Liderança e autoconhecimento Artigos, Liderança

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Um mundo em constante transformação.

Esta é a realidade dos nossos dias onde a globalização e a tecnologia são consideradas os dois grandes vetores deste “trem bala em uma sinuosa montanha russa”, como bem define o consultor Cesar Souza.

E esta constante transformação tem feito as empresas se tornarem cada vez mais competitivas visto que o cenário do mundo corporativo se torna imprevisível. O que é hoje poderá já não ser amanhã.

Embora a produtividade e o lucro continuam sendo palavras de primeira ordem, algo vem sendo transformado com o passar do tempo.

Enquanto na Era Industrial o dono da empresa era o mandão e os colaboradores deviam retribuir trabalho e salário com lealdade a ele e à empresa, a atual era do trabalho (Era do Conhecimento/Informação) vem mostrando que este modelo já se esgotou.

Um maior foco nos colaboradores, agora vistos como Seres Humanos Integrais, é o que vem permeando uma nova cultura corporativa, a ponto dos colaboradores utilizarem seu livre arbítrio para escolher onde querem e para quem vão trabalhar. Com uma visão de longo prazo, poderia arrisca a afirmar que em um futuro não muito distante, será o trabalho e o emprego que irão atrás dos colaboradores. É esperar para conferir.

Isto mostra, também, o desejo dos colaboradores se sentirem felizes também naquilo que diz respeito à sua atividade laboral; diferentemente da Era Industrial onde o trabalhador era pago para trabalhar e não para pensar.

Estes fatos tem merecido dos gestores uma nova postura nas relações interpessoais. Sai a figura do “chicote e cenoura” para uma melhor qualidade na relação líder-colaborador onde todos, sem exceção, busquem maior satisfação e felicidade no trabalho.

Para melhor compreender como esta relação líder-colaborador pode ser ampliada e melhorada, vou me permitir traçar um paralelo com o nosso sistema nervoso.

Neurônios e sinapses

Toda e qualquer função relacionada ao nosso cérebro (pensamentos, sentimentos, sensações, emoções, aprendizagem, memória, etc.) só são compreendidas quando conhecemos o processo de comunicação entre as células do sistema nervoso, conhecidas por neurônios. (Fig. 1).

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Fig. 1 – Estrutura do neurônio

São estas células que transmitem qualquer informação ao cérebro, onde é “decodificada” para produzir uma reação correspondente.

Exemplo: um beliscão. Quando alguém é beliscado, os neurônios desta área captam este estímulo, o qual é enviado ao cérebro. Ele processa este estímulo, que é “decodificado”, gerando uma resposta, a qual também é transmitida via neurônios até o local beliscado e que se traduz por algum tipo de dor. E este processo não demora mais do que alguns milionésimos de segundo.

Também é importante saber que os neurônios não estão “colados” entre si. Seu prolongamento maior, o axônio, se “comunica” com o axônio e dendritos (prolongamentos menores) de outro neurônio através de um espaço chamado sinapse. (Fig. 2- esquerda).

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Fig. 2 – Sinapse e comunicação entre neurônios

Então, quando um estímulo é captado pelo neurônio (neurônio pré-sináptico), este estímulo caminha pelo axônio até a sinapse. Para que a transmissão passe ao neurônio seguinte (neurônio pós-sináptico), o primeiro libera uma série de substâncias, os neurotransmissores, as quais permitem o estímulo passar de um neurônio para outro. (Fig. 2- direita). Aproximadamente mais de 60 neurotransmissores já foram identificados e cujas funções já estão bem definidas.

Estímulos e respostas

Vamos agora imaginar este mesmo processo entre duas pessoas. (Fig. 3).

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Fig. 3 – Analogia da comunicação entre neurônios e pessoas

Quando uma delas envia um “estímulo” ao seu interlocutor, o cérebro deste capta este estímulo e, ao identifica-lo na região do hipotálamo, gera algumas substâncias que estimulam a hipófise, uma importante glândula de secreção interna situada no cérebro. Esta, por sua vez, vai produzir uma série de hormônios que irão estimular as glândulas suprarrenais (também glândulas de secreção internas) a produzir outros hormônios que irão interferir na resposta (ação) de quem recebe o estímulo. (Fig. 4).

