Liderança e autoconhecimento – Parte 2 Artigos, Liderança

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Liderança parece ser um tema que sempre está em evidência. Muito já foi, tem sido e será escrito sobre isso, visto que ela está presente desde o tempo onde o Homem começou a viver em sociedade.

Isso te a sua razão de ser. À medida que os indivíduos evoluem como Seres Humanos Integrais, a liderança também evolui acompanhando este processo de transformação.

Nos dias atuais, onde o universo corporativo está em constantes e imprevisíveis mudanças, é inconcebível exercer a liderança nos mesmos moldes de com era exercida na Era Industrial.

A literatura é vasta sobre este tema e não cabe aqui sua discussão. Em síntese, este conceito afirma que sem um líder e a prática da liderança, a coisa descamba para a bagunça e o caos.

Alguns autores chegam a afirmar que a liderança é tão importante a ponto de ser considerada como a responsável pelo sucesso ou o fracasso de uma organização. É através dela que se busca a harmonia entre os indivíduos que lá trabalham, produzem e que geram os resultados almejados.

Entretanto, lidar com Seres Humanos, não é tarefa fácil, tendo em vista que cada colaborador é possuidor de crenças, princípios, valores e que podem não ser os mesmos de seus pares. E isso independe do tipo de líder ou do estilo de liderança empregado.

A verdade é que não existe um estilo de liderança ou um tipo de líder que possa ser descrito como ideal. Entretanto, quanto mais preparado estiver com as habilidades e competências que lhe são exigidas, mais se aproximará daquele modelo dito “ideal”.

Além dos estilos de liderança e tipos de líder, outra discussão que está sempre presente se refere à seguinte pergunta: o líder nasce pronto ou se desenvolve com o passar do tempo? Em minha opinião, o líder se desenvolve com o passar do tempo. Não nascemos prontos e com as qualificações que um cargo de liderança exige. Mas podemos desenvolvê-las à medida que crescemos como Seres Humanos.

Apesar da extensa literatura que envolve estes três aspectos, muito pouco é considerado para responder à seguinte pergunta: estou preparado (a) para me tornar um (a) líder?

O papel do autoconhecimento

Autoconhecimento é, sem dúvida, a condição principal para qualquer pessoa que vai assumir um papel de líder. E a primeira coisa que deve ser sempre lembrada e nunca esquecida é que, no mundo corporativo, TUDO COMEÇA E TERMINA COM INDIVÍDUOS. E este fato nos remete a dois fatos:

1 – cada indivíduo é único e indivisível e,

2 – cada indivíduo, por ser único e indivisível, tem a sua própria maneira de pensar, sentir e agir, o que gera ações também únicas, como vimos no texto anterior.

Autoconhecimento nada mais é do que conhecer-se a si mesmo, das suas características, de seus pontos fortes e fracos, dos seus sentimentos; enfim, de tudo aquilo que caracteriza o indivíduo por si próprio.

Autoconhecimento, ou a sua busca, sempre foi uma preocupação inerente do Ser Humano. Tanto é que Sócrates (469 a. C. – 399 a. C.), um dos grandes filósofos da Humanidade, preconizava: Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.

Sendo assim, preparar-se para exercer a liderança pressupõe um alto grau de autoconhecimento, o que inclui saber lidar com seus sentimentos e emoções em primeiro lugar. Afinal de contas, um líder também é um Ser Humano único e indivisível.

Uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral, com 1200 empresários brasileiros de várias regiões mostrou que, para liderar uma equipe, o líder necessita conhecer a si mesmo e ser um exemplo para o grupo.

São de Waleska Faria as seguintes palavras:

A busca da liderança é inicialmente uma busca interior para descobrir quem você, de fato, é. Através do autoconhecimento, vem a confiança necessária para liderar. Um líder que não conhece a si mesmo não pode pressupor ser dono de si, nem tampouco imaginar-se responsável por outras pessoas. Precisa ter consciência de que pessoas diferentes tem necessidades diferentes.

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Em um texto anterior, O líder gelol, assim resumi as duas grandes responsabilidades de qualquer líder.

Para que o líder possa exigir um trabalho bem feito e que traga resultados positivos para a empresa, ele deve participar deste processo também proporcionando condições para que seus liderados possam usar todas as suas habilidades, capacidades, competências e expertises; permitir que eles cresçam e se desenvolvam em todas as suas oito áreas; fazê-los sentir que fazem algo importante e saber reconhecê-los por isso; criar um ambiente de trabalho agradável e acolhedor, onde eles possam fazer aquilo que gostam com propósito e significado e permitir que recebam um salário e um pacote de benefícios que os remunerem de forma justa.

Agora vamos imaginar um líder anunciando algo à equipe.

Este anúncio pode gerar em cada liderado uma reação diferente, como no exemplo abaixo.

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Perceba que em cada membro do grupo serão gerados pensamentos e sentimentos individuais, isto é, cada liderado pode reagir de forma diferente ao mesmo estímulo.

Um líder que não se autoconheça certamente não saberá administrar tantas reações diferentes, o que pode gerar mal-entendidos e conflitos.

Talvez esteja aí a principal razão da não retenção dos indivíduos. Quantas vezes você já deve ter escutado que colaboradores, na maior parte das situações se “desligam” dos líderes, e não das empresas.

