Inteligência e Exteligência Artigos, Crescimento Pessoal

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Há alguns anos, quando os sites de busca ainda não tinham o alcance que tem hoje, um amigo, colega de profissão e professor como eu, me fez a seguinte pergunta:

– Fava, você ensina tudo o que você sabe?

– Claro, respondi.

– Pois eu, não. Gosto de ter uma “carta na manga.”

Então eu lhe disse:

– Nada contra. Só acho que a sensação de poder, de saber mais que as outras pessoas, só lhe é dada pelo espelho. Você se olha e a imagem lhe diz que você é o “cara”. Entretanto, não esqueça que, nos dias de hoje, o conhecimento e a informação estão na rede. Qualquer pessoa pode acessá-las e, se duvidar, encontrar alternativas melhores do que a sua “carta na manga.”

Este episódio foi o motivo inspirador para escrever este texto, visto que, de tempos em tempos, somos surpreendidos com novas palavras, novos conceitos e novas teorias.

Uma delas é EXTELIGÊNCIA, criada pelo matemático Ian Stewart e pelo biólogo Jack Cohen, no ano de 1997 e apresentada em seu livro Figments os reality: the evolution of the curious mind.

Para entendermos melhor o conceito de EXTELIGÊNCIA, vamos procurar entender, em primeiro lugar, o de INTELIGÊNCIA.

INTELIGÊNCIA 

Esta palavra tem sua origem no latim intelligentia, derivada de intelligere, composta por intus (entre) e legere (escolher).

Deste modo, a origem etmológica refere-se a saber escolher, ou seja, a inteligência permite ao ser humano escolher a melhor opção na solução de qualquer questão.

É muito difícil definir o que é inteligência, mesmo entre os psicólogos. Porém, existem dois “consensos” para a sua definição.

O da Associação Americana de Psicologia afirma: “os indivíduos diferem na habilidade de entender ideias complexas, de se adaptarem com eficácia ao ambiente, de aprender com a experiência, de se engajarem nas várias formas de raciocínio, de superarem obstáculos mediante o pensamento. Embora tais diferenças individuais possam ser substanciais, nunca são completamente consistentes: o desempenho  intelectual de uma pessoa vai variar em ocasiões distintas, em domínios distintos, a se julgar por critérios distintos. Os conceitos de “inteligência” são tentativas de aclarar e organizar este conjunto complexo de fenômenos”.

O segundo “consenso” é atribuído à Mainstream Science of Intelligenge, que afirma ser a inteligência “uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência. Não é uma aprendizagem literária, uma habilidade estritamente acadêmica ou um talento para sair-se bem em provas. Ao contrário disso, o conceito refere-se a uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreensão do  mundo à sua volta.”

Durante muito tempo os psicólogos acreditaram que a inteligência era algo que poderia ser medido e comparado através de testes, como o famoso QI (quociente de inteligência) o qual, aos pouco foi sendo abandonado tendo em vista que nem sempre as pessoas mais inteligentes apresentavam os melhores resultados.

Uma das grandes revoluções desta área deu-se em 1985, quando Howard Gardner apresentou a teoria das inteligências múltiplas, baseada em três princípios:

a – a inteligência consiste em um conjunto de inteligências múltiplas e não representa uma só unidade:

b – cada inteligência é independente das restantes; e,

c – a existência de inteligências múltiplas baseia-se na sua interação.

Estas inteligências, em número de sete são descritas a seguir de forma sumária. Os números entre parênteses referem-se à porcentagem de pessoas onde cada tipo de inteligência é predominante.

a – inteligência linguística (29%)

Facilidade de expressão nas formas oral e escrita.

b – inteligência lógica (29%)

Alta capacidade de memória e facilidade para lidar com matemática e lógica em geral.

c – inteligência motora (16%)

Expressão corporal e noção de espaço, distância e profundidade.

d – inteligência espacial (14%)

Facilidade para criar imagens e desenhar. Criatividade.

e – inteligência musical (6%)

Facilidade apara escutar músicas ou sons e desenvolver músicas e harmonias inéditas.

f – inteligência interpessoal (4%)

Relacionada à liderança. Estas pessoas são ativas, calmas e diretas e influenciam pelas suas ações.

g – inteligência intrapessoal (2%)

Também relacionada à liderança. As pessoas são mais reservadas e influenciam pelas suas ideias. É o tipo mais raro de inteligência.

