Midas, D. Pedro I e a retenção de talentos Artigos, Recursos Humanos

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Há muito vem se falando sobre a retenção de talentos, um tema antigo mas cada vez Mais Presente dentro das organizações.

Considerando todas as mudanças pelas quais o ambiente corporativo vem passando, a prática na gestão de pessoas também vem mudando, fazendo com que os colaboradores sejam reconhecidos como parte fundamental na obtenção dos resultados e do lucro.

Sem os colaboradores, nada se consegue.

Mas para que isso ocorra, as corporações necessitam, através de seus líderes e gestores, criar condições para que eles se sintam não apenas como simples colaboradores ou simples recursos, mas como Seres Humanos Integrais que dão uma boa parcela do seu tempo para o crescimento e o desenvolvimento das empresas.

Muitas organizações já agem neste sentido, oferecendo programas de aprendizado contínuo, benefícios vários salários condizentes, bônus, etc.

Entretanto, apenas isto talvez não baste para automotivar os colaboradores. É preciso ir um pouco mais além na prática da liderança e da gestão.

Já me referi em outro texto que, independentemente do tipo de líder ou do estilo de liderança que as grandes responsabilidades do líder são apenas duas, como visto no esquema abaixo:

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Desempenho e produtividade, de um lado, e felicidade e qualidade de vida, de outro, exigem que o líder tenha uma atuação forte e permanente para que o equilíbrio entre estes dois binômios seja alcançado e mantido.

E é nesta relação a dois, entre líder e liderado, que reside o grande sucesso da performance de uma empresa.

Este fato me faz lembrar dois grandes personagens. Um é o rei Midas, da mitologia grega, e, o outro, D. Pedro I, da história do Brasil.

Midas foi o rei da Frígia, região da Ásia Menor, lá pelos idos do século VIII antes de Cristo.

Conta a lenda que Midas tratou de Sileno, o pai biológico de Baco (ou Dionísio, o deus do vinho) e este, em sinal de gratidão, disse que poderia escolher o que quisasse.

Midas, então, pediu ao deus o poder de transformar em ouro tudo o que tocasse.

Tudo caminhava bem até ele se dar conta que sua comida, sua bebida… tudo se transformava em ouro ao ser tocado. Até sua filha, ao se encostar-se a ele, se transformou em ouro.

Midas, percebendo seu próprio erro, conseguiu reverter este processo pedindo a Baco que lhe retirasse este poder. O deus mandou-o ir purificar-se nas águas do rio Pactolo, retornando, então à sua natureza humana livre do “toque de Midas”.

Com relação a D. Pedro I, imperador do Brasil, lembra-me o dia 9 de janeiro de 1822.

Neste dia, o imperador recebeu uma carta da corte portuguesa exigindo que retornasse a Portugal. D. Pedro reagiu negativamente a esta exigência e exclamou:

– Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto! Digam ao povo que fico.

E este dia ficou conhecido como o Dia do Fico.

Estes dois fatos isolados que aconteceram em épocas e contextos muito distintos, foram o que me fez lembrar da eterna preocupação das empresas no que diz respeito à retenção de seus talentos.

Se cada vez mais o Ser Humano torna-se prioridade para as empresas, líderes devem ter sempre presente que o intangível, aquilo que não pode ser tocado ou medido, nunca deve ser subestimado. E este intangível está mais presente do que nunca na produtividade de qualquer negócio.

Verdadeiros líderes trazem para dentro de si seus liderados, importam-se com eles. Eles os ajudam a alcançar seus potenciais mais altos para terem desempenhos excepcionais.

Eles tem consciência que cada liderado é um Ser único e indivisível. Ele sabe que pessoas diferentes tem necessidades diferentes e, por isso, agem de formas diferentes.

E é neste ponto que o líder torna-se um Midas. Com seu “toque”, ele leva cada um de sua equipe a atingir níveis elevados de produtividade, seja através de treinamentos, condições para seu bem-estar, pacotes atrativos de benefícios; enfim, tudo que a empresa possa oferecer para que se sintam acolhidos e felizes.

Ele busca para cada um de seus liderados o equilíbrio entre os binômios referidos acima.

Mas o líder vai mais além ao cultivar os cinco valores que norteiam as relações interpessoais e que faz os colaboradores darem o máximo de si em favor da empresa.

Apenas para recordar, estes valores estão unidos pela sigla C.R.E.P.T. Embora quando pronunciada o seu som possa sugerir fratura, algo quebrando, separação, na realidade ela esconde justamente o oposto. São eles: C, de confiança; R, de respeito; E, de empatia: P, de perdão e, T, de transparência.

Por outro lado, os liderados, através da atuação dos líderes e dos benefícios oferecidos pela empresa, terão suas expectativas, não só alcançadas, mas elevadas e maximizadas, o que os farão se sentirem mais confiantes, mais motivados e com maior autoestima.

E é neste ponto que cada colaborador torna-se um D. Pedro I ao proclamar seu Dia do Fico corporativo:

– Se for para o bem de todos e felicidade geral da empresa, digam a todos que fico!

Dan J. Sanders, em seu livro Empresas feitas para servir (Ed. Sextante, 2011) enfatiza que “a capacidade de manter o sucesso depende do equilíbrio entre suprir as necessidades das pessoas de uma empresa e viabilizar o objetivo da empresa a longo prazo. Este processo requer um grande empenho do líder, mas, uma vez que aceite o desafio, certamente alcançará a vantagem competitiva que assegurará sucesso duradouro ao seu empreendimento”.

Creio, sinceramente, que se o rei Midas e D., Pedro I vivessem na época de hoje, certamente iriam fazer deste encontro uma parceria onde todos sairiam lucrando: o líder, o liderado e a empresa.

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre.

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Midas, D. Pedro I e a retenção de talentos
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Últimos Comentários

  1. MPF

    Vejo muitos colegas reclamando a falta de retorno em processos seletivos.Este é um tema ou assunto que também é conversado em suas redes de contatos ?. Lancei um debate no Linkedin e a observação infelizmente “negativa” vem a tona quando falamos deste assunto. Baseado no texto sobre retenção de talentos, faço um “gancho” a esta minha questão. Como reter talentos se quando se inicia a busca de um, este não sabe se está dentro ou fora do jogo ?.Vejo que não há preocupação neste assunto. Este não seria o cartão de visita de qualquer organização ?.

    1. Luiz Roberto Fava

      Será porque vivemos em clima de eterna desconfiança, puxação de tapete e outros que tais? Será porque não existe comprometimento naquilo que se quer? Será porque os processos de retenção não são transparentes, onde se promete muito e se retorna pouco, fazendo com que o recrutado forma uma defesa invisível em torno de si? Minha opinião é que ainda falta muito no mundo do trabalho para que todos se sintam realmente felizes.

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