A alma é o segredo da produtividade: Propósito e significado Artigos, Produtividade

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Em seu livro mais recente – A NeoEmpresa. O futuro de sua carreira e dos negócios no mundo em reconfiguração (Ed. Integrare, 2012) – Cesar Souza afirma “que estamos dirigindo nossas empresas de olho no espelho retrovisor, guiando-nos, como sugeriu o renomado consultor Gary Hammel, por princípios de Management concebidos por alguns gurus e profissionais nascidos no século XIX, praticados no século XX e que não se ajustam mais ao contexto que vivemos em pleno século XXI.”

E relata alguns sinais do descompasso existente no mundo empresarial:

1º – estratégias brilhantemente arquitetadas que mal conseguem sair do papel e raramente funcionam quando começam a ser implementadas;

2º – clientes insatisfeitos com expectativas frustradas devido à baixa qualidade do atendimento na “hora da verdade”, quando compram ou usam produtos e serviços amplamente anunciados;

3º – pessoas infelizes que não conseguiram desenvolver seu potencial nas empresas e pela falta de significado do dia a dia do trabalho em suas vidas;

4º – parceiros e sócios desconfiados, negociando na base de medos e receios;

5º – acionistas apreensivos pelos riscos que não conseguem antever nem controlar;

6º – comunidades que não aceitam mais de forma passiva o impacto das empresas no seu cotidiano;

7º – empresas engessadas em modelos de governança que não se adaptam aos jovens talentos inquietos que fazem parte da “geração Y”. As empresas insistem nos tradicionais planos de carreira, na surrada ideia da escada com vários degraus até chegar ao topo, enquanto estes jovens tem pressa e preferem subir bem mais rápido. Muitas vezes caem fora, movendo-se em uma velocidade proporcional ao seu talento.

Bem, amigo leitor, amiga leitora, será que você “leu” nas entrelinhas o mesmo que eu “li”? Deu para perceber a quantidade de adjetivos “negativos”, como infelizes, frustrados, insatisfeitos, desconfiados, apreensivos?

Não é à toa que a Organização Mundial da Saúde (OMS) detectou que a depressão e suas consequências é a segunda causa da morte prematura de homens e mulheres na faixa etária de 15 a 44 anos de idade.

E isto acontece apesar de estarmos vivendo por mais tempo, com condições de termos uma saúde melhor (física, mental e espiritual) e uma expectativa de vida que aumenta a cada ano.

Infelizmente o que se constata é que o índice de felicidade no trabalho não é nada bom. A pesquisa da Right Management (2011) mostrou que 49% dos profissionais são infelizes naquilo que fazem, enquanto outra pesquisa publicada no caderno Carreira e Empregos do jornal Folha de São Paulo (23/10/2011) mostrou que a infelicidade no trabalho acontece em 1 de cada 3 profissionais.

Já me referi, em outros textos, a respeito das pessoas-coisa da Era Industrial e das pessoas-robô da Era do Conhecimento e da Informação. Como e de que forma podemos ser felizes no trabalho se deixamos de ser nós mesmos para ser uma coisa ou um robô?

O que está levando as pessoas a se sentirem infelizes são os fatores que tenho abordado nos temas desta série sobre alma e produtividade.

E, hoje, o tema é propósito e significado.

Caso você já tenha percebido qual a sua vocação e qual a sua missão, certamente você já transformou seu trabalho em poiesis. E, mais ainda, você encontrou propósito e significado naquilo que faz.

Enquanto o significado é o sentido, a acepção do que o trabalho traz para a sua vida, o propósito significa a sua intenção, o seu projeto de como trabalhar, porque trabalhar e para quem o trabalho trará benefícios. Significado e propósito nos levam ao objetivo de atingir metas determinadas.

Embora o trabalho tenha uma conotação negativa (castigo, sacrifício, fardo, carga, punição, algo menor), poiesis tem uma conotação positiva (minha obra, aquilo que construo, aquilo em que me vejo, aquilo em que me reconheço, realização, crescimento, criatividade).

Propósito e significado são as “molas-mestras” para que você seja feliz em sua poiesis. Eles fazem que você se supere diária e constantemente e funcionam como um amálgama que faz você colocar todas as suas energias em sua atividade.

E isto só ocorrerá quando vocação, entusiasmo, e aqueles outros fatores relacionados à sua alma, forem conscientes e estiverem integrados, o que será traduzido pelas suas ações.

