A alma é o segredo da produtividade: Fazer a diferença Artigos, Produtividade

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Se existe uma frase que virou um jargão corporativo, esta frase é “fazer a diferença”.

Nunca esta frase foi tão pronunciada e tema central de inúmeros artigos por algumas razões:

  • o ambiente corporativo, em sua maior parte, é lógico, racional e numérico;
  • o mundo globalizado é regido por altos índices de produtividade, onde o fazer mais com menos é quase um mantra; e,
  • os profissionais estão cada vez mais estressados e ansiosos.

Assim, fica a pergunta: como se tornar um profissional que faça a diferença nestas circunstâncias?

Consultando o dicionário, vemos que:

  • FAZER, entre vários significados, temos VIR A SER, TORNAR-SE;
  • DIFERENÇA – no nosso caso, CARATER QUE DISTINGUE UM SER DE OUTRO SER.

De uma forma bem simples, fazer a diferença seria tornar-se alguém com características que distinguem um ser de outro.

E, como cada um de nós é um Ser único, indivisível, um indivíduo, um estranho ímpar, qualquer um de nós pode fazer a diferença, desenvolver um diferencial, algo que nos diferencie, que nos faça ser notado no meio da multidão, que nos faça importante aos outros.

Aliás, Cortella ensina que ser importante não é o mesmo que ser famoso.

Para ele, ser importante para alguém é quando este alguém o (a) importa, ou seja, este alguém lhe traz para dentro de si, porque você fez algo que foi importante para este alguém e que o (a) torna inesquecível.

Como no relato abaixo:

Lá pelos anos 60, no estado do Alabama, uma senhora negra estava ao lado de seu carro, no acostamento de uma rodovia. Chovia muito e seu cartro havia tido uma pane e ela necessitava urgentemente de um transporte.

Toda molhada, acenava para os carros que passavam.

Um carro parou e um jovem branco (talvez desconhecendo o racismo existente naquele estado americano nos anos 60) ajudou-a, dando-lhe uma carona.

Ela estava com muita pressa e mal teve tempo de anotar o endereço do jovem e agradecer sua gentileza.

Uma semana depois, bateram à porta da casa do rapaz. Para sua surpresa, um enorme aparelho de televisão colorida lhe foi entregue com o seguinte bilhete:

“Muito obrigada por me ajudar na estrada naquela noite. A chuva não só tinha molhado minhas roupas, mas também meu espírito. Aí você apareceu.

Por sua causa consegui chegar ao leito de morte de meu marido antes que ele viesse a falecer.

Deus o abençoe por ter me ajudado.

Sinceramente,

Sra. Nat King Cole”

Ela importou aquele rapaz, trouxe-o para dentro de si.

Para ela, o rapaz fez a diferença pelo simples fato de ter lhe dado uma carona.

O fato em si poderia ser até irrelevante, não fossem as circunstâncias como ocorreu.

Casos como este estão sempre ocorrendo, independentemente se as pessoas são famosas ou não.

E a História está cheia de exemplos. Desde aquele rapaz do relato acima, passando por pessoas nem tão famosas como Alcino Neto e Beth Nasmith, até as mais famosas como Roberto Marinho, Abraham Lincoln, Ayrton Senna da Silva ou Irmã Dulce, apenas para citar algumas.

Gustavo Boog afirma que “qualquer pessoa pode fazer a diferença. Não é preciso ter talentos especiais. É uma questão de querer isso.”

Quando nos voltamos ao mundo do trabalho, onde sempre estamos ouvindo coisas como maior qualificação, carência de mão-de-obra qualificada, maior gerenciamento do conhecimento, mais produtividade, altos níveis de excelência, o simples FAZER deixou de ser uma competência essencial.

Para FAZER A DIFERENÇA naquilo que fazemos, precisamos ir além. E este além certamente está centrado no binômio mente-coração, tratado no texto anterior, a “área do coração”.

E se caminharmos mais profundamente, vamos perceber que, para fazer a diferença, o autoconhecimento é fundamental.

O “fazer a diferença” começa dentro de cada um de nós, para depois se exteriorizar. É um caminho cuja direção é de mão única, de dentro para fora.

