Chatice… mesmice… Xô. Sai pra lá! Artigos, Qualidade de Vida

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Autor do Artigo: Mario Henrique Martins – http://www.mariohenriquemartins.com.br

Os versos de Cotidiano de Chico Buarque de Holanda, muito bem traduzem a monotonia e a mesmice que podem tornar uma vida, seja no âmbito pessoal, seja no âmbito profissional, algo totalmente insípido.

“Todo dia ela faz tudo sempre igual,
Me sacode às seis horas da manhã…

Apenas para recordar, lembremos alguns significados:

  • a – Monótono (de monos = único e tonos = tensão) = uniforme, sem variação, enfadonho e, por conseguinte, monotonia se traduz por falta de ariação, maneira de viver sem alteração de hábitos.
  • b – Cotidiano = aquilo que se faz todos os dias.
  • c – Mesmice = ausência de acontecimentos novos, marasmo, inatividade, pasmaceira.

Todos nós temos, queiramos ou não, uma rotina diária da qual não podemos escapar. Levantar,  tomar café da manhã, levar os filhos à escola, enfrentar o trânsito, ter reuniões, trabalhar, almoçar, trabalhar mais, voltar para casa, brincar com os filhos, tomar banho, jantar, ver um pouco de televisão e dormir. Não é esta a rotina na qual muitas pessoas se enquadram?

Acontece que muitas delas vivem suas vidas dentro de crenças, valores e princípios onde não conseguem vislumbrar novas oportunidades, novos horizontes, estabelecer novas metas. Acreditam piamente que não podem mudar.

“Vou levando…”

“Deus me guia.”

“Eu nasci assim…”

Estas expressões saem da boca de pessoas que não querem fazer o mínimo esforço para melhorar uma vida medíocre e eternamente repetitiva. E seguem seus dias realizando suas tarefas sempre da mesma maneira, de forma mecânica e, muitas vezes, sem saber o porquê.

Este fato foi muito bem traduzido no livro “Criando o próprio futuro”, onde o autor e consultor Simon Franco, relata um fato, verdadeiro ou não, que se passou no dia de Ação de Graças, um dos dias mais importantes nos Estados Unidos.

Neste dia, uma família de quatro gerações (filha, mãe, avó e bisavó) se reuniu para tal celebração onde, por tradição serve-se peru.

Estando presente uma reporte, esta estranhou o fato do peru ter sido assado em duas metades, e não inteiro, como é o normal.

A repórter, então, perguntou à filha o porquê do peru ter sido assado em duas partes.

– Aprendi com minha mãe.

A repórter fez a mesma pergunta à mãe.

– Aprendi com minha mãe.

Intrigada, questionou a avó.

– Aprendi com a minha mãe.

Em vez de perguntar à bisavó, ela resolveu fazer uma pesquisa sobre o fato e descobriu que, na época da bisavó, os fornos eram muito pequenos e não havia espaço suficiente para assar o peru inteiro.

Viver uma vida na mesmice é péssimo pois:

– Quanto mais na mesmice, mais a pessoa tende a julgar que seu modo de ser, pensar, gostar é o certo e mais dificuldade terá para entender os outros e perceber o que de bom poderão trazer;

-Quanto mais na mesmice, menos oportunidades a pessoa terá para usufruir coisas boas e melhores que a vida tem a oferecer; e,

– Quanto mais na mesmice, menores as chances de descobrir algo novo e bom. A falta de motivação e de criatividade faz a pessoa evitar o novo e a vontade de seguir aprendendo.

Existem três coisas que podem nos motivar a mudar: dor, pressão e perspectivas.

Quando estamos com alguma dor que nos incomoda (dente, barriga), pensamos em procurar um profissional para saná-la. Mas, se esta dor passa, certamente a motivação também passa.

Quando passamos por algo que nos pressione, como a frase dita por inúmeros médicos “não seja sedentário ou você poderá morrer” e esta pressão se esvai com o passar dos dias, a motivação para mudar também se esvai.

Quando você tem um novo propósito, um novo desafio e percebe que não irá alcançá-lo, a motivação também vai embora.

Mesmice e ambiente de trabalho

Quando a mesmice ocorre no ambiente de trabalho, a coisa pode tomar outros rumos e aqui cabe a pergunta: não será o ambiente de trabalho que leva o colaborador à mesmice?

É no ambiente de trabalho que passamos o maior número de horas do nosso dia e é ali que depositamos muito dos nossos sonhos e expectativas.

A partir do momento que este local não mais oferece uma contrapartida para torná-los realidade, haverá uma “quebra”, uma “ruptura”, onde a resposta dos colaboradores não será mais a mesma. Com o passar do tempo, ele vai se sentir mais desmotivado, mais “vazio” e passará a realizar suas tarefas sempre da mesma forma enfadonha e uniforme (mesmice, monotonia).

Se isto ocorrer, várias podem ser suas causas, tais como, aquisições e fusões de empresas com mudanças na sua cultura, liderança falha e ineficaz, comunicação e relacionamentos internos deficientes, não preparo dos colaboradores para lidar com novas tecnologias, falta de oportunidades para o crescimento da carreira, falta de reconhecimento e feedback,  etc.

