Lucro e qualidade de vida – Parte 2 Artigos, Empreendedorismo, Qualidade de Vida

Sem entrar no mérito das várias definições de contabilistas e economistas, lucro é a parcela excedente das receitas obtidas com a prestação dos serviços ou venda de mercadorias e os custos necessários para obtê-las.

Exemplo simples e básico: se uma mercadoria foi comprada por R$ 150,00 e vendida por R$ 180,00, o lucro foi de R$ 30,00.

É claro que para manter uma empresa vários outros custos tem que ser levados em consideração: empregados, impostos, luz, água, telefone, mobiliário, equipamentos e sua depreciação,  computadores, etc. Coisas que fogem totalmente do âmbito deste texto.

A ênfase deste texto é como o lucro da minha atividade impacta minha qualidade de vida..

Para isso, devemos ter pleno conhecimento das nossas oito áreas, as quais devemos conhecer e cuidar. São elas:

  • área física;
  • área emocional;
  • área intelectual;
  • área financeira;
  • área profissional;
  • área do lazer;
  • área dos relacionamentos (incluindo a família); e,
  • área espiritual

Para que tenhamos qualidade de vida, necessitamos achar o ponto de equilíbrio entre estas oito áreas. É como se fosse aquela malabarista que consegue equilibrar oito pratos girando em cima de oito varetas.

Apenas dois exemplos: de que adianta você comprar um imóvel em um local bucólico, onde você possa acordar ouvindo os pássaros, respirar ar mais puro, e continuar sendo um estressado crônico? Ou de que adianta você ficar trabalhando até tarde e não ter tempo para seus filhos, seu cônjuge ou seus amigos?

Ao examinar estas oito áreas, precisamos desenvolver um autoconhecimento muito aguçado para percebermos onde deveremos investir o lucro do meu trabalho com o intuito de melhorar minha qualidade de vida.

Veja quais são as suas necessidades mais prementes. Não vou entrar neste mérito, mas se você quiser saber mais sobre as necessidades humanas, aconselho que conheça a pirâmide das necessidades humanas, do psicólogo americano Abraham Maslow.

Cito abaixo alguns, e somente alguns, exemplos e soluções aplicadas a cada área:

  • área física: academia, personal trainner, prática esportiva;
  • área emocional: ajuda psicológica;
  • área intelectual: cursos, treinamentos, livros
  • área financeira: gestão financeira, investimentos variados
  • área profissional: estágios práticos com outros profissionais, investir na melhoria dos serviços prestados (novos equipamentos, pessoal auxiliar);
  • área do lazer: aprender artesanato, fotografia, teatro, artes circenses, jarinagem
  • área dos relacionamentos: novas amizades, filhos, convivência familiar, saber aproveitar encontros com todos os tipos de pessoas
  • área espiritual: desenvolver o sentimento que não estamos sós (vivemos em interdependência), que fazemos parte de um Universo (uni, um), desenvolver o espírito de solidariedade ajudando a quem precisa (filantropia, voluntariado)

Para finalizar, quero fazer algumas colocações baseadas nas palavras de Rhandy Di Stéfano:

1º – o dinheiro que se ganha é muito mais uma questão de negociação do que de justiça.

Certamente você vai se lembrar de Julia Roberts e Richard Gere no filme Pretty Woman. Ao final da negociação, onde ela consegue que ele lhe pague 2 mil dólares, ela confessa:

– Eu teria feito por mil.

Ao que ele responde:

– Eu teria pago até 4 mil.

Se alguém estiver disposto a lhe pagar menos do que você acha que vale o seu serviço, e você aceita, não vá reclamar depois. Você aceitou.

Em qualquer ocasião, aquele que lucra pouco é porque não negociou bem.

2º – o meu preço

Tenha sempre em mente que, na vida, você não recebe o que merece e sim o que você negocia.

Lucra mais quem negocia melhor.

O seu preço, o preço dos seus serviços, é você quem estabelece. É caro ou barato?

Se o seu preço for muito acima dos preços praticados pelo mercado e você não tiver uma boa razão para cobrá-lo, talvez você terá poucos clientes.

Mas, em qualquer mercado, existem variações que abrangem uma série de fatores; nada que um bom curso de marketing não elucide.

3º – a coragem de cobrar

Tenha a consciência que se você sabe qual é o preço justo pelo serviço que você presta, cobre-o sem hesitação.