Sem autoconhecimento as coisas de sua vida parecem seguir uma corrida maluca onde, por exemplo, você brinca com seu filho falando ao celular com seu colega de trabalho ou onde você encontra um colega que não vê há tempo e fica tentando, mentalmente, como redigir aquele relatório que “era para ontem”, apenas para citar dois exemplos.

Para estas ocasiões é que existem as palavras PARE e TEMPO.

Primeiramente, respire fundo para acalmar a mente. Encontre tempo para isso. Um tempo somente dedicado a você.

Eu, por exemplo, dedico um tempo a mim mesmo quando saio para caminhar. Com isto alio momentos de paz interior com momentos de exercício para o corpo. Busco saúde física e mental ao mesmo tempo.

Analise suas oito áreas, reveja e analise seus papéis e suas responsabilidades em cada uma delas e, acima de tudo, não se apresse.

Cada área de nosso Ser deve ser profundamente avaliada para que possamos descobrir nossos pontos fortes e nossos pontos fracos. E isto leva tempo.

Nesta viagem interior reavalie suas crenças, seus princípios e seus valores e veja se estão alinhados com suas atitudes. Sem isso, não há como fazer a diferença.

Através do autoconhecimento seremos cada vez mais indivíduos e menos pessoas. Para quem não sabe, pessoa vem do latim persona, que significa máscara. Isto é, uma pessoa se mostra como aquilo que ela não é, seja para agradar o marido, um amigo, seu superior ou, ainda, obter algum tipo de vantagem.

Indivíduos fazem a diferença. Pessoas apenas fazem ou fingem que fazem.

Indivíduos são pessoas autênticas e que no seu sentir-pensar-agir mostram-se verdadeiros e transparentes e se recusam, terminantemente, a formar uma imagem de si próprios baseadas em como eles são vistos pelos outros.

Indivíduos são pessoas que, frente a estímulos, param e pensam antes de responder. Eles têm a consciência do espaço que existe entre o estímulo e a resposta e não o fazem de forma instintiva, intempestiva ou automática.

Indivíduos que fazem a diferença escolhem fazê-lo de forma consciente, aproveitando o fato que ele possui liberdade de escolha.

O poder de fazer escolhas talvez seja o maior dom que Deus deu ao Homem e constitui o “marco zero” para tudo que iremos fazer NA e DA nossa VIDA.

Keith Harrel afirma: “o problema é que, com frequência, esquecemos que podemos escolher e que as escolhas são um segredo para chegar à grandeza da vida – exercer o poder de escolher que atitude tomar e de que maneira abordar as dificuldades que surgem […] Os caminhos que trilhamos em nossas vidas são determinados, em grande parte, pelas escolhas que fazemos.”

Perceba a importância disso no diálogo entre um aprendiz e seu mestre.

“Zona de desconforto” 

Muitos já ouviram que, para fazer a diferença, é necessário sair da zona de conforto e transformá-la em “zona de desconforto”.

Quando você escolhe este caminho, existem algumas palavras relacionadas a esta mudança:

  • movimento

Quem fica parado é poste e quem não age fica sempre no mesmo lugar.

Quem escolhe fazer a diferença tem sempre como lema agir para evoluir, isto é, aprimorar e/ou desenvolver novas competências, tirando o imobilismo de sua vida.

  • tempo

Ter a consciência de que o tempo não para. E que para agir, a hora é agora, sem procrastinação, sem adiamentos, sem “empurrar com a barriga”.

  • ver além

Para ver além, certamente você precisará mudar. Se você continuar vendo o NOVO com os mesmos olhos do passado, você só continuará a ver o mesmo.

Veja as figuras abaixo. Você se lembra delas? Quanto tempo você não gastou brincando com o “jogo dos sete erros” ou com “onde está Wally”?

Se você ficava apenas vendo as figuras, nada acontecia. Mas se você se propunha a resolver a questão você tinha que ver além.

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  •  dinamismo

O inverso do comodismo.

Quem faz a diferença nunca se acomoda e sempre procura novos desafios.

À medida que seus objetivos são alcançados, outros entram na lista.

