A alma é o segredo da produtividade: Missão Artigos, Produtividade

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A maior parte do nosso tempo é empregada quando estamos trabalhando. O trabalho faz parte das nossas vidas e, sem ele, acredito que teríamos um vazio, dentro de nós, difícil de ser preenchido.

O grande problema é que existe um universo incontável de pessoas que vive reclamando de sua atividade ou da empresa onde prestam serviços. E, embora ocupados, também sentem este vazio, o que as torna infelizes.

O mundo do trabalho está mudando radicalmente em espaços de tempo muito curtos e, talvez, você ainda não tenha se dado conta disso.

Então eu lhe pergunto: como você está reagindo a um mundo onde a tecnologia e a globalização estão dominando a vida laboral de todos nós e onde as empresas estão em constantes transformações, seja se reestruturando internamente, seja através de processos de fusões e/ou novas aquisições?

O que se percebe é um índice de insatisfação muito grande. Enquanto as empresas reclamam da falta de profissionais qualificados, os colaboradores reclamam que não são valorizados, não são reconhecidos, que seu salário e pouco, que não tem qualidade de vida, e por aí vai.

Concordo plenamente que o dinheiro que recebemos é o que supre as nossas necessidades e nossa sobrevivência.

Mas será que é bom trabalhar, trabalhar, trabalhar e, ao final de alguns anos, perceber que você não saiu do lugar, andou para trás ou não foi a lugar nenhum?

Será que é bom ter um “emprego de grife”, como afirma Marcos Vono, apenas porque ele nos torna especial por trabalharmos em uma empresa listada como uma das melhores?

Será que é melhor ainda trabalharmos para acrescentar o cargo e o nome da empresa ao nosso sobrenome? Algo como: agora eu sou Fulano de Tal, Diretor Jurídico da empresa XYZ.

Não importa como o trabalho é percebido, a realidade é que o índice de felicidade e satisfação no trabalho gira em torno de, em média, 50%. A outra metade… Bem, a outra metade é aquela que vive no “piloto automático”; é aquele que se deixa envolver pela dinâmica do mundo atual e que não pensa, não planeja e não tem domínio sobre seus pensamentos e suas atitudes atuais e futuras.

Infelicidade e insatisfação acabam produzindo, no nosso organismo, algum tipo de estresse negativo com consequências para o corpo e para a mente.

Então, em vez de culpar a empresa, os amigos, o governo, a sogra ou seja lá quem for, olhe um pouco para dentro e você. Talvez você se inclua no rol das pessoas que, nem ao menos, sabe qual é a sua missão.

Tal palavra tem origem no latim mittere, que significa lançar, arremessar, enviar para fora. Daí derivam as palavras míssil (arma de arremesso) e missionário (propagador de ideias).

Ter uma missão é realizar algo sem pensar em benefícios, mas fazer porque tem vontade, prazer, gosto e tesão em benefício dos outros. Jesus, Buda, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela, Martim Luther King, Chico Xavier são exemplos de pessoas que tinham consciência de sua missão e a exerceram de forma integra.

De uma forma bem rudimentar dou-lhes outros exemplos:

  • médico – não apenas salvar vidas, mas prevenir problemas de saúde contribuindo para que se viva bem por um número maior de anos, no que diz respeito à saúde física.
  • psicólogo – não apenas fazer com que as pessoas descubram seus pontos negativos (medos e fobias), mas contribuir para melhorar seu desenvolvimento psicológico e sua saúde mental;
  • professor – não apenas ensinar e promover a educação, mas contribuir para o desenvolvimento intelectual das pessoas;
  • gari – não apenas varrer as ruas mas contribuir para o não acúmulo do lixo, reduzindo a presença de animais (ratos, insetos) que podem transmitir doenças ao ser humano.

Ter uma missão, e exercê-la, é encarar seu trabalho não como algo isolado, mas saber que ele é algo bem maior e que vai além de sua simples realização.

Reflita, agora, um pouco sobre como você tem desempenhado suas funções depois de ler o texto abaixo:

Passando em frente a uma obra, uma pessoa perguntou a um dos pedreiros:

– O que você está fazendo?

– Estou assentando tijolos.

Mais adiante, encontrou um segundo pedreiro, e também perguntou:

O que você está fazendo:

– Estou erguendo uma parede.

Mais adiante, ele repetiu a mesma pergunta a um terceiro pedreiro, que respondeu:

-Estou construindo uma catedral.

