A alma é o segredo da produtividade: Autoconhecimento – A base de tudo Artigos, Produtividade

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Se existe um termo que, para mim, está muito banalizado, este termo é “qualidade de vida”.

Veja a quantidade de imóveis que estão sendo construídos em locais paradisíacos, programas televisivos vendendo toda sorte de aparelhos e equipamentos, número crescente de cirurgias plásticas estéticas, a quantidade de remédios e complementos para ter um corpo “bombado”, fazer a dieta “da lua cheia no meio do oceano Pacífico”, viajar para lugares aprazíveis, comprar o carro X modelo Y, etc. Tudo isso e muito mais sob o rótulo  “mais qualidade de vida”.

Concordo plenamente que as pessoas queiram para si o que há de melhor, que elas busquem melhorias para suas vidas, pois, como sabemos, e a ciência bem o demonstra, estamos vivendo por mais tempo.

Mas será que estamos preparados para isso?

Ogata & de Marchi (1) afirmam que “saúde, qualidade de vida e bem-estar não se resumem somente a ter pressão arterial controlada, bons níveis de colesterol no sangue ou à realização periódica de check-ups.”

Por isso prefiro o termo Qualidade de Vida Integral por ser, didaticamente, mais abrangente e por fornecer uma visão mais inteira, total, completa e global do Ser Humano.

Um Ser Humano Integral não é composto apenas de um corpo. Ele é muito maior e mais completo. Por isso ele carrega, durante toda a sua existência, oito áreas ou oito diferentes aspectos, descritos abaixo de uma forma bem didática e compreensível:

  • físico;
  • emocional;
  • intelectual;
  • profissional;
  • financeiro;
  • lazer;
  • relacionamentos (inclui a família); e,
  • espiritual.

Muitas vezes estas oito áreas são agrupadas. De uma forma simplista, são agrupadas em corpo, mente e espírito.

Já Ogata & de Marchi (1) preferem agrupá-las em:

  • aspectos físicos;
  • aspectos mentais;
  • aspectos sociais; e,
  • aspectos espirituais.

Covey (2) prefere assim descrevê-las:

  • corpo (viver/sobreviver);
  • mente (aprender – crescimento/desenvolvimento);
  • coração (amar – relacionamentos); e,
  • espírito (deixar um legado – significado e contribuição)

Cada Ser Humano Integral é, pois, um indivíduo, indivisível, único e, deste fato, ele necessita ser consciente.

Aqui cabe lembrar o episódio da torre de Babel, descrito na Bíblia.

Nele, os filhos de Adão, tiveram como objetivo construir uma cidade com uma torre tão alta que atingisse o céu, com a finalidade de impor uma única política e uma única religião, acabando com qualquer multiplicidade destes aspectos.

Mas o Senhor não concordou com isso e, como castigo, confundiu de tal maneira sua língua que eles passaram a não se entender, dando fim àquele projeto e valorizando a diversidade que se iniciava.

Acreditar que somos todos iguais é incorrer em um grande erro. A começar pelo fato que cada um de nós possui uma impressão digital, que é única. A probabilidade de haver duas impressões digitais iguais é praticamente nula.

Por isso somos únicos e indivisíveis. Somos indivíduos. Poderá haver seres humanos parecidos, mas não iguais.

Entretanto, existem outros fatores que nos tornam únicos.

A partir do nascimento, e à medida que crescemos e nos desenvolvemos, vamos sofrendo a ação do ambiente onde estamos inseridos.

Neste ambiente encontram-se o lar (pais, irmãos, parentes), a escola (professores, colegas), as relações sociais, os amigos e tudo o mais que contribui para que desenvolvamos nossos princípios, nossas crenças, nossos valores, nossa maneira de pensar, nossa personalidade, etc. É neste ambiente que passamos a ter uma história e que dela também fazem parte nosso temperamento, nossas características pessoais, nossos hábitos, nosso padrão de comportamento, etc.

Para que você possa perceber a influência que o ambiente tem sobre você, responda sinceramente: você se considera a mesma pessoa de 10 anos atrás? Certamente a resposta será um sonoro NÃO.

Por isso somos diferentes uns dos outros. E isto sem levar em conta outros fatores como nacionalidade, sexo ou religião.

Quando todas as oito áreas entram em equilíbrio, atingimos o estado de Qualidade de Vida Integral.