E não fique vivendo em função do sucesso alcançado. Amanhã novos e melhores produtos serão desenvolvidos por outros indivíduos e o seu sucesso…, só você vai ficar se lembrando dele. Ninguém mais.

Fazer as coisas acontecerem 

Para fazer a diferença e se tornar importante (e não famoso) e inesquecível, certamente você fez algo a alguém, você contribuiu com alguma coisa para ser lembrado por uma, duas ou um grupo de pessoas.

Veja os exemplos de Gandhi, Madre Tereza de Calcutá, Mandela e outros tantos que se tornaram lembrados por aquilo que fizeram em prol das pessoas.

É este tipo de pessoas que faz as coisas acontecerem.

Aliás, Diniz cita que existem cinco tipos de pessoas:

  • as que fazem as coisas acontecerem;
  • as que acham que fazem as coisas acontecerem;
  • as que observam as coisas acontecerem;
  • as que se surpreendem quando as coisas acontecem; e,
  • as que não sabem o que aconteceu.

Para fazer as coisas acontecerem, você deverá ter muito claro o seu propósito, a sua missão e o significado daquilo que você faz e atingir seu objetivo. Mesmo que, para isso, você tenha que pagar um preço ou fazer sacrifícios durante o tempo que durar sua caminhada.

Comparo isto ao bambu, planta do gênero Bambusa e que atinge vários metros de altura.

Quando se planta um bambu, ele demora anos até germinar, até aparecer na superfície da terra. Enquanto isto não ocorre, suas raízes vão crescendo e se ramificando. Somente quando tudo estiver bem enraizado, a árvore germina na superfície e começa a crescer em altura.

No Oriente, o bambu é tido como símbolo de sabedoria e força. Ele sobrevive aos vendavais por não ser rígido.  A amizade e a lealdade mantêm-se intactas após os piores tufões, quando somos flexíveis e justos. O reconhecimento das pessoas, advém do merecimento e não da imposição.

Por isso, vá trabalhando em prol das pessoas, fazendo seu trabalho da melhor possível com muito foco e concentração, aprendendo sempre, aprimorando seus pontos fortes, gastando suas energias na busca das melhores soluções, não se deixando influenciar pelos “palpiteiros de plantão”, e pessoas negativas, lamentadoras e amarguradas (estacionárias na cadeira), agindo sempre com ética, simplicidade, transparência, humildade e respeito ao próximo, tendo fé em si mesmo, sendo proativo, persistente e resiliente e fazendo tudo de coração, de corpo e alma.

Estas características são apenas algumas entre tantas outras e, desenvolvendo-as,  você certamente fará a diferença e se tornará importante para as pessoas.

Fazer a diferença é isso. É você dar a sua contribuição pessoal para atingir os resultados esperados, independentemente de quais sejam eles e a quem se destinam.

O importante e que nunca deve ser esquecido é que tudo que funciona hoje será obsoleto amanhã e de forma extremamente rápida. Por isso o profissional que faz a diferença nunca se aquieta e está em constante transformação seguindo no mesmo ritmo que o mundo globalizado lhe impõe.

A esse respeito, convém lembrar as palavras de Drucker: “parece haver pouca correlação entre a eficiência de um homem e sua inteligência, sua imaginação ou seu conhecimento. Inteligência, imaginação e conhecimento são recursos essenciais, mas só a eficiência os converte em resultados. Sozinhos, estes recursos apenas estabelecem limites”.

Muito mais poderia ser escrito sobre este tema, mas acredito que já abordei aquilo que acho mais importante e de forma a não deixar o texto longo e a leitura cansativa.

O fato importante a ressaltar é que qualquer um tenha a consciência que pode fazer a diferença em qualquer fase de sua vida, a qualquer tempo e em qualquer lugar. E que aquilo que é importante para uns pode não ser importante para outros.

Quem faz a diferença são aquelas pessoas que, através de suas atitudes, surpreendem quando delas nada é esperado.

As pessoas que foram ou que são importantes nas nossas vidas são aquelas que, ao nos lembrarmos delas, nos fazem sorrir.

Seja você esta pessoa!

Fava Consulting – Para viver com muito mais Qualidade

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

A alma é o segredo da produtividade: Fazer a diferença
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