Novas formas de trabalho. Mais qualidade de vida Artigos, Qualidade de Vida

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Você é aquele tipo de pessoa que se sente consumida pelo trabalho? Que fica tão absorta naquilo que faz a ponto de não ter tempo mais amigos, não ter mais nenhuma forma de lazer ou ter um contato mínimo com sua família?

Se você respondeu SIM, provavelmente é aquele tipo de pessoa que trabalha várias horas, de forma intensa e que o seu tempo e a sua energia ficam cada vez menores com o passar do tempo.

Se o seu objetivo para este tipo de vida é ganhar dinheiro, muito dinheiro, tudo bem; a escolha foi sua. Mas o lado ruim é que, quanto mais você ganha, maior será a probabilidade de trabalhar mais e mais, esquecendo que você tem outras áreas na sua vida que também necessitam da sua atenção, e não apenas o aspecto profissional.

A realidade tem mostrado que a globalização vem aumentando a competitividade e a busca desenfreada por resultados e lucro, proporcionando um desequilíbrio entre ganhar a Vida e vive-la de forma plena, sacrificando sua qualidade e aumentando o aparecimento de doenças físicas e mentais.

A economia global, aliada à tecnologias cada vez mais sofisticadas, tem gerado estios de vida mais agitados e menos seguros. Com isso, as pessoas estão tendo menos tempo para “curtir” e desfrutar o que há de bom e melhor no convívio com elas mesmas, a comunidade, os amigos e a família.

Trabalho, sim. Emprego, não.

A partir do início do século XXI a ideia de emprego fixo (carteira assinada, férias, 13º salário, etc.) vem perdendo terreno.

A nova economia aliada à tecnologia vem tornado o emprego estável cada vez menos relevante para a vida das pessoas.

É claro que ainda existe uma grande maioria de pessoas que dependem de um “contrato de emprego” e que lhe garanta um salário no final do mês. Mas aquelas 40 horas semanais e mais aquelas horas extras que são “exigidas” e que fazem a jornada aumentar para 10 a 12 horas diárias, estão ficando obsoletas.

A geração mais jovem já não quer trabalhar como seus pais e avós trabalhavam, em empregos fixos e estáveis. Elas querem, isto sim, trabalhar, ganhar dinheiro e, ao mesmo tempo, preservar sua qualidade de vida.

O emprego único para a vida toda, onde a segurança econômica era trocada pela lealdade à empresa, está em decadência.

O novo mundo do trabalho (e não o do emprego) tem propiciado o aparecimento de profissionais autônomos de forma constante e crescente.

Em matéria publicada no jornal Folha de São Paulo (06/08/15) pode ler que:

– o Reino Unido viu surgir 1,4 milhão de “microempresas” com entre 0 e 9 empregados de 2000 para cá;

– a União dos Free Lancers dos Estados Unidos estima que 53 milhões de americanos façam trabalho freelance, entre os quais há 21 milhões de prestadores de serviço independentes.

Novas tecnologias de comunicação, transportes, informação e comércio eletrônico, vem ampliando as formas de se considerar o trabalho. E, nos dias de hoje, onde o trabalho está se tornando mais livre e autônomo, as próprias empresas que já perceberam que o modelo antigo está se esgotando, estão proporcionando aos seus colaboradores novas formas de trabalho, como veremos a seguir.

1 – Teletrabalho

Também conhecido como home office, trabalho remoto ou trabalho à distância, é realizado em qualquer local distante do espaço físico da empresa.

É o tipo de trabalho que vem crescendo muito nesta era de economia globalizada.

Uma pesquisa feita pela consultoria Robert Half com 1675 gestores de 12 países, sendo 100 do Brasil, mostrou que, nos últimos três anos, 44% dos diretores de RH aumentaram o uso do home office para seus profissionais, sendo que a média mundial ficou em 29%.

Ainda, segundo este estudo, para 75% dos profissionais entrevistados, o home office oferece efeitos positivos, tias como: melhora diretamente a produtividade profissional e eleva os índices de criatividade, comunicação, colaboração e capacidade de gerenciar.

“No trabalho remoto a empresa abre mão do controle para extrair a produtividade de profissional”, afirma Daniela Ribeiro, gerente sênior da empresa que fez a pesquisa.

De uma forma simplista, o teletrabalho é uma forma de trabalho extremamente democrática, pois é um trabalho isento de preconceitos como raça, religião, idade, sexo ou se o colaborador possui algum tipo de deficiência.

2 – Flex office

Uma das desvantagens do home office é transformar um local da casa em “escritório” da empresa.

Isto, além de se tornar um local “privativo” de quem o usa, inibe a liberdade doméstica dos outros habitantes da casa.

Por isso, desenvolveu-se nos Estados Unidos, o conceito de flex office. Este é um tipo de escritório disponibilizado pela empresa (e construído por ela) geralmente em áreas próximas à residência do colaborador, com o intuito de diminuir o tempo e o estresse gerados pelo trânsito que seriam gastos no percurso de sua casa até a sede da empresa.

