Janus, o deus, e “janus”, o motorista Artigos, Crescimento Pessoal

Mudanças no Futuro

Para quem não sabe, Janus era um deus romano considerado como o deus que representa a dualidade, Deus das Portas, dos Portais. Representante dos términos e começos.

É representado como um homem de duas faces, uma voltada para o passado e outra voltada para o futuro. Ao morrer, recebeu o status de Deus, por ter tido uma vida dedicada às transformações, adquirindo assim a dualidade das transições.

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Ele também dá o nome ao primeiro mês do ano, janeiro, o qual, simbolicamente, se comporta como um portal que transpomos, onde saímos do ano que se vai e entramos no ano que chega.

É ele que nos ensina a olhar sempre os dois lados da moeda: enquanto o passado tem tradições e perdas, o futuro é repleto de possibilidades e riscos.

Mas, saiamos da mitologia e voltemos ao mundo real.

Qual seria a situação dos dias de hoje que mais se assemelha a Janus? Nada além da figura de um motorista.

Imagine-se ao volante de um carro e dirigindo por uma estrada. É nesta situação. Olhando para a frente e olhando pelo espelho retrovisor que você mais se aproxima da figura de Janus.

Olhando para trás

Quando você mira apenas no espelho retrovisor, ele mostra aquilo que está atrás de você. Ele te orienta em uma série de coisas (carros que se aproximam, por exemplo) para que você assuma uma atitude que pode evitar acidentes. Mas se você dirige apenas olhando para trás, provavelmente você não terá a orientação necessária você poderá ter ou causar um acidente à sua frente.

O mesmo acontece com a Vida daquela pessoa que só vive no passado. Pessoas que vivem repetindo:

– No meu tempo…
– Na minha época…
– Antigamente…

Será que você conhece gente assim?

Pessoas que vivem no passado, e se orgulham disso, são pessoas que vivem suas vidas sem arriscar nada, que não procuram mudar e que acham que seu status quo não deve ser mudado porque “o futuro a Deus pertence”.

Suas experiências do passado acabam “estreitando sua mente” e não dão espaço para coisas novas e diferentes.

Por melhor que o passado tenha sido bom para alguém, hoje o nosso tempo e o nosso momento são outros.

O nosso momento é hoje, agora; é o momento presente. E é desse fato que devemos estar sempre conscientes.

Olhe para seu passado como um professor que lhe diz o que você já fez de bom e o que pode ser melhorado no futuro. E isto diz respeito às todas as áreas da sua Vida.

São de Marshall McLuhan as seguintes palavras: “Olhamos para o presente pelo espelho retrovisor; marchamos de ré para o futuro”

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Em outras palavras, devemos olhar para o espelho retrovisor para mudarmos nossa direção. É impossível guiar sempre olhando para trás.

Por isso não conseguimos ver o presente quando olhamos apenas para o passado.

Aliás, um ótimo exemplo desta afirmação ocorreu no dia 12 de junho, quando da abertura da copa do mundo de futebol.

Durante a solenidade, surpreendi-me com algo realmente novo: o pontapé inicial dado por um paraplégico que usava um exoesqueleto.

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Esta estrutura, desenvolvida aqui no Brasil, mostrou, pelo menos a mim, um futuro novo para as pessoas que, até então, eram condenadas a viver em uma cadeira de rodas.

Lembrei-me, então, de um dos inúmeros conselhos de Peter Drucker: “vá até o futuro, de uma espiada nele e volte com algumas novidades> Só assim você transforma sobrevivência em expansão, competitividade em lucratividade e fracasso na arte de vencer”.

Seu futuro só será a repetição de seu passado se você assim o permitir.

Olhando para frente

Bem, agora, em vez de ficar olhando para trás, pelo espelho retrovisor, vamos mudar a direção dos nossos olhos e olhar para a frente.

Lembre-se, você está dirigindo e, para fazer esta mudança do olhar, basta apenas uma fração de tempo e nenhum esforço. Você simplesmente tira os olhos do espelho retrovisor e mira para a estrada à sua frente. Foi difícil? Ficou cansado (a)?

Então, por que será que ao se pensar em mudanças, o fardo se torna mais pesado?

Mark Twain, o famoso romancista, afirmava que a única pessoa que gosta de mudança é um bebê molhado.

É fato incontestável que a única coisa imutável é a mudança. E elas estão ocorrendo no ambiente onde estamos inseridos, nas pessoas, nos relacionamentos, na forma de se fazer negócios, etc.

E, mesmo vendo isto acontecer, somos resistentes à mudança. Esta resistência pode ser causada por perdas pessoais, medo, por envolver quebra de paradigmas, por parecer estranha e diferente, etc.

Para que você comece a olhar para a frente, tenha consciência que as mudanças ocorrem e ocorrerão independentemente se você gosta ou não.

Frances Hodgson Burnett assim se referiu à dinâmica da mudança: “a princípio, as pessoas se recusam a acreditar que uma coisa nova e estranha possa ser feita; e, depois elas começam a ter esperança de que ela possa ser feita. Depois veem que ela pode ser feita. Então ela é feita e todo o mundo se pergunta porque já não havia sido feita há séculos”.

Mas vamos continuar esta viagem olhando para a frente.

De repente você vê lá na linha do horizonte a imagem de uma árvore, bem pequenina. À medida que você vai se aproximando dela, ela vai aumentando de tamanho e você se vê diante de uma enorme sequóia.

Imagine se esta árvore fosse um objetivo que você quisesse alcançar. Alcançando-o, sua felicidade seria ilimitada. Ótimo, você conseguiu, você venceu. Celebre! Comemore!

Só que a viagem continua. Seguindo pela estrada, você percebe que a mesma árvore volta a ficar pequena à medida que você dela se afasta. E isto tudo você acompanha pelo retrovisor, até ela sumir no horizonte.

O mesmo acontece quando atingimos um objetivo ou um sucesso.

Sempre afirmo que o sucesso tem que ser vivido e celebrado no momento em que ele ocorre, pois ele é passageiro como aquela árvore.

Viver o dia presente lembrando o sucesso de ontem também é fixar seu olhar no espelho retrovisor.

Amit Goswami, o físico indiano e professor da Universidade de Oregon, ensina que passado e futuro se relacionam a duas coisas: causa e propósito.

Causa é a relação do passado com o que está acontecendo no presente.

Propósito é a relação do futuro com o que está acontecendo agora.

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Se a sua Vida é o carro que você (“janus”) está dirigindo, pergunte a si mesmo para onde seus olhos estão mirando mais, para trás ou para a frente?

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre.

Janus, o deus, e “janus”, o motorista
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Últimos Comentários

  1. Luiz Roberto Fava

    Olá, Marcelo. Espero que as coisas estejam bem contigo. Grato pelo comentário. Abraços.

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