A alma é o segredo da produtividade: Vocação Artigos, Produtividade

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Em um texto já publicado – A pessoa talentosa tem que ter C.H.A.P.A. – mencionei que a pessoa que toda corporação deseja deverá ser possuidora de três coisas:

Dom (do latim donun) que significa presente, dádiva. É algo inato, que nasce com a pessoa. É aquele “algo especial” que lhe permite realizar uma determinada tarefa com extrema facilidade. Geralmente é um fato observado mais nas áreas das artes e dos esportes;

Talento – Como habilidade humana é desenvolvida através de treino, determinação, persistência disciplina, obstinação, etc. É pelo talento que aprimoramos nosso dom, tornando-nos capazes de realizar tarefas que, além de trazer resultados cada vez melhores, nos tornarão distintos, diferentes, não ordinários, extraordinários; e,

Vocação – o tema deste texto.

Das três palavras acima, a última é a mais instigante, a mais provocadora, a mais desafiante.

Tal palavra tem origem no latim vocare, que é o ato ou efeito de chamar. É aquela voz interior, aquela voz que “vem do coração” e que não a escutamos, mas que nos ajuda, muitas vezes, a tomar decisões em qualquer das áreas da nossa vida.

Entretanto, a palavra nos remete que direciona a pessoa à uma profissão ou atividade visando a realização de algum tipo de trabalho.

Embora seja mais relacionada à uma atividade artística ou religiosa, mais modernamente, vocação também passou a significar aptidão, disposição, capacidade, pendor, predisposição, propensão, predestinação para a realização de algo.

Quantas pessoas você conhece que iniciaram um curso superior e interromperam seus estudos porque perceberam que “aquilo não tinha nada a ver” com eles?

Quantas outras terminaram seu curso superior, iniciaram sua atividade profissional e, depois de algum tempo, mudaram de profissão porque “não se encontraram” naquilo que estavam fazendo?

E quantas outras, antes de iniciar um curso superior, vão em busca de uma orientação através de um teste vocacional?

Antonio Ermírio de Moraes, autor do texto Vocação Profissional, de modo bem-humorado, escreve sobre o assunto:

Se ainda não sabe qual a sua verdadeira vocação, imagine a seguinte cena: você está olhando pela janela, não há nada de especial no céu, somente algumas nuvens aqui e ali.

Aí chega alguém, que não tem nada para fazer, e pergunta:

– Será que vai chover hoje?

Se você responder: “Com certeza”, a sua área é Vendas. O pessoal de vendas é o único que sempre tem certeza de tudo.

Se a resposta for: “Sei lá, estou pensando em outra coisa”, então sua área é Marketing. O pessoal de marketing está sempre pensando no que os outros não estão pensando.

Se você responder: “Sim, existe uma boa possibilidade”, você é da área de Engenharia. O pessoal da engenharia está sempre disposto a transformar o Universo em números.

Se a resposta for: “Depende”, você nasceu para Recursos Humanos: uma área em que qualquer fato sempre estará na dependência de outros fatos.

Se você responder: “Ah! A meteorologia diz que não”, você é da área de Contabilidade. O pessoal da contabilidade sempre confia mais nos dados do que nos próprios olhos.

Se a resposta for: “Sei lá, mas por via das dúvidas eu trouxe uns guarda-chuvas”, então seu lugar é na área financeira, aquela que deve estar sempre preparada para qualquer virada de tempo.

Agora, se você responder: “Não sei”, há uma boa chance que você tenha uma carreira de sucesso e acabe chegando à diretoria da empresa.

De cada 100 pessoas, só uma tem a coragem de responder “não sei” quando não sabe O s outros 99 sempre acham que precisam ter uma resposta pronta, seja ela qual for para qualquer situação.

“Não sei” é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo mundo. E pré-dispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de tomar uma decisão.

Parece simples responder que “não sabe” é uma das coisas mais difíceis de aprender na vida corporativa. 

Por que? Eu, sinceramente, “não sei”.

Se você, caro leitor ou leitor, for pesquisar o índice de insatisfação no trabalho, certamente verá que ele é muito alto.

Existem pessoas que aceitam levar uma vida norma e confortável em função do salário e do status, mesmo sendo infelizes naquilo que fazem. Pessoas que não encontram sentido e propósito nas suas atuais atividades. Ganham cada vez mais, aparecem aos seus pares cada vez mais, tem cada vez mais bens, e por aí vai.

