Menos estresse, mais qualidade de vida – parte 2 Artigos, Estresse, Qualidade de Vida

Sem sombra de dúvida o estresse é, nos dias de hoje, mais um componente do ambiente de trabalho. Infelizmente não se pode dissociá-lo de temas como competitividade, produtividade e outros que compõem o mundo globalizado dos negócios e das corporações.

Pesquisas mostram que o índice de estresse no ambiente de trabalho atinge, em média, mais de 25% dos colaboradores, gerando altos custos para a empresa, o que inclui despesas com saúde, faltas e afastamentos relacionadas ao absenteísmo e presenteísmo.

É bom ressaltar que o conceito de estresse no ambiente de trabalho é diferente do conceito de desafio. Este proporciona ao colaborador energia física e mental, motivando-o a aprender mais e a se desenvolver na sua função. Quando o desafio ou objetivo é superado ou atingido, ele se sente relaxado e satisfeito. Desafios são importantes para que o trabalho seja saudável e produtivo.

Já o estresse no ambiente de trabalho pode ser definido como uma doença crônica cujas causas afetam negativamente a performance e o bem estar físico e mental dos colaboradores. Sãs causas são inúmeras, como pode ser observado abaixo.

Para o consultor Gutemberg B. de Macedo “O estresse nas organizações não é fruto apenas das pressões diárias, das mudanças bruscas e repentinas ou da acirrada competição promovida pela globalização. Mas é, sobretudo, fruto de comportamentos nocivos à natureza humana, tais como: insatisfação, ciúme, inveja, injustiça, ganância, intrigas, associações espúrias, ações degradantes, incompreensão, desrespeito humano, fingimentos, traições, meias-verdades, promoções baseadas em apadrinhamentos, etc.

Preocupado com a saúde e bem-estar dos colaboradores e em saber o quanto é importante o desenvolvimento de ações visando melhor qualidade de vida dentro das empresas, o presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), Alberto Ogata, formulou uma pesquisa com 500 gestores que freqüentaram o X Congresso de Qualidade de Vida.

Acompanhe o resultado das perguntas formuladas publicadas na revista Melhor-Gestão de Pessoas.

1 – Quantos dos fatores abaixo você considera que estão bem resolvidos no seu dia-a-dia?

  • atividade física
  • alimentação saudável
  • equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional
  • medidas para gerenciar o estresse excessivo
  • cuidados preventivos de saúde

Respostas:

  • entre 0 e 1 item – 13,4%
  • entre 2 e 4 itens – 59,8%
  • entre 5 e 6 itens – 26,8%

2 – O programa de promoção de saúde e bem-estar nas empresas ocupa uma posição estratégica na gestão?

  • Sim – 17,6%
  • Não – 82,4%

3 – Há um crescimento na preocupação das organizações com a qualidade de vida dos trabalhadores?

  • Sim – 80,4%
  • Não – 19,6%

4 – O que mobiliza as empresas a manter programas de qualidade vida?

  • Contenção em custos de saúde – 41,2%
  • Produtividade – 32,7%
  • Moral e imagem – 18,3%
  • Reconhecimento e prêmios – 7,8%

5 – Qual é a principal área envolvida com os programas de qualidade de vida?

  • Recursos Humanos – 61,9%
  • Saúde – 23,8%
  • Medicina Ocupacional – 11,9%
  • Benefícios – 2,4%

6 – Qual é o maior problema relacionado ao estilo de vida nas empresas brasileiras?

  • Estresse – 40%
  • Questões psicossociais – 25%umnoHHH                HHHH
  • Atividade física – 20%
  • Nutrição e obesidade – 12,5%

7 – Com relação à produtividade, qual a principal questão que deve ser abordada nos programas?

  • Motivação e comprometimento – 51,9%
  • Presenteísmo – 26%
  • Absenteísmo – 7,8%
  • Acidentes no trabalho e doenças ocupacionais – 7,8%
  • Afastamento por doenças crônicas – 6,5%

8 – Qual a principal barreira para a evolução dos programas?

  • Falta de apoio da liderança – 73,8%
  • Dificuldades operacionais na gestão do programa – 10,7%
  • Falta de recursos financeiros – 7,1%
  • Restrição na participação e adesão dos colaboradores – 7,1¨
  • Falta de boas ferramentas no mercado – 1,2%

9 – Você usa a internet como ferramenta do seu programa?

  • Sim – 96,9%
  • Não – 3,1%

10 – Você usa incentivos como ferramenta do seu programa?

  • Sim – 54,1%
  • Não- 45,9%

11 – Quais as ações mais oferecidas pelos programas de Qualidade de Vida?

  • Ginástica laboral – 60,3%
  • Shiatsu, massagem, atividades de relaxamento – 17%
  • Programas de alimentação saudável – 12,1%
  • Academia corporativa, grupos de corrida – 7,8%
  • Programas de gerenciamento do estresse – 2,8%

Olhando estes números, surgem na minha mente quatro perguntas:

– De que adianta a empresa se preocupar com a qualidade de vida dos colaboradores (80,4%) se os programas de saúde e bem-estar não são estratégicos (82,4%)?

– Por que a empresa que mantem programas de qualidade de vida para diminuir os custos com saúde (41,2%) e aumentar a produtividade (32,7%) não tem apoio da liderança (73,8%) como fator determinante para o sucesso de tais programas?

– Se o estresse é o maior problema relacionado ao estilo de vida das empresas (40%), por que os programas de gerenciamento do estresse são oferecidos em proporções baixíssimas (2,8)?

– Será que a alta taxa de estresse presente (40%) não seria a principal causa da diminuição da produtividade representada pela falta de motivação (51,9%), presenteísmo (26%) e absenteísmo (7,8%)?

Acredito que muitas outras perguntas poderiam ser feitas tendo como base os resultados desta pesquisa.

Mas, talvez, a principal seria: de que adianta a empresa investir em seus colaboradores para que busquem mais conhecimento, desenvolvam novas habilidades e competências, criem novos produtos, serviços e modelos de negócios, se o ambiente de trabalho, como um todo, não favorece a manutenção da saúde física e mental dos seus colaboradores?

Creio que está na hora de gestores e responsáveis pensarem profundamente sobre este assunto para depois não ficarem reclamando e “chupando o dedo” devido a não atração e a não retenção de colaboradores talentosos, pessoas doentes e perda de posição no mercado.

Colaboradores são pessoas como qualquer um de nós mas são, antes de tudo, Seres Humanos integrais e assim é que devem ser vistos e percebidos.

Somos Seres Humanos que fazem da nossa saúde física e mental a principal ferramenta para a realização e o desenvolvimento de todas as nossas atividades, inclusive a laboral.

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Menos estresse, mais qualidade de vida – parte 2
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