Humanizando o ambiente de trabalho Artigos, Empresas, Recursos Humanos

Humanização do ambiente de trabalhoNo dia 8 de junho de 2014, chamou-me a atenção duas reportagens. Uma publicada no caderno Empregos do jornal O Estado de São Paulo e, a outra, publicada no caderno Negócios e Carreiras do jornal Folha de São Paulo.

Ambas as reportagens tiveram como pano de fundo a afetividade e a amizade que deve existir entre líderes e liderados.

O que mais me chamou a atenção foi que este tema foi abordado de modo simultâneo e no mesmo dia. Só não posso afirmar se foi coincidência ou não.

O outro ponto a considerar é que este tema ainda é considerado como não importante, não relevante ou até proibido em muitas empresas.

A leitura das reportagens contribui para se buscar ambientes mais saudáveis, onde os sentimentos individuais sejam levados em conta, tanto nos momentos bons, como nos ruins, durante sua atividade laboral.

Cada vez mais, líderes e gestores tem que tomar consciência que, atrás de uma meta alcançada, atrás de um objetivo cumprido, existem Seres Humanos Integrais e onde a área emocional tem papel relevante na produtividade de cada um.

Você já pensou em trabalhar desmotivado e infeliz?

Uma pessoa que, em determinado momento, esteja emocionalmente enfraquecida devido a qualquer problema, como doença em família, falecimento de um parente próximo, por exemplo, certamente terá sua produtividade afetada.

Na reportagem da Folha de São Paulo, é relatada a pesquisa realizada pela empresa de recrutamento Hays com mil brasileiros na faixa etária de 18 a 30 anos.

Por incrível que possa parecer, “eles desejam que o líder seja um confidente com que tenham abertura para falar sobre questões pessoais”, ou seja, esperam que o líder possa lhes oferecer muito mais do que as funções que eles normalmente possuem.

O diretor da Hays, Rodrigo Soares, afirma que o amadurecimento destes jovens ocorre mais tardiamente porque eles ficam morando na casa dos pais por mais tempo, e o local de trabalho acaba se transformando em uma extensão de suas casas. E isto acaba fundindo suas vidas pessoais com suas vidas profissionais.

Eu, particularmente, nunca gostei deste tipo de separação.

Temos apenas uma Vida e onde o aspecto profissional representa apenas uma das suas áreas. Tanto é que já me referi a isso em meu texto intitulado Nem pessoa, nem profissional. Apenas Vida.

Já na outra reportagem, cujo título é Gestor “afetivo” é cada vez mais desejado, são apontados alguns erros que distanciam os líderes dos liderados, os quais transcrevo abaixo:

a) de confiança – Segundo o diretor do Instituto Pieron, Marcos Bruno, o executivo não pode se considerar inábil para lidar com pessoas e reações. “Somos pessoas comuns, pagamos contas, educamos filhos e temos “esquisitices”, tal como nossos líderes e subordinados”.

b) de comunicação – Não saber se expressar é outro problema. “Quando o líder não consegue naturalmente definir a ação esperada, dar contextos, explicar, ampliar a visão, dar significados para o trabalho, gradualmente se sentirá questionado.

c) de coerência – Incoerências demonstradas pela postura e pelo tom de voz também atrapalham. “Ser coerente é transmitir confiança e convicção de que se está fazendo o que deve ser feito nas circunstâncias, compartilhando razões”.

d) de proximidade – Manter-se distante e negligenciar o acompanhamento dos subordinados é um erro. “Um líder que acompanha terá o que compartilhar”.

Ressalta-se que, em nenhum momento, foi comentado que o líder deve ser formado em Psicologia.

E, agora, cabe a pergunta: estarão os líderes preparados para serem afetivos e amigos de seus liderados?

Creio que a resposta está dentro de cada um deles. Saber entender, dominar e externar emoções faz parte do “pacote” de qualquer carreira e em qualquer área profissional.

Esta percepção já foi externada pelo psicólogo Daniel Goleman em seu livro Emotional Intelligence de 1995.

Nele o autor afirma que os custos gerados pela nossa “deficiência emocional” fazem diminuir a produtividade, aumentar erros, acidentes e perdas de prazo e, também, a saída de colaboradores para locais onde se sintam melhores. Levada ao extremo, a falta de inteligência emocional pode levar as empresas à ruína.

Hoje os tempos são outros.

Enquanto que em um passado não muito distante a gestão era mais hierárquica e onde o colaborador era remunerado pelas horas trabalhadas, nos dias de hoje a gestão deve estar voltada ao trinômio sentir-pensar-fazer e não apenas ao binômio pensar-fazer.

É este trinômio que traduz toda a grandiosidade do Ser Humano onde se revelam a alma (sentir), a mente (pensar) e o corpo (fazer).

Para mais, veja como Amit Goswami, o físico que estuda como conciliar ciência e espiritualidade, se expressa sobre este tema em seu livro Criatividade para o século 21 – Uma visão quântica para a expansão do potencial criativo:

Geralmente se diz que para subir na hierarquia da empresa, os funcionários tem de competir entre si. Sempre se diz que, em se tratando de negócios, o ambiente é o que se pode chamar de “pega pra capar”. De novo aqui as emoções negativas. Quando o modo japonês de conduzir as linhas de produto (nas quais um único operário é responsável por um único produto acabado) se tornou popular juntamente com o slogan “qualidade é o trabalho número um”, o mundo dos negócios no planeta inteiro reconhecer a importância da satisfação com o trabalho por parte do funcionário resulta de ele ver o trabalho que realiza na forma do produto acabado. Ou seja, existe espaço para emoções mais elevadas no mundo dos negócios.

Se nos dias de hoje o colaborador é remunerado pelos resultados a serem alcançados (e não mais pelo número de horas trabalhado), é fundamental que ele se sinta feliz e reconhecido por aquilo que entrega.

E felicidade e reconhecimento, quando proporcionados, gerarão emoções boas, mesmo em momentos ruins.

Humanizar o ambiente de trabalho significa aumentar o poder de percepção dos gestores para que seus liderados se sintam mais “inteiros” como Seres Humanos Integrais e não mais simples “máquinas”, “coisas” ou “robôs”.

Empatia, benevolência, solidariedade, sensibilidade constituem “substâncias agregadoras” que podem fazer as empresas serem listadas entre aquelas das melhores para se trabalhar.

Se, no passado, liderar era sinônimo de dominar, nos dias de hoje é convencer as pessoas a trabalharem para atingir objetivos comuns, como afirma Goleman.

Tudo indica que as emoções terão cada vez mais um papel importante na cooperação e na ajuda mútua, fazendo as pessoas trabalharem com maior eficiência, serem mais produtivas, gerarem mais lucro, mas, acima de tudo, se sentirem mais acolhidas e mais felizes.

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

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