Dez anos mais tarde (1995), um novo conceito de inteligência foi apresentado por Daniel Goleman: a inteligência emocional.

Este tipo é caracterizado pela capacidade de conhecer as próprias emoções, de modo a controlar os sentimentos para que sejam adequados; controlar a própria motivação, ordenando emoções para alcançar um objetivo, e reconhecer emoção nos outros. Além disso, reflete-se na capacidade de automotivação e persistência perante decepções, no controle de impulsos e manutenção de gratificações, na regulação do humor, evitando que os problemas diminuam a capacidade de pensar em situações emocionalmente desfavoráveis.

Não importando as definições para os diferentes tipos de inteligência, ela pode ser considerada como um dos aspectos da personalidade humana.

EXTELIGÊNCIA

Para Stewart e Cohen, exteligência é definida como todo o capital cultural que está ao nosso dispor.

Eles contrastam a exteligência com a inteligência visto que o conhecimento e os processos cognitivos estão dentro do cérebro (individual) enquanto a exteligência está fora de nós, acessível e disponível para qualquer pessoa (nos livros, no ambiente, nas pessoas, nas redes, na internet).

Para mais, eles acreditam que a exteligência e a inteligência se complementam através da COMPLICIDADE, um misto de complexidade e simplicidade, onde ambas são fundamentais para o desenvolvimento da consciência, tanto do indivíduo, como para a evolução das espécies.

A COMPLICIDADE expressa a relação de proximidade e interdependência entre o conhecimento que está dentro do cérebro com o conhecimento que está fora dele.

A exteligência também se traduz pelo nível de capacidades, conhecimentos, tecnologia, aplicações, destreza e técnicas proporcionadas por entidades e serviços externos pelos quais uma empresa se beneficia.

Este fato leva à possibilidade de atuar de forma interativa, gerar debates e negociações, além de coordenar atividades.

A exteligência é a responsável pela criação de conhecimentos novos, onde o conhecimento individual (inteligência) é dividido com o conhecimento individual de outras pessoas.

Para mais, a exteligência é usada quando queremos buscar novas informações e que, agregadas à inteligência, nos faz ir em busca de soluções para nossos problemas.

Uma não anula a outra; ao contrário, uma complementa a outra.

Walter Longo é de opinião que “o nosso cérebro não deve ser usado como um HD, mas como memória RAM, pois todo o capital intelectual humano construído durante milênios está disponível para cada um de nós.”

Para ele, o que está mudando é o cérebro humano e que estamos expandindo os limites da imaginação com o uso da tecnologia. E que a mudança não é tecnológica, mas humana.

Por isso recomendo que o conhecimento (inteligência) de cada um não deva ser guardado e usado apenas pelo seu portador, mas torna-lo disponível e acessível a quem quer que seja, transformando-o em exteligência.

Esta é, a meu ver, a conduta da qual não poderemos fugir se quisermos viver bem neste mundo globalizado, informatizado, tecnológico, dinâmico e imprevisível.

Foi-se a época onde as pessoas detentoras do “pulo do gato” ou da “carta na manga” eram vistas como os “salvadores da pátria”.

Nos dias de hoje, inteligente é ser exteligente.

Fava Consulting – Para viver com muito mais Qualidade

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Inteligência e Exteligência
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Últimos Comentários

  1. Flavia Ferrari Rossi

    Excelente artigo Luiz Roberto! O Britânico Beda já dizia: “Há três caminhos para o fracasso: não ensinar o que se sabe; não praticar o que se ensina; não perguntar o que se ignora”! Ótima semana, Flávia!

  2. Luiz Roberto Fava

    Flavia, grato por sua participação e comentário. Meu próximo texto será também sobre exteligência como um exemplo da prática andragógica. Espero que também goste. Uma ótima semana para você também. Fava

  3. Jovino Moreira da Silva

    Amigo Fava, mesmo distante e ausente por algum tempo estou sempre acompanhando os seus artigos e consultando sua página para obter mais ideias e conhecimentos que possam ser úteis para meus estudantes, além de recomendar-lhes a visita ao site. Quero desejar um novo ano novo cheio de bons e criativos trabalhos, de harmonia e amor. E aproveito para dizer que seu artigo foi muito esclarecer e, por isto considero-o de um excelente valor para nós que lidamos dia-a-dia com variadas inteligências na sala de aula e fora dela. Jovino

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