Dou-lhes um exemplo. Estresse é sinônimo de alterações que ocorrem na área emocional e que podem se traduzir por doenças na área física.

Certamente você conhece alguém que desenvolveu uma gastrite de fundo emocional ou nervoso e que foi ao médico em busca de tratamento. Após fechar o diagnóstico, provavelmente ele irá receitar algum medicamento para combatê-la. Entretanto, tal medicação estará combatendo apenas o efeito, e não a causa.

Se a causa não for combatida, e a pessoa continuar estressada, ela ficará tomando aquela medicação sem necessidade.

Outro exemplo: de que adianta frequentar uma academia, malhar cinco vezes por semana e continuar fumando?

Mas vou um pouco mais longe. Além de pertencemos ao ambiente onde vivemos, também estamos conectados a um Universo, ao qual também estamos conectados. É nele que vivemos (em um de seus pequenos corpos, o planeta Terra) e para aqui viemos com o intuito de cumprir nossa missão. Quer queiramos, quer não, a ele também estamos conectados e integrados.

Se não tivermos consciência também deste fato, nossa vida será apenas uma rotina destituída de qualquer significado.

Concordo que, muitas vezes, não conseguimos estabelecer o equilíbrio necessário entre todas as áreas. Sentimentos de tristeza, medo e ansiedade advindos de várias fontes, como morte de um ente querido, uma separação conjugal, perda de emprego, um acidente que deixa a pessoa deficiente, uma reviravolta financeira, podem ser a razão para que haja tal desequilíbrio. Entretanto, se tivermos a consciência da existência e da importância de equilibrarmos todas as áreas, certamente faremos de tudo para que isto ocorra.

Qualidade de Vida Integral não é um objetivo que tem data e hora para acontecer. É, isto sim, um processo que ocorre durante toda a nossa existência, alternando coisas boas e coisas ruins, mudanças e transformações. Mas é justamente esta alternância que nos faz aprender, evoluir, fortalece r crescer como Seres Humanos Integrais.

Livre arbítrio – Para escolher e mudar

Ao se falar em mudança e querer mudar, começamos a exercer o nosso maior dom: o livre arbítrio. E o único representante da natureza que possui este dom é o Homem.

O livre arbítrio, o poder de escolha de nossas ações e decisões, é que determina a força e o valor dos resultados a serem alcançados.

Fazemos escolhas desde o momento que acordamos até o momento de irmos dormir. Escolhemos a roupa que vamos usar, se vamos almoçar em casa ou em um restaurante, se vamos ao cinema ou ao teatro, etc.

Dwight D. Eisenhower (3) afirmava que: a história do homem nunca é escrita pela sorte, mas pela escolha – a escolha dele.

O que determina nossas ações são nossas escolhas e, consequentemente, o rumo que damos às nossas vidas.

Stephen Covey (2) afirma: essa capacidade de escolha significa que NÃO somos apenas um produto do nosso passado ou de nossos genes; NÃO somos o resultado do tratamento que recebemos de outras pessoas. Sem dúvida, elas nos influenciam, mas elas NÃO nos determinam. Nós nos determinamos por meio de nossas escolhas.

É claro que, muitas vezes, a escolha pode ser errada: casei-me com a pessoa errada, fiz um curso que não me agregou nada, comprei o carro errado, etc. Por isso o exercício do livre arbítrio só deve acontecer quando se conhece todas as possibilidades que, depois de analisadas, levarão à escolha que queremos. E isso é totalmente individual.

O que é certo para uns pode não ser certo para outros.

E, felizmente esta diversidade (de ideias, de cultura, etc.) que faz a humanidade caminhar em busca de novos horizontes sempre considerando as mudanças que estão constantemente ocorrendo.

Você já imaginou se fosse tudo igual? Apenas uma cor, apenas um time de futebol, apenas uma religião… A vida seria de uma mesmice de dar dó.

Através da diversidade temos oportunidades de aprender cada vez mais, de mudar, de crescer e de nos desenvolvermos. Portanto, saudemos a diversidade. Graças a ela podemos exercer a escolha de mudar para melhor. Sempre.

Talvez a grande diversão da Vida seja a diversidade.

Quanto mais nos autoconhecemos, maior o uso do nosso libre arbítrio. E onde existe esta consciência e esta vivência do nosso poder de escolha, raramente existirá o medo de mudanças.

