Gordinho? Barrigudinho? Pescoçudinho? CUIDADO!! Artigos, Obesidade, Qualidade de Vida

Se você estiver pensando que um dos maiores inimigos do brasileiro é a próxima eleição, a inflação ou a balança comercial, esqueça. A “guerra” atual, no Brasil, tem outro nome: obesidade.

A coisa está tão grave que já é considerada como um problema de saúde pública. E a tendência é que fique cada vez pior.

O recordista mundial da obesidade são os Estados Unidos (31% da população), seguido pelo México (24%) e pelo Reino Unido (23%).

Aqui, no Brasil, o sobrepeso e a obesidade têm aumentado de forma significativa nos últimos anos, sendo que seus índices estão cada vez mais presentes em crianças e adolescentes. Neste grupo, a obesidade atinge 5 milhões de brasileiros sendo que, nos últimos 30 anos, os índices subiram de 4% para 18% nos garotos e de 7,5% para 15% nas garotas.

Nesta faixa etária, a obesidade traz como conseqüências as desordens ortopédicas, os distúrbios respiratórios, o diabetes, a hipertensão arterial e as dislipidemias, sem falar nas alterações psicossociais, como discriminação, ser alvo de piadas, e físicas, como tornar-se sedentário.

O fato preocupante é que estas crianças e adolescentes vão se tornar adultos obesos, com um risco muito grande de desenvolver alguma doença coronária, o que pode levar a pessoa a óbito.

Para os adultos, estima-se que 40% da população brasileira esteja com sobrepeso (IMC > 25) enquanto os obesos (IMC > 30) chegam a 8% nos homens e 12,7% nas mulheres.

A obesidade pode ser diagnosticada pelo índice de massa corporal (IMC), um método bastante simples e que é calculado dividindo-se o peso da pessoa (em quilogramas) pelo quadrado de sua altura (em metros)

P (kg)
IMC = ———–
H2 (m)

Sua interpretação é feita pela seguinte tabela:

IMC CLASSIFICAÇÃO
< 18.5 Abaixo do peso
18.5 – 24.9 Peso normal
25 – 29.9 Sobrepeso
30 – 34,9 Obesidade classe I (leve)
35 – 39,9 Obesidade classe II (moderada)
  • 40
Obesidade classe III (grave ou mórbida)

Embora barato, simples e amplamente empregado, este método é imperfeito, limitado e impreciso, pois não descreve de forma adequada a distribuição regional da gordura, principalmente a que se localiza na parte superior do corpo.

Outro método, considerado mais fiel para detectar o risco de doenças associadas à obesidade (hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio, diabetes, etc.) é a medida da circunferência abdominal. As medidas consideradas normais para os padrões brasileiros são: 90 cm para os homens e 80 cm para as mulheres.

Um estudo publicado em 2008 mostrou que o risco de morte prematura foi quase o dobro para homens com mais de 120 cm de cintura e para mulheres com mais de 100 cm de cintura. Para cada 5 cm de cintura a mais na circunferência abdominal, o risco de morte prematura aumentou 17% nos homens e 13% nas mulheres, sendo que pessoas com mais de 75 anos e com grande circunferência abdominal tinham 40% mais risco de morrerem de doenças cardiovasculares.

As medidas da circunferência abdominal também são variáveis, como mostradas abaixo:

HOMENS MULHERES
Brasil até 90 cm até 80 cm
Estados Unidos até 102 cm até 88 cm
Europa até 94 cm até 80 cm

 

Este método também é impreciso, pois as medidas variam com a etnia das pessoas.

Finalmente, o terceiro método que tem sido empregado é a circunferência do pescoço, pois ela transmite, com mais precisão, a quantidade de gordura visceral, ou seja, aquela que não se vê, mas que é manifestada pela presença da famosa “barriguinha de chope ou da prosperidade”. Isto caracteriza aqueles adultos, geralmente homens, que têm pernas finas e abdome proeminente.

Vários estudos têm demonstrado que a medida da circunferência do pescoço é um indicador melhor do que o IMC sendo, também, uma técnica simples e de fácil execução.

Em suma, quanto maior a circunferência do pescoço, maior o risco de desenvolver diabete, de ter aumento do colesterol ruim (LDL) e de triglicérides, de desenvolver apnéia do sono, hipertensão arterial e risco de derrame cerebral.

Este método produz resultados mais confiáveis para idosos, que podem ficar curvados por problemas nas vértebras e perder altura, o que aumenta o IMC.

De acordo com reportagem publicada na seção “Saúde”, do jornal Folha de São Paulo de 8 de julho de 2010, os índices para homens e mulheres, em centímetros, e de acordo com a idade, são:

HOMENS MULHERES
6 anos 28, 5 cm 27 cm
8 anos 29 cm 27,9 cm
10 anos 32 cm 30,5 cm
12 anos 32,5 cm 31,1 cm
14 anos 36 cm 32 cm
16 anos 38 cm 33,4 cm
18 anos 39 cm 34,6 cm

 

O limite para adultos é de 41 cm de circunferência do pescoço.

Outro método para a verificação da obesidade é a medida da dobra abdominal, que mede a gordura logo abaixo da pele e é realizada com um aparelho chamado plicômetro ou adipômetro. Também é um método impreciso porque não mede a gordura visceral.

Exames complementares para a verificação da obesidade incluem a ultra-sonografia, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética, mas são exames caros e necessitam ser feitos em laboratórios especializados.

Mas o importante é você saber se você está com sobrepeso ou obeso (a). E para isso não é necessário mais do que uma balança e/ou uma fita métrica e nem ir a clínicas especializadas. Você pode ter a resposta dentro de sua própria casa.

Agora, se você é sedentário (a), se alimenta mal, é estressado (a), tem histórico familiar de obesidade, sofre de determinadas doenças físicas e/ou mentais que predispõem à obesidade ou pertence a uma cultura que exerce influência sobre os hábitos alimentares, então está na hora de dar uma parada e pensar sério neste assunto.

E, se precisar, busque ajuda profissional de um médico, nutricionista, educador físico ou psicólogo. Isto não é vergonha nenhuma. Certamente seu corpo e, principalmente seu coração, vão lhe ser eternamente gratos.

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

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Últimos Comentários

  1. Andréa Batista

    Achei muito boa essa matéria sobre a obesidade, é uma verdade a obesidade ja virou uma epidemia.

  2. altemara gomes bernardo

    é um doença que tem que ter muita força de vontade e capricha para contra a balança.

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