3 – Escritórios virtuais

Baseiam-se no conceito anterior, só que não são construídos e disponibilizados pelas empresas.

São locais que dispõem de infraestrutura e tecnologia e que são alugados para pessoas físicas e jurídicas por períodos de tempo definidos, seja para apenas uma pessoa realizar seu trabalho ou para empresas fazerem reuniões, trabalhos em equipe, apresentações, treinamentos, etc.

4 – Horário flexível

Se a presença do colaborador necessita ser diária no local de trabalho, muitas empresas estão adotando o horário flexível para colaboradores que moram longe da empresa e que gastam muito tempo para irem de suas casas ao local de trabalho.

Entretanto, em casos estudados e específicos, uma alternativa que vem sendo adotada em substituição ao horário flexível, é oferecer um salário maior ao colaborador para que ele alugue um imóvel e more perto da empresa.

Workation – Férias e trabalho

Já que a mobilidade e a tecnologia estão mudando a forma de se trabalhar, também vem sendo mudado o conceito de férias.

Todos nós sabemos que férias significam o desligamento total da atividade laboral, e isso inclui também a parte virtual da atividade, como e-mails, telefonemas, reuniões virtuais, etc.

Entretanto, no mundo competitivo de hoje, férias também podem não ter o significado de descanso, lazer e diversão, mas significar angústia, ansiedade e estresse, fato conhecido como vacation phobia (medo de tirar férias).

E agora vem a pergunta: se o uso cada vez maior da tecnologia já permite que colaboradores trabalhem longe da empresa, por que não realizar seu trabalho remoto de um local onde o colaborador, além de trabalhar, possa usufruir de descanso, relaxamento e conhecer outros locais e outras culturas?

Bem, já é possível unir férias e trabalho.

Na língua inglesa este conceito recebe o nome de workation, junção das palavras work (trabalho) e vacation (férias), o qual é definido como uma viagem de trabalho prazerosa, boa e benéfica, ou seja, um tempo que se passa longe do local de trabalho e que inclui alguns dias onde se trabalha em um local diferente e, quiçá, exótico.

Enquanto muitas atividades necessitam ser feitas em um local determinado, como hospitais, fábricas, hotéis, outras tantas podem ser feitas em regime de teletrabalho. E isto pode ser realizado enquanto você toma um café em Paris ou desfruta da beleza do mar em alguma praia do Taiti.

Com tecnologias avançadas e o uso da internet, ninguém precisa saber, a não ser seu líder, se você está realizando seu trabalho da sua própria casa, de Nova York ou de Tóquio, desde que você apresente os resultados previstos e combinados.

Nos dias de hoje pode-se trabalhar de qualquer ponto do planeta desde que se possuam as ferramentas tecnológicas para isso.

Já imaginou você fazendo uma teleconferência com os membros da sua equipe e tendo como fundo os Alpes suíços? Ou uma apresentação para seus clientes ou fornecedores diretamente da praia de Santa Monica na Califórnia?

Muitos gestores já não se preocupam se o colaborador trabalha em tal ou qual regime desde que mantenha sua produtividade em alta e atinja os objetivos do seu trabalho. E não se impressione se o próximo diálogo com seu gestor for:

– Poderia tirar duas semanas com a família para conhecer a Disney e continuar trabalhando de lá?

– Claro. Acerte os detalhes com o RH.

Quanta diferença!

A verdade é que o crescimento constante e contínuo do autoemprego ou do trabalho por projetos (portfolio working), ou a combinação de ambos, vem mudando o conceito de férias.

No novo mundo do trabalho será você quem vai determinar como quer trabalhar, unindo ou não suas férias com a atividade laboral.

E aqui fica a pergunta: empresas e colaboradores estão se preparando para isso considerando que as novas gerações estão buscando mais qualidade de vida no trabalho?

Certamente o futuro do trabalho, e as formas de exercê-lo, terão um impacto direto na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos, estejam eles formalmente empregados ou exercendo suas atividades de forma autônoma.

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre.

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Novas formas de trabalho. Mais qualidade de vida
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Últimos Comentários

  1. Wagner Mancini

    Excelente artigo. Sem dúvida o mundo do trabalho mudou radicalmente nas últimas décadas e cabe a cada um buscar equilibrar sua vida pessoal e profissional de uma forma que funcione bem tanto para si como para a empresa. No Brasil ainda vejo bastante restrições ao Teletrabalho, home office e workation, até por questões de uma legislação trabalhista muito antiga que temos, porém acredito que tudo seja questão de tempo, pois estas novidades todas não tem volta e já ganharam muito espaço no mundo todo e serão realidade aqui no Brasil com certeza, principalmente em grandes centros.

    Wagner Mancini
    OmRá Tecnologia

  2. Luiz Roberto Fava

    Wagner, grato pelo seu comentário. Concordo que estas mudanças são apenas questão de tempo. Elas próprias acabarão com esta legislação trabalhista ultrapassada.É esperar para ver.

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