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Fig. 4 – Sequência de eventos no eixo hipotálamo -hipófise-suprerrenais

Tais substâncias, dependendo da quantidade e do tempo que permanecem atuando, podem gerar consequências físicas e mentais que terão impacto direto tanto na esfera corporal, como nas esferas emocional e comportamental.

Estas consequências, boas ou ruins, serão geradas dependendo do tipo de substâncias que as glândulas suprarrenais irão produzir, como resposta de como a pessoa identifica o estímulo. Já me referi a isso no meu texto Que tipo de substâncias sua empresa está produzindo?

Quando o nosso cérebro é estimulado, ele gera pensamentos e sentimentos que darão origem a ações e resultados, de acordo com a maneira de pensar de cada um.

Todo este processo, até os resultados finais, está calcado em nossos modelos mentais, os quais produzirão, ao final, aquelas ações e resultados, tanto os bons como os ruins. (Fig. 5).

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Fig. 5 – Modelo mental e sequência dos eventos

São estes modelos mentais que, em síntese, constituem o nosso livre arbítrio, nossa capacidade de fazer escolhas e gerar respostas aos estímulos que nos “bombardeiam” constantemente.

É por isso que as pessoas não pensam de forma igual e uniforme. Cada uma pode reagir de inúmeras formas diferentes ao mesmo estímulo, o que torna os Seres Humanos bem diversos e complexos.

Vicente Picarelli, em seu texto “A complexidade do mundo e o desafio do amanhã”, afirma:

A grande maioria das pessoas vê o mundo de um ponto de vista muito geral, não percebendo as particularidades que diferenciam o resultado de uma determinada ação que daria maior significado à sua vida de outra com pouco significado de mudança. Normalmente não veem a complexidade do mundo influenciando seu dia-a-dia; entendem que as coisas são como são porque esse é o destino.

Um número menor de pessoas tem consciência dos significados e propósitos de vida e trabalha diligentemente para mudar o rumo de suas histórias, buscando melhorar a cada passo. Essas pessoas, normalmente, se mostram muito boas naquilo que fazem e demonstram uma capacidade incrível de trabalho, sem, contudo, perder de vista seus objetivos pessoais, que não são inteiramente egóicos, pois podem incluir famílias e amigos.

No entanto, são pouquíssimas as pessoas que buscam incessantemente reorganizar as suas mentes para compreender a complexidade do mundo. Estas, normalmente, tem uma visão muito ampla e profunda dos acontecimentos e conseguem perceber as mudanças necessárias, não só para si mesmas, mas também para grupos sobre os quais exercem alguma influência. São indivíduos com grande poder de transformar o ambiente e trazer mudanças favoráveis a todos.

Tudo isso nos leva à conclusão que é muito difícil liderar indivíduos sem que haja um prévio conhecimento de toda esta complexidade. Haja vista que muitas empresas acabam caindo na vala comum onde a liderança passa a ser a responsável pela perda de seus talentos.

Certamente, caro leitor, cara leitora, você já deve “estar careca” de escutar que os colaboradores não se desligam da empresa, mas de seus líderes.

É esta “conexão neuronal” entre líderes e liderados que deve ser melhor conhecida para ser melhor aplicada, gerando engajamento e retenção.

E este é, sem dúvida, o papel do líder da Era da Sabedoria. Buscar seu autoconhecimento, inclusive no desempenhar das suas funções diárias, para depois buscar entender aquilo que se passa na cabeça de seus liderados.

Tudo na Vida tem a presença Humana, ou seja, estamos sempre em uma relação de pessoas para pessoas. E o exercício e o desempenho dos líderes do futuro passam pelo conhecimento de todas as oito áreas que compõem cada Ser Humano Integral.  

Quem não estiver preparado para isso, desenvolvendo dentro de si mesmo uma nova visão de liderança baseada no seu autoconhecimento constante, certamente nunca será um líder integral e continuará sendo apenas um simples líder.

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

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