Quando você tem consciência de que o propósito e o significado representam para o seu Ser, você começa a ter a oportunidade de desenvolver todo o seu potencial. Você terá muito mais vontade de aprender e desenvolver novas habilidades e competências para ir além e saber que você poderá beneficiar, direta ou indiretamente, um grande número de pessoas.

Propósito e significado são, talvez, os maiores “agentes” de nossa automotivação. São “agentes” que justificam nossas atitudes, nossas ações, os “porquês” que agimos desta ou daquela maneira e que acabam dando sentido à nossa existência.

Agora, se você não tem esta consciência desenvolvida, de que seu trabalho é rotineiro, modorrento, monótono e desinteressante, existem cinco sinais (retirado de www.escolhasuavida.com.br/blog/escolhas) que demonstram que você desenvolve sua atividade sem propósito e significado:

1 – você acorda sem energia, ansioso, deprimido, aperta o snooze dez vezes e adia o máximo possível começar o seu dia;

2 – você se pega várias vezes comprando alguma coisa (da qual provavelmente não precisa e cujo preço possivelmente é mais caro do que você desejaria gastar) e pensando: “Ah! Eu mereço me dar este (insira algo supérfluo e ridiculamente caro) porque eu trabalho muito duro.”

3 – Você conta o seu tempo de forma totalmente linear, e a sensação é de que a sua vida acontece de sexta-feira a domingo (se bobear, você usa até roupas diferentes no fim de semana!), ou de férias em férias. Ou seja, você enxerga o tempo como uma linha reta e está sempre esperando um momento futuro para aproveitar a sua vida e ser feliz;

4 – Você olha em volta e sente não pertencer ao ambiente onde você trabalha, não se identifica com os valores da empresa ou das pessoas com quem você passa a maior parte do dia; e,

5 – Você se sente mais feliz e realizado quando está dedicando tempo ao seu hobby ou a alguma outra atividade sua não remunerada como, por exemplo, um trabalho voluntário ou uma coisa com a qual você gosta de ajudar os amigos (por exemplo: cozinhar, organizar a casa, etc.).

Para que você descubra o propósito e o significado que seu trabalho tem em sua vida, você necessita encará-lo como algo maior, algo que, de um lado, fará a diferença na vida das pessoas e que, de outro lado, fará de você alguém reconhecido. Ou seja, na sua poiesis você se reconhece pela sua obra e é reconhecido pelo que faz.

Em pesquisa recente publicada na revista Você S.A. (agosto/2013), e onde foram ouvidos 4270 profissionais para saber quais fatores motivam o brasileiro, o item ter um propósito foi o primeiro da lista (40%), seguido por acreditar nos próprios sonhos (30%), inspirar os colegas (11%), conquistar bens materiais (7%), outros motivos (7%) e deixar um legado (5%).

Bem, e como encontrar um propósito e fazer o que você ama? A Universia Brasil fornece sete dicas, as quais relato abaixo:

1 – Esqueça o prestígio

Não perca tempo se preocupando com a opinião de amigos e familiares. Não procure por prestígio, ele é a opinião do resto do mundo, não a sua. Buscar o prestígio vai te transformar em uma pessoa que não faz o que gosta, e sim o que gostaria de fazer. Ao invés disso, dedique-se a fazer bem aquilo a que se propôs. Se seu trabalho for bem feito, o prestígio virá naturalmente.

2 – Não superestime o sucesso

Não pense que você conhece o significado do sucesso. Na maior parte do tempo, as ideias que nós temos de sucesso não são pensadas por nós mesmos. Você não deve desistir de suas próprias ideias a respeito de sucesso, é claro, mas deve manter em mente que alcançá-lo vai ser consequência do seu trabalho.

3 – Saiba o que você está disposto a fazer

Defina o que você está disposto a fazer para alcançar suas ideias de sucesso e dedique-se para seguir estes pontos. E tente não depender de ninguém para conquistar o seu próprio espaço. Lembre-se de que a melhor maneira de conseguir aprovação é não precisar dela.

4 – Separe trabalho e interesses

Saiba o que você faz porque se interessa e o que você faz porque é necessário. Não deixe de fazer nenhum dos dois e dedique-se totalmente a cada um deles, mas mantenha claro em sua mente qual deles você está fazendo para alcançar os seus objetivos e qual você está fazendo para se satisfazer. Isto vai te ajudar a desenvolver a criatividade e você enxergará melhor as oportunidades de sucesso.