Uma pesquisa realizada em dezoito países pela consultoria Towers Perrin  com a finalidade de avaliar o nível de engajamento dos colaboradores com a empresa revelou que:

tabela

É claro que um profissional que se mantém em uma organização onde ele não vê sentido no seu trabalho, não sente orgulho de pertencer aos seus quadros, não encontra condições para mostrar todo o seu talento e seu potencial, certamente seu grau de comprometimento com a empresa será muito baixo, fato que poderá comprometer o crescimento e o futuro financeiro da instituição.

Levada ao extremo, a mesmice no ambiente de trabalho poderá ser causa principal do presenteísmo, ou seja, a perda da produtividade na presença física do colaborador. Em outras palavras: corpo presente, mente ausente.

Não saber lidar com diferentes tipos de pressões, com o curtíssimo prazo para finalizar tarefas, relacionar-se e comunicar-se com dificuldades e ter uma autonomia limitada, são fatores que farão o profissional produzir menos, diminuir seu engajamento, tornar seu trabalho monótono e sem sentido. Causa, aliás, fundamentais para gerar quadros de desânimo, depressão e estresse.

E como a rotina pode ser considerada no ambiente de trabalho? De duas maneiras:

  • 1 – A rotina no trabalho pode ser considerada como uma forma de aprendizado em constante evolução pois, pela repetição, pode-se modelar a atividade, desenvolver novas e produtivas práticas e processos: enfim, ser uma fonte de processos criativos: ou,
  • 2 – A rotina é vista como algo negativo, degradante, por não dar margem à mudanças e, até mesmo, ser auto-destrutiva visto que os colaboradores podem perder o controle sobre seus próprios esforços.

Para mais, nos dias de hoje, onde o mercado muda a cada dia, o trabalho é visto como “temporário”, e tudo é regido pelo curtíssimo prazo, criou-se um outro tipo de rotina: a rotina de um futuro incerto, a rotina da contínua avaliação da carreira, a rotina da falta de segurança no emprego, etc., as quais podem ser tão ou mais destrutivas como a do item 2, acima descrito.

Vencendo a mesmice

Já que cada um é o senhor e condutor de sua própria vida e quiser sair da mesmice e do marasmo, deixo algumas sugestões:

  • 1 – Assuma a responsabilidade pela mesmice que está a sua vida: você é o responsável por este estado de coisas;
  • 2 – Acredite que sua vida pode mudar. Aprenda a sonhar e pare de dizer “é impossível”;
  • 3 – Esclareça para si mesmo o que você realmente quer. Estabeleça metas e objetivos.
  • 4 – Nunca espere pelas circunstâncias ideais. Tire seu traseiro da cadeira e pare de dizer “quando as coisas melhorarem…”

Com relação às empresas, estas deverão dar as condições ideais para que o engajamento e o comprometimento dos colaboradores estejam sempre presentes.

Um ambiente onde o profissional se sinta física, emocional e intelectualmente integrado, onde diferentes formas de aperfeiçoamento (palestras, workshops, treinamentos) são constantemente oferecidas, onde a criatividade  e a busca de soluções são sempre estimuladas ,onde a confiança faz parte dos valores preconizados pela empresa e onde a comunicação é livre, direta e transparente, são fatores que aumentarão tal engajamento e diminuirão a mesmice e a monotonia.

Com relação aos colaboradores, algumas atitudes também são necessárias:

  • 1 – Ter paixão pelo trabalho, sentir seu significado e sua importância, para si e para a empresa;
  • 2 – Estar preparado para realizá-lo. Saber e não fazer é o mesmo que não saber.
  • 3 – Ter equilíbrio para vencer eventuais frustrações. Não se pode vencer em 100% das vezes.
  • 4 – Aprender a lidar com a inveja gerada pelo seu desempenho, lembrando sempre da seguinte frase: “desejo saúde e vida longa aos meus inimigos, para que assistam de pé a minha vitória”.
  • 5 – Saber que o sucesso alcançado hoje, amanhã será passado. Não se deixe “contaminar” por ele. Lembre-se que tudo que sobe, cai. E quanto mais sobe, maior a queda.

Declare o fim da mesmice e da monotonia em sua vida. E, se no início deste texto, lembrei os versos contidos em “Cotidiano”, quero terminá-lo com uma frase que apareceu em um comercial televisivo da Emirate Airlines:

“Quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?”

FAVA CONSULTING – Para viver com muito mais Qualidade

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Chatice… mesmice… Xô. Sai pra lá!
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Últimos Comentários

  1. Neuza

    Olá Fava

    O texto se resume muito bem nessa frase!
    “Quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?”

    Parabéns

  2. Caroline

    Incrível como vivemos na mesmice e só percebemos isso quando lemos um texto que nos joga isso na cara!

    Obrigada pelo texto, fez eu refletir muito.

  3. Luiz Roberto Fava

    Prezada Caroline,
    Fico feliz em saber que o texto lhe foi de valia e que a fez refletir.
    É verdade. Às vezes não nos damos conta do porquê nossa vida está chata e monótona.
    Grato pela sua participação.
    Fava

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