O líder “gelol” Artigos, Liderança

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Lá pelos idos de 1984, o publicitário Duda Mendonça lançou um comercial que, ao longo do tempo, tornou-se um dos mais lembrados pelas pessoas.

O famoso “Não basta ser pai, tem que participar” mostrava um jogo de futebol onde o filho permanecia no banco de reservas e o pai acompanhando na torcida. Quando o filho finalmente entra em campo, leva um tranco e cai. O pai, mais do que depressa, acode o filho e massageia a área afetada com Gelol, uma pomada para ser friccionada localmente no caso de contusões, torcicolos e dores musculares.

Além da propaganda explícita da pomada, o filme comercial também retratava uma mudança de costumes no comportamento daqueles que estavam assumindo o papel de pai de forma mais participativa, mais afetiva e mais presente.

Saia aquela figura do pai provedor, onde ele saia para trabalhar e sustentar a casa e a família e usar o poder quando necessário, para um novo pai, cujo comportamento ia desde trocar as fraldas dos filhos, ir às reuniões de pais e mestres e levar os filhos aos parques, clubes, cinemas e teatros.

A frase-mote da campanha – não basta ser pai, tem que participar – ainda é muito lembrada.

O ser pai ou mãe, hoje em dia, também é uma atividade onde as pessoas exercem liderança, assim como em outras atividades que envolvem a presença de pessoas, como na igreja, no clube, no condomínio, etc.

Quando o tema liderança é visto sob a ótica do mundo corporativo, a coisa pode ser bem diferente, embora os fundamentos sejam os mesmos.

Muito já se escreveu, e ainda será escrito, sobre este tema tão diverso, mas ao mesmo tempo, tão cativante. E isto, para mim, tem uma razão única: liderança só existe porque existem pessoas envolvidas.

Um exemplo atual diz respeito às diferentes gerações que hoje compõem o ambiente corporativo. Basicamente, são três: babyboomers, X e Y, isto sem contar os veteranos (geração silenciosa, segundo a Wikipédia) e a Z, que já está no início, sendo que cada uma delas possui suas próprias características, seus anseios, seus pontos de vista, etc.

Liderar pessoas pertencentes a gerações tão diferentes exige muita responsabilidade. Por isso considero ser normal a quantidade de livros, artigos, teses e TCCs onde estilos de liderança e tipos de líderes sejam o foco principal de tais obras.

Mas, independentemente dos estilos de liderança e dos tipos de líderes, o bom líder deve ter consciência que ele possui duas responsabilidades principais.

Uma é conseguir sempre bons resultados, os quais se originam do desempenho dos membros de sua equipe. A outra é proporcionar um ambiente onde aqueles mesmos colaboradores se sintam felizes e motivados, o que é conseguido quando o líder volta seu olhar para cada um dos liderados a fim de atender suas necessidades e suas motivações.

Estas duas grandes responsabilidades podem ser assim resumidas:

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Embora tudo possa ser resumido ao quadro acima, tornar-se um líder requer muito esforço, energia e dedicação.

John Maxwell, no seu O livro de ouro da liderança (2008), afirma que liderança é:

  • a disposição de assumir riscos;
  • o desejo apaixonado de fazer a diferença;
  • se sentir incomodado com a realidade;
  • assumir responsabilidades enquanto outros inventam justificativas;
  • enxergar possibilidades de uma situação enquanto outros só conseguem ver as dificuldades;
  • a disposição de se destacar no meio da multidão;
  • abrir mente e coração;
  • a capacidade de subjugar o ego em benefício daquilo que é melhor;
  • evocar, em quem nos ouve, a capacidade de sonhar;
  • inspirar outras pessoas com uma visão clara da contribuição que elas podem oferecer;
  • o poder de potencializar muitas vidas;
  • falar com o coração ao coração dos liderados;
  • a integração do corpo, da mente e da alma;
  • a capacidade de se importar com os outros e, ao fazer isso, liberar as ideias, a energia e a capacidade dessas pessoas;
  • o sonho transformado em realidade;
  • acima de tudo, coragem.

