Lucro e qualidade de vida – Parte 1 Artigos, Empreendedorismo, Qualidade de Vida

Você se lembra de ter tido alguma aula sobre empreendedorismo durante o seu curso de Odontologia? Você saiu da faculdade com alguma noção que seria, dali para a frente, um empreendedor? Certamente a resposta é NÃO.

E o que aconteceu depois de você ter recebido o diploma?

Bem, antes de tudo, é preciso esclarecer que, ao nos formarmos dentistas, passamos a ser apenas prestadores de serviços: fazemos um diagnóstico, um planejamento, realizamos as ações necessárias, recebemos pelos serviços prestados e o cliente vai embora satisfeito (ou não). Não é assim que fomos condicionados e preparados? Passamos 4 a 5 anos em uma faculdade para aprendermos (e nos tornarmos) simples prestadores de serviços.

Por favor, não me interpretem mal, mas o mecânico que cuida do seu carro não faz exatamente o mesmo?

Infelizmente não temos a mínima noção que, para fornecer serviços, temos que nos tornar empreendedores. E empreendedorismo é tema que passa longe das faculdades de Odontologia.

Ao nos formarmos, não temos idéia de que vamos nos tornar uma empresa e, para que uma empresa tenha êxito, devemos conhecer marketing, administração, gestão e outras noções de como o mercado empresarial funciona. Isto sem contar que deveremos conhecer um outro idioma (a maior parte da literatura odontológica está em inglês), psicologia (como conhecer seu paciente, seus medos suas angústias, noções sobre estresse, etc.); tudo isso para que nos tornemos um profissional conhecido e uma empresa de boa reputação.

Você sabia que um cliente/paciente mal atendido e insatisfeito comenta sobre isso com 22 pessoas e, se for bem atendido e ficar satisfeito, com apenas 8 pessoas? Lembre-se, que agora, existe um Código de Defesa do Consumidor, o que aumenta o nosso grau de responsabilidade sobre os serviços que oferecemos e os resultados alcançados.

E como uma empresa funciona? Basicamente, trocando. Trocando bens e serviços por remuneração. O mesmo que acontece quando você vai à feira ou ao supermercado: você troca um bem ou serviço por dinheiro.

E para você ter mais dinheiro e ter lucro, você precisa vender duas coisas: você mesmo e seu produto, sem esquecer que o mercado é feito apenas de pessoas que necessitam algo e que estão dispostas a pagar para ter este algo.

Dentista – Profissional autônomo

A grande maioria dos dentistas trabalha por conta própria, prestando serviços em seu próprio consultório ou no de colegas. E, para que você seja remunerado pela sua prestação de serviços, você precisa ter clientes, pessoas que terão suas demandas atendidas e que pagarão por isso. E ter clientes é algo que se torna cada vez mais difícil por causa da concorrência.

Vejo, atualmente, um número muito grande de colegas se queixando da diminuição de seu número de clientes à medida que os anos vão passando. As razões são várias e conhecidas: convênios, cada vez mais dentistas no mercado (concorrência acirrada), infidelidade (existe cartão fidelidade para profissionais liberais?), preço, etc.

A verdade é que ninguém nos ensinou a lidar com estas coisas. Em resumo, tivemos e temos que aprender estas coisas “na marra”.

Esta troca (prestação de serviços X remuneração) está se tornando um processo cada vez mais complexo em função daquilo que já mencionamos aliado a consumidores (contratantes de serviços) cada vez mais exigentes.

Hoje as pessoas tem a seu favor, além das informações da mídia, os sites de busca. É comum seus clientes chegarem ao seu consultório com todas as informações sobre aquilo que ele precisa. E ai de você se não estiver preparado…

É aqui que entra o “saber se vender”. Você sabe “se vender”?