A partir do momento que você tem esta consciência, você passa a ser dono de sua própria vida e dono de si mesmo. E poderá, frente às adversidades, escolher ser vítima ou protagonista.

Quando a pessoa escolhe ser vítima, ela culpa o outro, o governo, o tempo, Deus…; se não dá certo, não tem nada a ver com aquilo; o outro é que tem que mudar, etc.

Tais pessoas sofrem da “síndrome de Gabriela” (eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim), versos da famosa canção Modinha para Gabriela, de Dorival Caymmi e interpretada por Gal Costa.

Ser vítima é viver na mediocridade. E mediocridade não faz história, como afirma Zem (4).

Já os protagonistas sentem-se como uma fênix, a ave mitológica que renascia das próprias cinzas. São aquelas pessoas que se “suicidam” durante o sono para “renascerem” melhor no dia seguinte.

O poder de escolher, o uso consciente do nosso livre arbítrio, é o combustível para termos atitude no sentir, no pensar e no agir. É este poder que nos faz decidir qual atitude tomar frente a qualquer estímulo, a qualquer problema ou a qualquer situação.

Covey (2) afirma que entre o estímulo e a resposta existe um espaço onde reside a liberdade e a capacidade de escolher a resposta.

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Na figura acima estão as pessoas que, em função de suas influências genéticas e ambientais, são mais reativas e impulsivas. Se este tipo de pessoa é xingada ou caluniada, poderá reagir instintivamente e partir para uma discussão acalorada ou mesmo para uma agressão física.

O espaço entre o estímulo e a resposta é muito pequeno.

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Nesta outra figura estão as pessoas que usam conscientemente este espaço, ou seja, pensam antes de emitir uma resposta. São as pessoas que, mesmo diante de grandes problemas, usam sua liberdade de escolha de forma positiva para enfrentá-los.

Volto ao exemplo anterior. Se a pessoa deste naipe for xingada ou caluniada, ela vai respirar profundamente, contar até dez, deixar a raiva inicial passar, pensar e escolher a melhor resposta. Se esta resposta for uma discussão acalorada ou uma agressão física, esta resposta foi tomada de forma consciente.

Aumentar ou diminuir este espaço também é uma escolha, assim como não se ter resposta alguma a um estímulo também o é.

Mas o mais importante é o fato que, quanto mais nos autoconhecemos, mais podemos aumentar este espaço e acabar descobrindo que o nosso potencial é muito maior do que imaginávamos. Desta forma, mais podemos mudar e caminhar rumo ao equilíbrio das oito áreas.

Exemplos não faltam. Pessoas que perderam tudo e recomeçaram do zero. Pessoas que venceram uma doença grave ou um câncer. Pessoas que perderam um membro e se tornaram para-atletas. Para estas pessoas, o espaço representado pela liberdade de escolha, se era pequeno, foi ampliado; e, se era amplo, ficou mais amplo ainda.

Kelly Young (5) afirma que “o problema não é o problema. O problema é nossa atitude diante do problema”. Podemos escolher entre uma atitude de enfrentamento ou ter uma atitude inversa, ignorando-o ou deixando que ele acabe por nos consumir física e mentalmente.

No primeiro caso as pessoas controlam suas atitudes, são mais otimistas e veem as crises e adversidades como novas oportunidades. São pessoas que não fazem parte do problema, e sim da sua solução.

No segundo caso, as pessoas são controladas pelas suas atitudes. Frente às crises e adversidades, elas se deixam abater, não acreditam que são capazes, são fatalistas, creem que tem carma negativo e, quando algo de bom acontece, acreditam que seja algo passageiro e que coisas ruins e terríveis ainda estão por vir.

Em suma, quanto mais nos autoconhecemos, mais podemos aumentar aquele espaço. E, assim, mais poderemos mudar, mais poderemos nos transformar, mais poderemos nos reinventar, mais poderemos perceber que nosso potencial é muito maior e mais poderemos caminhar rumo ao equilíbrio desejado.

Autoconhecimento e livre arbítrio são duas “ferramentas” poderosas e essenciais que determinam nosso estilo de vida. E, quanto mais pleno, total e integral ele for, mais teremos uma Qualidade de Vida Integral.

Fava Consulting – Para viver com muito mais Qualidade

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

A alma é o segredo da produtividade: Autoconhecimento – A base de tudo
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