Outro ponto importante está na seguinte pergunta: sei liderar a mim mesmo?

Infelizmente o Ser Humano tem uma tendência de julgar as pessoas pelas suas ações e julgar a si mesmo pelas suas intenções. Raras são as pessoas que param, pensam e se autojulgam pelas suas ações.

Resumidamente, para liderar-se é necessário que a visão sobre si mesmo seja a mais clara e honesta possível, mesmo que isso necessite de algum tempo para refletir sobre si mesmo ou até buscar auxílio externo para isso.

A passagem seguinte ilustra muito bem o significado de liderar a si mesmo.

Certo dia, Frederico, o Grande, rei da Prússia, caminhava por Berlim quando cruzou com um súdito que vinha na direção oposta.

– Quem és tu?, perguntou Frederico.

– Sou um rei, respondeu o súdito.

– Um rei?! Sobre qual reino?, perguntou Frederico.

– Sobre mim mesmo, respondeu o súdito.

Autoconhecimento e liderar a si mesmo talvez sejam os dois ingredientes necessários para aquele que quer se tornar um verdadeiro líder integral.

O papel da Inteligência Emocional

Para Daniel Goleman, o pai da Inteligência Emocional, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, afirma que a mesma tem a ver com o modo como lidamos com nós mesmos e com os outros. É ela que faz a diferença entre um líder realmente eficiente e um líder mediano.

Um líder integral deve, acima de tudo, estar preparado para administrar sentimentos e emoções, suas e as dos seus liderados.

É por isso que, cada vez mais, a inteligência emocional vem se destacando como um fator de extrema importância na arte de liderar indivíduos. Basta afirmar que ela “representa de 85% a 90% das diferenças entre os líderes de destaque e os demais”, como afirmam Boyatzis e Mckee em O poder da liderança emocional (Ed. Elsevier, 2006).

Nesta mesma obra, os autores afirmam que a Inteligência Emocional compreende quatro domínios: autoconsciência, autogestão, consciência social e administração de relacionamentos. Os dois primeiros relacionam-se a como e quão bem entendemos e administramos a nós próprios e nossas emoções, enquanto os dois últimos relacionam-se a como e quão bem administramos a emoção dos outros, construímos relacionamentos e trabalhamos em sistemas sociais complexos.

Em cada um destes domínios são descritas uma série de competências que deverão ser desenvolvidas para que o líder desenvolva esta atividade com maestria.

O papel da Inteligência Espiritual

O conceito de Inteligência Espiritual foi introduzido por Danah Zohar e Ian Marshall.

Para eles, a Inteligência Espiritual “constitui-se na terceira inteligência, aquela que coloca nossos atos e experiências em um contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos.

Ter um alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal.

Enquanto a Inteligência Emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e a me comportar aproximadamente dentro dos limites da situação, a Inteligência Espiritual me permite perguntar se quero estar nesta situação particular; implica trabalhar com os limites da situação.

Enquanto a Inteligência Emocional fala das emoções, a Inteligência Espiritual fala da alma; esta tem a ver com o que algo significa para mim, enquanto aquela se relaciona com as coisas que afetam minha emoção e como eu reajo a ela.

Maro Fabosi afirma que “a Inteligência Espiritual é a essência da liderança e que somente lideres que pensam e agem com base em princípios e valores que rompem os limites do aqui e agora; que elevam seu olhar para além de interesses que apenas solucionem o imediato e o individual, é que podem estabelecer um ambiente onde haja respeito, segurança e sustentabilidade e perspectivas de um futuro melhor.

Desenvolver a Inteligência Espiritual e trazer a espiritualidade para dentro do ambiente de trabalho talvez seja a o próximo e grande desafio dos líderes do século XXI.

Infelizmente o tema “espiritualidade nas empresas” ainda enfrenta todo o tipo de resistência. Mas o que muitos ainda não se deram conta é que, indiretamente, muitos líderes já a estão praticando. E isto pode ser percebido onde:

  • os colaboradores estão constantemente motivados;
  • seus desempenhos e performances estão constantemente em alta;
  • a comunicação é cada vez mais clara;
  • confiança, respeito, empatia, perdão e transparência norteiam as relações interpessoais;
  • o espírito de equipe é algo consolidado;
  • o estresse ruim (distresse) dentro do ambiente de trabalho é reduzido; e,
  • a Qualidade de Vida Integral está sempre presente e é cada vez mais valorizada.

A Inteligência Espiritual permite aos líderes “quebrar” paradigmas de forma mais constante e consciente, daí serem indivíduos mais “inconstantes”, porque escolheram viver por mais tempo em suas zonas de “desconforto”.

Talvez ainda não tenhamos nos dado conta que a Inteligência Espiritual pode ser a única responsável pelo desenvolvimento e crescimento do Ser Humano e da melhoria contínua de seu inter-relacionamento na sociedade onde está inserido.

Será que não é ela, aliada ao autoconhecimento e à Inteligência Emocional dos seus líderes, as principais responsáveis pelo sucesso ou o fracasso das empresas? Afinal, como mencionei no início deste texto, TUDO COMEÇA E TERMINA COM INDIVÍDUOS.

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Liderança e autoconhecimento – Parte 2
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