Para isso você vai precisar, basicamente, desenvolver três coisas:

  • saber fazer algo útil para os outros;
  • gostar de ajudar os outros; e,
  • saber falar

Estas três condições são essenciais para habilitar a maioria dos profissionais a vender os seus serviços. E aqui se incluem os consultores, freelancers, aqueles que estão em busca de uma nova colocação e os profissionais autônomos, independentes e liberais, categoria onde nos encontramos.

E você sabe o que é serviço? Para Minarelli, “serviço é qualquer atividade humana realizada com o objetivo de atender a necessidades e demandas. Prestar serviço é servir, fazer algo para quem precisa. Requer relação direta entre quem oferece a solução e quem tem a demanda. Sobretudo quando se trata da prestação de serviço de um profissional autônomo”.

E aqui entra a terceira condição. Você, como pessoa, estará lidando diretamente com outras pessoas, ou seja, você estará se relacionando diretamente com elas. E se você não souber falar… e neste “falar” se incluem o saber ouvir (escuta empática), seu conhecimento técnico, ser ético, ser simpático, saber usar seu poder de persuasão e, acima de tudo, saber negociar. Tudo isso, não esqueça, são características pessoais e individuais.

Lembre sempre: o que gera uma prestação de sérvio são as necessidades das pessoas, do outro. E ele só se disporá a pagar pelo seu serviço somente ao perceber que você é digno de sua confiança, que você mostrou competência técnica e pelo seu comportamento.

Aliás, falando em competência, quero dar o meu testemunho. Quando ministro palestras onde este tema é abordado, geralmente pergunto a um dos participantes:

– Você se acha competente?

A grande maioria responde:

– Sim, acho que sou.

Então, pergunto:

– Você sabe o que é competência?

Aí seguem uma série de comentários, definições “eu acho que é…”, e por aí vai. Então, falo:

– Competência é aquilo que achamos que possuímos, mas que só é avaliada e pelo outro.

Não adianta eu me achar competente, pois será o outro que vai avaliá-la.

Se você mostrou competência ao atender às necessidades do seu cliente, e ele ficou satisfeito, certamente esta imagem de profissional competente fará com que ele indique seu nome e seus serviços para os amigos, vizinhos e parentes.

Este cliente acaba se tornando o seu “cartão de visitas”.

E para você se tornar cada vez mais competente, você precisa investir mais em você (como prestador de serviços) e na sua empresa (seu local de trabalho).

O problema é: como ter o dinheiro necessário para fazer estes investimentos? Simples. Do lucro que seu negócio está lhe proporcionando.

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Lucro e qualidade de vida – Parte 1
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Últimos Comentários

  1. Neuza

    Olá Dr. Fava

    Empreendedorismo deveria ser uma disciplina curricular em todas as graduações.
    Abraços

  2. jose vila nova

    Acredito q avançamos um pouco pois aqui no NE. Meu filho está no ensino medio e ja tem cadeira de empreendedorismo. um abç.

  3. Luiz Roberto Fava

    Prezado Jose,
    Fico feliz com esta informação, ainda mais sendo no ensino médio.
    Sem dúvida, um avanço. Mas acredito que, aos poucos, a coisa tende a se tornar melhor.
    Grato pelo seu comentário.
    Abraços,
    Fava

  4. Luiz Roberto Fava

    Prezado Carlos Roberto,
    Uma das razões do nosso viver é aprender continuamente.
    Seja através das experiências e vivências dos outros, seja na marra ou dando com a cabeça na parede.
    Felizes os que possuem este tipo de consciência, pois são aqueles que terão sucesso nas suas escolhas.
    Espero que seu negócio e que seu espírito empreendedor lhe traga muito suce$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$o.
    Grato por sua participação.
    Luiz Roberto Fava

  5. CARLOS ALBERTO BENAGLIA

    Caro Luiz Roberto,
    Muito bom tocar no tema do empreendedorismo com seriedade, principalmente no Brasil onde a campo imenso para quem quer progredir.
    A minha opiniao e que ya se nasce empreendedor e se for competente consegue tornar um negocio competitivo e lucrativo.
    Um abraço

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