5 – Acredite no que você faz

O trabalho que você escolher vai ocupar uma boa parte da sua vida. Para não se cansar dele e se manter satisfeito com isso, você precisa confiar na sua escolha. O único jeito de fazer um bom trabalho é amar aquilo que você faz e levar seu trabalho a sério.

6 – Valorize os seus parceiros

Você vai construir uma força de trabalho, mas também vai se apegar aos seus parceiros e funcionários. As pessoas que você ajudar agora irão trazer benefícios para você no futuro. Valorize o seu trabalho e as pessoas que o realizam junto com você; faça dos sonhos deles os seus sonhos.

7 – Apaixone-se

Apaixone-se constantemente por aquilo que você pretende fazer pelo resto da sua vida. Procure sempre melhorar as coisas que você não gosta, busque novos desafios dentro daquilo que você propôs a realizar.

Restam, ainda, algumas considerações sobre as empresas e seus gestores.

Gostaria, caro leitor, cara leitora, que você voltasse ao início deste texto e revisasse aquela lista de adjetivos “negativos”.

A partir daí, fica a pergunta: que tipo de empresa eu vou escolher para trabalhar?

Sim, pode parecer esquisito e soar como anormal e diferente, mas, senão hoje, em um futuro próximo, os profissionais, cada vez mais preparados, cada vez mais especializados, é que vão escolher a empresa onde querem prestar serviços, desde que ele já tenha descoberto o propósito e o significado que sua atividade exerce sobre ele.

Por isso, a empresa não dever ser mais vista como um local de trabalho, mas um amplo espaço para o desenvolvimento das pessoas. Ela e seus gestores deverão entender (e vivenciar) que cada componente do seu grupo de colaboradores é um indivíduo único e indivisível, um Ser Humano Integral e, como tal, deverá ser percebido e compreendido em toda a sua totalidade, em todas as suas oito áreas, já mencionadas em textos anteriores.

A empresa do futuro, da Era da Sabedoria, deverá estender sua atuação, desenvolvendo um ambiente onde cada colaborador se sinta “em casa” além de novas competências relativas à gestão, à educação e à transformação.  Se assim não for, continuar-se-á a discutir, ad infinitum, o como atrair e reter talentos.

No seu livro Porque trabalhamos (Ed. Bookman, 2010), os autores Dave e Wendy Ulrich afirmam que a empresa deverá desenvolver algumas ações para ajudar seus colaboradores a descobrir o sentido do trabalho, conforme entrevista à revista Melhor:

1 – Identidade – a ser construída a partir de seus pontos fortes;

2 – Propósito – ter uma percepção de satisfação no trabalho;

3 – Relacionamentos – fazer parte de uma equipe coesa;

4 – Cultura de trabalho – pertencer a um ambiente de trabalho positivo;

5 – O trabalho em si – fazer algo relevante;

6 – Aprendizado e crescimento – que ajude outros a também se desenvolverem; e,

7 – Prazer – ajudar o funcionário a se divertir no trabalho.

No livro Trabalho com significado (Ed. Qualitymark, 2012), os autores afirmam que “no ambiente de trabalho, o significado pode ser traduzido pela percepção que o profissional tem do quanto as atividades que ele desempenha cotidianamente contribuem para os objetivos e as metas da organização, contanto que este objetivos e metas estejam, é claro, alinhadas às suas crenças e aspirações pessoais.”

Possivelmente, em um futuro não muito distante, teremos uma inversão de conceitos.

Se até aqui, os gestores ficam imaginando fórmulas, ações, listas de benefícios e outros que tais para atrair e reter talentos, provavelmente a pergunta de amanhã a ser feita pelo candidato será: o que a empresa tem a me oferecer para que eu me sinta atraído e retido?

Propósito e significado contribuem, sem dúvida, para nos sentirmos felizes com a realização de nossa poiesis.

E como felicidade é um conceito amplo e variável de pessoa para pessoa, ambos, colaborador e empresa, são os únicos responsáveis para a criação de ambientes positivos e onde as pessoas se sentirão felizes em trabalhar. Tal caminho não é de um e nem do outro; é de ambos.

Ao sentirem-se felizes em suas atividades, todos estarão contribuindo para que aqueles adjetivos citados no início deste texto sejam substituídos pelos seus antônimos.

Se o Ser Humano nasceu para ser feliz, sua poiesis deverá ser uma das fontes desta felicidade.

Fava Consulting – Para viver com  muito mais Qualidade

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

A alma é o segredo da produtividade: Propósito e significado
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