Para que o líder possa exigir um trabalho bem feito e que traga resultados positivos para a empresa, ele deve participar deste processo também proporcionando condições para que seus liderados possam usar todas as suas habilidades, capacidades, competências e expertises; permitir que eles cresçam e se desenvolvam em todas as suas oito áreas; fazê-los sentir que fazem algo importante e saber reconhece-los por isso: criar um ambiente de trabalho agradável e acolhedor, onde eles possam fazer aquilo que gostam com propósito e significado e permitir que recebam um salário e um pacote de benefícios que os remunerem de forma justa.

Retornando à figura acima, convém lembrar que, até alguns anos atrás, as palavras desempenho e produtividade eram antagônicas às palavras felicidade e bem-estar no trabalho.

Entretanto, com a evolução e o desenvolvimento do Ser Humano, as empresas começaram a ver seus colaboradores não mais como “máquinas”, “números” ou “robôs”, mas como Seres Humanos Integrais, possuidores de corpo, mente e alma. Desta forma, perceberam que o capital humano, as pessoas que lá trabalham, assim deveriam ser vistas e percebidas e que deveriam, portanto, serem lideradas de uma forma mais humana e holística.

Não é a toa que o exercício da liderança, nos dias de hoje, requer uma participação que vai além do aspecto puramente profissional. Esta participação também inclui as necessidades e anseios de cada um, ou seja, a prática da liderança se estende à todas as oito áreas que cada Ser Humano “recebe” ao nascer: física, emocional, intelectual, profissional, financeira, lazer, relacionamentos (inclui a família) e espiritual. E isto independentemente do estilo de liderança e do tipo de líder.

Uma participação mais integral e ativa do líder se traduzirá, inicialmente, na conscientização de que cada colaborador, assim como ele, é um Ser individual, único, daí um indivíduo, que possui características, desejos e expectativas únicas.

Quando seus liderados se conscientizarem que são vistos como Seres Humanos Integrais, e não mais como aquelas pessoas que “são pagas para trabalhar e não para pensar”, certamente se sentirão mais reconhecidos e mais valorizados, o que fará aumentar seu bem-estar, sua felicidade e sua motivação, fazendo com que sintam orgulho de “vestir a camisa da empresa”, tornando-se mais engajados e produtivos.

Isto representa, em poucas palavras, um ciclo virtuoso onde a participação do líder é fundamental e essencial.

Daí a sugestão de líder “gelol”, onde o mote muito se assemelha à frase da campanha de Duda Mendonça: “não basta ser líder, tem que participar”.

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

O líder “gelol”
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Últimos Comentários

  1. Ariovaldo Ribeiro

    O artigo parece resumir em: “se você quer ser um lider, tem de tentar transformar seus liderados em lideres”.
    Parabéns,
    Ariovaldo

  2. Luiz Roberto Fava

    Ariovaldo, no mundo do trabalho de hoje tem sucesso quem é líder. Chefe, hoje, é artigo em extinção. Abraços.

  3. Luiz Roberto Fava

    Andrea, grato pelo seu comentário e participação. Como mencionei ao Ariovaldo, se tudo muda, nossas posturas também devem mudar, acompanhando as mudanças que estão sempre ocorrendo.

  4. Ana Lucia

    Parabéns, Fava. Dizer qualquer coisa aqui, agora, seria chover no molhado. Então, venho pedir-lhe que escreva sobre os profissionais que se afastaram do setor administrativo, por n motivos, e que não conseguem retornar.
    Acredito na humanização da liderança, da gestão e das organizações. Porém vejo como um paradigma falar em humanização e, simplesmente, acreditar que não serve mais para nada, o profissional que não está atuante.
    Obrigada por suas palavras, sempre.

  5. Luiz Roberto Fava

    Ana Lucia, creio que sua proposição envolve muito mais do que o que pode parecer de seu comentário. Se a pessoa “não serve para mais nada”, como você coloca, e a pessoa tem consciência disso, isto pode ter várias causas, a começar por ela mesma. Mas se a pessoa tem consciência de suas capacidades e habilidades, ela certamente não se sentira “inservível”, mas, ao contrário, estará sempre buscando novas oportunidades. Nunca se sentirá inquieta, independentemente se seu trabalho for público, privado, autônomo ou terceirizado. Grato pelo seu comentário e sua participação.

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