NOMOFOBIA Artigos, Qualidade de Vida

nomofobia

Quero iniciar este texto reproduzindo um dado, até certo ponto, estarrecedor: a União Internacional de Telecomunicações (UTI) divulgou um estudo onde, até o final de 2014, o mundo terá cerca de 7 bilhões de linhas de celulares ativas, igualando o número de habitantes do planeta onde vivemos.

No Brasil, até setembro de 2011, segundo dados da Anatel, o número de aparelhos celulares já ultrapassava o número de habitantes, chegando a 227 milhões de aparelhos.

Sem dúvida alguma, os aparelhos de telefonia móvel estão cada vez mais aperfeiçoados e fazendo com que as pessoas se conectem a qualquer hora e em qualquer lugar para não apenas receber e transmitir mensagens, mas também para seu próprio lazer, como assistir vídeos, ler e-books ou se divertir com jogos eletrônicos.

A verdade é que o aparelho celular, aliado à internet, tem causado uma mudança radical na comunicação entre as pessoas, além de conferir ao seu possuidor um status econômico e social.

Este é o lado bom. Mas, como em tudo na Vida existe dualidade, aqui também existe um lado ruim; talvez, muito ruim.

O emprego de aparelhos celulares permite que se fique conectado por todas as horas dodia. E isto está causando uma dependência que se assemelha ao tabagismo, ao alcoolismo, à cleptomania e ao uso de drogas ilícitas; uma dependência tão nociva que acaba alterando o comportamento de sues usuários.

Este novo “vício” é mais um distúrbio causado pela modernidade, como a doença da pressa ou a síndrome do pensamento acelerado. Seu nome é NOMOFOBIA.

A nomofobia nada mais é do que o medo de ficar sem o celular e se sentir inconectável, seja por ter esquecido o aparelho em casa, ficar sem créditos, com a bateria prestes a acabar ou estar fora da área de cobertura.

A palavra nomofobia tem sua origem na expressão inglesa no mobile phobia ou no mobile phone phobia e foi inicialmente observada na Inglaterra e vem se adicionar aos distúrbios da ansiedade gerados pelo estresse da vida moderna.

A associação da telefonia móvel com o uso ilimitado da internet fez com que esse “vício” se alastrasse pelo mundo todo.

Pesquisas tem demonstrado que a faixa etária mais jovem, especificamente entre 18 e 24 anos, é a que apresenta os maiores índices desta dependência. Algumas mostram ser impossível ficar sem se conectar por um período de, apenas, um dia. Outras mostram que as pessoas se mantem conectadas até no banheiro enquanto fazem suas necessidades básicas.

O estudo realizado pela empresa YouGov para o Departamento de Telefonia dos Correios Britânicos, em 2008, e que envolveu mais de 2000 adultos no Reino Unido, mostrou que a nomofobia chegou a afetar 53% dos usuários, independentemente do sexo da pessoa.

Os principais sinais da nomofobia são:

  • a incapacidade de desligar o telefone;
  • a verificação obsessiva de chamadas perdidas, e-mails e textos;
  • ser incapaz de aumentar a vida da bateria; e,
  • ser incapaz de ficar sem o aparelho, até mesmo para ir ao banheiro.

Os principais sintomas físicos associados à nomofobia são:

  • tremor;
  • suor excessivo;
  • falta de ar;
  • vertigem;
  • náuseas;
  • dor de cabeça;
  • sensação de nudez.

Com relação aos sintomas mentais, os nomofóbicos são pessoas impacientes e impulsivas e onde a ansiedade pode gerar fobias sociais, síndrome do pânico e até depressão. Ainda podem se sentir rejeitados e frustrados quando ninguém lhes telefona ou quando seus amigos recebem mais ligações que eles.

Outra consequência grave diz respeito aos relacionamentos.

O uso constante do binômio celeular+internet pode acabar distanciando o convívio entre as pessoas, diminuindo seu interrelacinamento pessoal e familiar e fazendo com que a pessoa se sinta mais segura vivendo mais no mundo virtual do que no mundo real. E isso pode, indiretamente, leva-la ao isolamento social.

Como em todo vício, existem técnicas para seu tratamento, desde que corretamente diagnosticada. Muitas vezes o acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico é recomendado, sem excluir o papel da família, que é fundamental.

Esta “troca de vida” (mais virtual do que real) não está acontecendo apenas entre os jovens. Os adultos também estão se “viciando” haja vista que muitas coisas também são incorporadas aos aparelhos celulares, como aplicativos, e-mails, orçamentos, agenda, lista de compras, etc.

Concordo que não é fácil se manter “desplugado” quando se faz parte de uma sociedade altamente tecnológica como a dos dias de hoje. Entretanto, o aparelho celular deve ser uma ferramenta que venha em nosso auxílio em todos os aspectos de nossa vida, sejam eles pessoais ou profissionais.

O aparelho de telefonia móvel deve ser o nosso “escravo” e não o oposto, onde as pessoas estão sendo escravizadas por ele.

Para que você não se torne nomofóbico, faça dele algo que facilite a vida, pois o maior problema não está no aparelho em si mas no mau uso que fazemos dele.

Devemos extrair do binômio celular – internet tudo o que de bom ele tem para nos oferecer. Basta que aprendamos a extrair dele aquilo que nos ajude, não o que nos vicie.

E você, caro leitor ou leitora, como anda a sua relação entre você e seu celular?    Pense sobre isso para viver melhor consigo mesmo (a).

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

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Últimos Comentários

  1. Gisela Filipe

    Sem comentários…. artigo maravilhoso..e também sou adepta ao alerta deste vício. Estamos perdendo o convívio, o diálogo….o VIVER….

    1. Luiz Roberto Fava

      Gisela, às vezes fico pensando como será a geração Z em termos do emprego da tecnologia.
      Grato pelo seu comentário.

  2. Adolfo Pereira

    Excelente artigo Professor Luiz Roberto Fava. Muito útil e atual. Parabéns!! Prof. Adolfo Pereira

  3. Antonio Trevia

    Excelente artigo.
    Já me cobrava pelo “apego” ao aparelho nas facilidades que ele nos proporciona, ainda mais agora.
    Valeu e parabéns Dr. Fava.

    1. Luiz Roberto Fava

      Antônio Lemos, primeiro reconhecer o problema. Depois tentar se autocurar e, se não der resultado, buscar ajuda psicológica ou psiquiátrica. Abordo isto no texto.

  4. Luiz Roberto Fava

    Fabio, faça bom uso de todas elas. E se tiver alguma outra e que possa ser útil para todos nós, por favor, compartilhe conosco. Abraços

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