resiliência “é a capacidade de reverter uma situação adversa, de usar a força contrária de um dado evento a seu favor e recuperar-se”. E acrescenta: “a pessoa resiliente conta com uma força interna para se restabelecer de pequenos ou grandes reveses”.

Normalmente nossos pontos mais vulneráveis se manifestam quando passamos por algum tipo de perda: morte de um ente querido, divórcio, um imóvel perdido em um incêndio, perda do carro em um desastre, emprego, etc.

Como vimos, muitas são as definições de resiliência que podem ser aplicadas nas mais diferentes áreas do conhecimento humano. Mas, se pudéssemos resumir todas elas em uma simples frase, isto estaria no refrão da famosa canção Volta por cima, de Paulo Vanzolini: levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.

O Ser Humano não nasce resiliente. Ele desenvolve esta capacidade durante sua Vida. E, em um mundo de mudanças quase instantâneas, onde a certeza de hoje será aula de História amanhã, onde as transformações e mutações são constantes, é até normal que algum tipo de perda seja inevitável.

Por isso é importante que as pessoas saibam desenvolver sua resiliência. Esta competência fará com que seja possível enfrentar as adversidades de forma mais consciente e sem desespero, buscar novas soluções para a resolução de problemas, desenvolver sua auto-motivação, aprender a lidar com as injustiças e o mau-caratismo, buscar forças internas (que talvez você desconheça) para reconstruir o que foi perdido e viver com mais significado.

O Dr. Alberto D’Auria dá algumas sugestões para este desenvolvimento:

  • mentalizar seu projeto de vida, mesmo que não possa ser colocado em prática imediatamente. Sonhar com seu projeto é confortante e reduz a ansiedade;
  • aprender e adotar métodos práticos de relaxamento e meditação;
  • praticar esporte para aumentar o ânimo e a disposição. Os exercícios aumentam a produção de endorfinas e testosterona que, consequentemente, proporcionam sensação de bem estar;
  • procurar manter o lar em harmonia, pois isto representa o “ponto de apoio para recuperar-se”;
  • aproveitar parte do tempo para ampliar conhecimentos, pois isto aumenta a autoconfiança;
  • transformar-se em um otimista incurável, visualizando sempre um futuro bom;
  • assumir riscos (ter coragem);
  • tornar-se um “sobrevivente” repleto de recursos no mercado de trabalho;
  • usar a criatividade para quebrar a rotina;
  • apurar o senso de humor (desarmar os pessimistas);
  • separar bem quem você é e o que você faz;
  • examinar e refletir sobre sua situação com o dinheiro; e,
  • permitir-se sentir dor, recuar e, às vezes, enfraquecer para, em seguida, retornar ao seu estado original.

Já Naisa Modesto dá as seguintes dicas:

  • tenha um foco de vida e mantenha-se alinhado a ele. Isto lhe dará motivação para superar eventuais obstáculos;
  • procure ter uma visão mais ampla das situações, pesando pontos fortes e fracos antes de tomar uma decisão;
  • evite ser imediatista e procure ser mais ponderado;
  • faça algo que lhe relaxe a mente e o corpo;
  • divida seu tempo entre seu trabalho, família e lazer: é importante ter um pouco de cada para alcançar o equilíbrio;
  • reserve um tempo para você. Com freqüência;
  • seja otimista e tenha uma visão positiva da vida;
  • assuma riscos, sabendo que isso faz parte da vida.
  • ninguém sabe o que acontecerá amanhã;
  • tenha bom humor e cerque-se de coisas que o ajudem a mantê-lo, inclusive no trabalho; e,
  • permita-se achar ruim, abater-se, desmotivar-se. Mas em seguida busque o equilíbrio, recupere-se e não perca sua essência.

Talvez agora, caro leitor ou leitora, você tenha entendido o significado de flexiliência e como elas estão interligadas.

Estas duas capacidades deverão ser muito bem desenvolvidas e, sem dúvida, serão obrigatórias na listagem das suas competências e dos seus pontos fortes para se viver e trabalhar em um mundo em constante mutação e cujo futuro é incerto.

Ser uma pessoa flexível significa estar preparado para enfrentar o inesperado usando a criatividade e buscando novos caminhos e novas soluções.

Ser uma pessoa resiliente é estar preparado para enfrentar e se recuperar das adversidades da Vida.

Portanto, prepare-se para ser uma pessoa flexível e resiliente; um flexiliente.

E lembre-se sempre: não existem vencedores sem preparo!

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

FLEXILIÊNCIA
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Últimos Comentários

  1. Rafael de Oliveira Paiva

    Estas características são realmente muito importante para os tempos de hoje, que mudam instantaneamente. Uma pessoa “Flexiliente” suporta com facilidade as adversidades da vida e o seu instinto passa a ser mais aguçado diante a alguma ameaça que venha ou tente afetar esse indivíduo.
    Como o dito no neste artigo, que “ninguém nasce com essas qualidades”, devemos sempre buscá-las em todas as áreas da nossa vida, tanto pessoal quanto profisiional.
    Então encerro aqui parabenizando o autor deste artigo, que foi pra mim, de muita relevância e essencial para uma vida de barreiras constantes.
    Sucesso!

  2. Luiz Roberto Fava

    Caro Rafael,
    Acredito que estas duas qualidades sejam as que o mundo globalizado está exigindo das pessoas nos tempos atuais.
    Quanto mais cedo as pessoas se conscientizarem deste fato, mais elas estarão preparadas para enfrentar as mudanças e as “rasteiras” às quais todos estamos sujeitos.
    Abraços,
    Fava

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