Martin Seligman, em seu livro Authentic Hapiness: Using the New Positive Psychology to Realize Your Potential for Lastinf Fulfillment, denomina este fato de “cadeia hedonista”: à medida que enriquecemos e acumulamos mais posses materiais, nossas expectativas aumentam, por isso trabalhamos ainda mais para ganhar dinheiro a fim de comprar mais bens de consumo e aumentar nosso bem-estar, mas em seguida nossas expectativas aumentam de novo e o processo não tem fim.

O fato de sempre querer mais, e não conseguir, aumenta o grau de ansiedade, estresse, depressão, aparecimento de doenças, etc.

Aliás, são de Dostoievski as seguintes palavras: “o castigo mais terrível para qualquer ser humano seria a condenação a uma vida inteira de trabalho absolutamente desprovido de utilidade e sentido.”

Já Albert Camus ensina: “sem trabalho toda vida apodrece, mas quando o trabalho é desprovido de alma, a vida sufoca e morre”.

Profissão e vocação constituem uma relação indivisível para aqueles profissionais que alcançam a felicidade e o sucesso, seja ele um atleta, um executivo, um camelô ou um peão de obra.

Dom e talentos definem a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa. Isto significa que esta pessoa é ciente e consciente do seu dom e eu o mesmo foi aprimorado pelos seus talentos.

Entretanto, o consultor Robert Wong acrescenta algo a mais nesta frase. Quando a pessoa sabe quel é o seu dom, aprimora-o através do desenvolvimento de seus talentos e segue sua vocação, a frase se transforma em “a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa, mas com a razão certa”.

É esta razão certa que vai fazer toda a diferença para o profissional, porque agrega valor e o faz crescer ainda mais na sua atividade.

A primeira coisa para perceber que você encontrou a sua vocação é gostar, amar de paixão, aquilo que você faz. Sem isso não há prazer, não há entusiasmo, não há tesão. E, sem isso, há pouca ou nenhuma produtividade.

Além de amar de paixão aquilo que você faz, existem outros indícios que você “se encontrou” na sua atividade:

  • trabalha sempre com brilho nos olhos, desde o início até o fim do seu trabalho;
  • faz do seu trabalho uma fonte de lazer e diversão, visto que encontrou a razão ou razões para tal. Quem segue sua vocação não trabalha, se diverte;
  • nunca está cansado e está sempre disposto física e mentalmente;
  • está sempre automotivado e sempre tem energia para vencer os obstáculos e desafios mais difíceis;
  • trabalha baseado em seus próprios valores. E quando estes valores coincidem com os da empresa, melhor ainda, pois suas atitudes refletirão que encontrou sua vocação. “Valores dirigem nossas ações, dão sentido a elas e afetam nossas escolhas”, afirma Marcos Luiz Bruno;
  • sabe renunciar a muitas coisas para ser feliz, como Sidarta Gautama, o Buda, que renunciou a toda sua riqueza material para divulgar suas ideias e sua filosofia de vida;
  • tem consciência que irá sofrer, pois em tudo na Vida, inclusive no seu trabalho haverá problemas, dificuldades, obstáculos, pedras no caminho, etc.

Já afirmei que vocação é trabalhar com paixão. Entretanto, lembre que paixão deriva do latim passio que significa, entre outras coisas, sofrimento, desgosto mágoa.

  • você perde a consciência do tempo e pode trabalhar horas e mais horas sem que sua concentração seja abalada;
  • você não apenas se compromete, mas se engaja (abordarei este tema em outro texto desta série);
  • ao término de seu trabalho você pode até estar cansado e exausto, mas continuará com aquele brilho nos olhos que demonstra sua satisfação e seu prazer em tê-lo realizado. Este cansaço, certamente, é apenas físico;
  • seu trabalho aparece e as pessoas percebem isso. E, em algumas delas, pode até aparecer uma “pontinha de inveja” ao se questionarem: “como ele (a) consegue?”;
  • seguir sua vocação significa trabalhar com corpo, mente e alma de forma integrada e equilibrada. Quem segue sua vocação está sempre feliz porque trabalha com a tríade: sentir (alma), pensar (mente) e agir (corpo).

Enfim, quem segue sua vocação, descobre sua missão de vida, o porquê de estar neste mundo e fazendo aquilo que escolhe fazer e que lhe dá prazer e felicidade.

Trabalhar seguindo sua vocação é sinônimo de trabalho bem feito.

São Francisco de Assis resumiu tudo na seguinte frase: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível e, de repente, você estará fazendo o impossível.”

 Será que dá para entender, agora, a relação direta que existe entre vocação e produtividade?

Fava Consulting – Para viver com muito mais Qualidade

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

A alma é o segredo da produtividade: Vocação
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