Lembre-se que o lucro auferido é fruto da negociação que você desenvolve com o seu cliente.

Muitos profissionais competentes não sabem negociar (você se lembra? Não aprendemos isso na faculdade) e tem medo de pedir o que acham que valem os seus serviços. Pedem pouco, recebem o combinado e depois ficam reclamando.

Se você negocia por pouco, o cliente não vai valorizar o seu trabalho e, talvez, não volte, pois não o verá como um profissional qualificado. Ou, o cliente se aproveita do preço baixo e vai lhe dar tanto trabalho durante o tratamento que, no final do mês, você poderá estar arrependido de ter pedido pouco para trabalhar tanto e reclamar que a vida não é justa.

Pergunto: é a vida que não é justa ou é você que não soube estabelecer o seu preço e negociá-lo?

Aprenda que para ter lucro e melhorar sua qualidade de vida você terá que trabalhar com inteligência e com eficiência. Não é o seu suor que lhe traz dinheiro, mas eficiência e inteligência.

Trabalhar de maneira inteligente significa observar o que você faz e descobrir maneiras eficazes para realizar o seu trabalho.

O trabalho é um negócio (negação do ócio) que deve ser feito com prazer e alegria para que você tenha mais abundância em todas as oito áreas da sua vida. E, ao equilibrá-las, certamente sua qualidade de vida será muuuuuuuuuuuuuuuito melhor.

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Lucro e qualidade de vida – Parte 2
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Últimos Comentários

  1. Flavia

    Caro Dr Fava, que maravilha de artigo….
    Será que vc podia escrever sobre, como começar meu negócio ( consultório odontológico).

    Neste mercado saturado, mesmo com especializacao e um pouco de experiencia(8 anos fazendo endo em consultórios de colegas e prefeitura) da um frio na barriga em abrir o meu.

    Será que o senhor poderia me dar umas dicas?

    Grata.
    Flávia

  2. Juliana

    Caro Dr Fava

    Gostei muito do seu artigo, mostra o quanto muitos não valorizam o trabalho… incluindo eu.
    Tenho um consultório tem 14 anos, clientela boa mas não consigo ter lucro. Trabalho praticamente para pagar contas…
    O senhor poderia me dar alguma orientação sobre o que poderia estar acontecendo? Estou chegando em um ponto de desistir.
    Desde já agradeço,
    Atenciosamente,
    Juliana

  3. Luiz Roberto Fava

    Juliana, o que posso lhe aconselhar é fazer um curso sobre administração do consultório.
    É você tratar seu consultório como uma empresa e sua prestação de serviços como um negócio.
    Vou lhe dar um exemplo: se você for a um restaurante cujo dono seja o seu pai ou seu irmão, será que eles não iriam cobrar de você? Caso eles ajam assim, tenha a certeza que o negócio vai naufragar.
    Neste tipo de curso se aprende o que é custo fixo, custo variável, achar o valor da sua hora clínica, etc.
    Com base nestes dados você vai estabelecer o seu preço/hora.
    Isto é, quantas horas preciso trabalhar para pagar as despesas fixas e variáveis, sabendo que minha hora custa X.
    A partir daí acrescente uma porcentagem (que varia de acordo com vários fatores) e chegará a um preço final.
    E não tenha medo ou vergonha de cobrar. Aí você vai começar a ter lucro.
    Espero ter lhe ajudado. Mas não desista se este for o seu ideal.
    Grato por sua participação.
    Abraços,
    Luiz Roberto Fava

  4. Fabiana

    Muito interessante a forma como coloca. O que acontece com alguns empresários que cuidam de seus negócios como se fossem o quintal de suas casas. Outros na coragem abrem grande lojas, comercio, estabelecimento de saúde e dão certo, mas não possuem conhecimento administrativo para torná-lo um empreendimento de grande sucesso, outros porém tem conhecimento mas não tem ousadia e nem tão pouco tentam investir em um tipo de emprego provisório de 6 meses que envolva a parte de organização e sistemática de uma empresa. Administrar é isso, ver além, ver oportunidades, onde e quando investir, estudar o campo em questão e muito importante quanto cobrará do seu cliente e como justificar. Não sei se estou errrada, mas sempre tento analisar valor cobrado pelo valor salarial base da cidade, por exemplo: a minha cidade tem industria, banco, prefeitura – base salarial é o mínimo. Atraves disso faço uma média. O que acha Dr.Fava. Obrigada adorei seu artigo…

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