Todos faziam a mesma coisa, usavam o mesmo material, recebiam o mesmo salário, trabalhavam o mesmo número de horas mas o terceiro pedreiro foi aquele que já tinha encontrado sua missão. Ele tinha a noção da grandiosidade daquilo que fazia porque aquele local iria abrigar pessoas que iriam orar, pessoas que iriam celebrar, ou simplesmente mergulhar dentro de si mesmas em um local propício para isso.

Assim sendo, você pode:

  • trabalhar em troca de um salário, trabalho este rotineiro e monótono, com um mínimo de comprometimento (e não engajamento) e satisfação:
  • trabalhar e desenvolver uma carreira em busca de sucesso, status e realização que se traduzirá pela materialidade de seus bens: a melhor roupa, o melhor carro, a melhor casa, o melhor, o melhor e o melhor tudo; ou,
  • trabalhar e desenvolver sua carreira, indo além e levando suas ideias adiante para melhorar o bem estar das pessoas e o ambiente onde você se insere.

Descobrir sua missão não é uma tarefa fácil. Descobrir sua missão, obrigatoriamente, levar-lhe-á ao autoconhecimento e o fará buscar respostas para algumas perguntas, tais como:

  • Quem sou eu?
  • Por que estou vivo e o que vim fazer neste planeta?
  • Que tipo de atividade me satisfaz?
  • O que me inspira a fazer o que faço?
  • O que me faz acordar todo dia para desenvolver um trabalho ou ir trabalhar em alguma empresa? Será apenas o reconhecimento profissional, o aprendizado contínuo, ter uma carreira ascendente ou ter recompensas financeiras?
  • O que me diferencia dos outros?

Para mim, missão requer que você conheça profundamente seus valores, pois eles serão o timão, o volante que o guiará na execução da sua missão.

Por exemplo: não adiante nada se um de seus valores for a honestidade se a empresa onde você trabalho maquila seus balanços para mostrar uma realidade financeira inexistente.

Guiado por seus valores você perceberá que exerce sua missão quando:

  • você encontrou sua vocação;
  • o seu fazer não se limita ao simples fazer, mas que, ao fazer, você vai mais além e contribui para algo maior;
  • o seu foco está nos resultados e suas consequências, e não apenas no resultado financeiro;
  • você sabe (agora) porque acorda com o sentimento de “vou trabalhar” e não “tenho que ir trabalhar”;
  • você sente aquele pontapé no traseiro que o leva a agir: você troca a necessidade de trabalhar pela vontade de trabalhar;
  • você não faz mais distinção entre trabalho e diversão.

Aliás, é de François-René de Chateaubriand a seguinte observação:

“Um mestre na arte de viver não faz uma distinção nítida entre trabalho e diversão: trabalho e lazer; mente e corpo; instrução e recreação. Ele dificilmente sabe qual é qual. Simplesmente segue sua visão de excelência em tudo o que está fazendo e deixa os outros determinarem se ele está trabalhando ou se divertindo. Para si mesmo, ele sempre parece estar fazendo as duas coisas.”

Yara Leal afirma que existem alguns mitos em relação à missão:

  • meu trabalho é minha missão.

O trabalho é apenas uma parte dela, visto que a missão deve se manifestar em todas as nossas oito áreas. Do contrário, como iríamos manifestar nossa missão após a aposentadoria?

  • a missão tem que ser grandiosa.

Não necessariamente. Estar por trás apoiando outras pessoas em suas realizações também pode ser uma missão de valor. Cuidar da sua família é uma missão corriqueira, mas nem por isso deixa de ser importante para a sociedade.

  • somente pessoas importantes tem uma missão.

Todos nós, sem exceção, viemos a este mundo para dar uma contribuição à sociedade.

Tais mitos podem ser limitadores para que descubramos e definamos nossa missão. O importante é que, volto a repetir, o autoconhecimento é fundamental para isso.

Para Arthur Diniz, “missão de vida é simplesmente aquilo que precisamos fazer para nos realizarmos como seres humanos completos. É o que nos inspira e motiva a fazer a diferença em cada dia da nossa vida. Realizá-lo faz com que a vida seja completa e feliz.”

E, humoristicamente falando, tenha em conta que missão não é uma missa de longa duração.

Fava Consulting – Para viver com muito mais Qualidade

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

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