Se Você Ainda não é, um Dia Você vai Ser Artigos, Qualidade de Vida, Saúde

Chegar aos sessenta anos, ser um “sessentão”, um sexagenário, um “coroa’, já não tem mais o significado de ser um velho ou um incapaz. Foi-se a época que ficar velho era esperar pelo último suspiro ou, após a aposentadoria, “vestir o pijama”, não fazer mais nada e esperar a morte chegar.

Nos dias de hoje, a pessoa com mais de sessenta anos faz tudo aquilo que o jovem faz, mas dentro do seu tempo e da sua capacidade. Ele sai com os amigos, trabalha, vai à academia, namora, e, ainda mais, curte os netos.

Como ainda não existe a pílula da vida eterna, devemos, sim, desde cedo, começar a nos preparar para esta etapa da vida.

Sabemos que nosso corpo vai mudar (independentemente da cirurgia plástica, lipoaspiração, aplicação de botos e outros que tais), nosso cabelo vai mudar de cor, ficaremos mais lentos para realizarmos alguma tarefa, etc.; entretanto, poderemos fazer tudo isso sem a necessidade de um parente ou cuidador para nos auxiliar em nossas atividades básicas, como tomar banho ou ajudar para nos levantarmos de uma cadeira.

Envelhecer sem doenças, de forma fisiológica, tem um nome: senescência.

De modo inverso, as alterações patológicas decorrentes de processos patológicos tem outro nome: senilidade.

Muitas vezes podemos encontrar “setentões” ou “oitentões” senescentes mas, também “sessentões” senis. Os primeiros cuidam de sua saúde desde cedo, os segundos, se duvidar, nem sabem, na prática, o significado desta palavra.

Eu, particularmente, procuro fazer a maioria das minhas atividades a pé. Além de aumentar e preservar mais a minha saúde, aumenta muito o meu senso de observação. Desta forma, vejo que pais e mães mais parecem irmãos e irmãs mais velhos que seus filhos; vestem-se com os mesmos modelos de roupas, vão ao mesmo salão de beleza, freqüentam a mesma academia, etc. Quando, no tempo dos meus pais, existia a liberdade para se usar uma calça jeans ou, as mulheres, calças compridas? Nunca! Isto era coisa de jovens rebeldes. Já, hoje,…

Voltemos à realidade. É bom estar atento às seguintes previsões:

a – o número de pessoas com mais de cem anos ou mais, em 2050, deverá alcançar a marca de 2,2 milhões no mundo:

b – o número de brasileiros com mais de 60 anos, em 2020, deverá ser de 30 milhões, sendo que as mulheres vivem, em média, 8 anos a mais que os homens;

c – a expectativa de vida para os homens é, em média, de 64,8 anos e de 72,6 anos para as mulheres;

d – a porcentagem de mulheres com mais de 60 anos que faz exercícios físicos (54 %) é maior do que a de homens da mesma idade (46 %);

e – mulheres com mais de 60 anos vão mais ao médico em busca de algum tipo de tratamento (8 em 10) do que os homens da mesma idade (5 em 10);

f – maior porcentagem de mulheres com 60 anos ou mais vivem sozinhas (16,7 %) quando comparada à dos homens da mesma idade (9 %).

Em termos de qualidade de vida, as mulheres também se saem melhor. Enquanto elas procuram desenvolver um estilo de vida mais saudável, os homens tem dificuldade em aceitar ajuda quando necessário, deprimem-se com mais facilidade e sofre quando não se vê mais como o provedor e o responsável pela família.

Agora, responda-me, caro leitor ou leitora: quantas pessoas você conhece, incluindo você mesmo (a) que não leva uma vida saudável, só vai ao médico quando necessário e a palavra prevenção não consta do seu dicionário?

Reveja, por favor, o título deste texto: se você ainda não é (um (a) senescente), um dia você vai ser (se quiser).

Se você ainda não chegou aos 60 anos, é bom começar a pensar no assunto desde já. Não esqueça que a vida moderna, o cotidiano que nos deixa cada vez com menos tempo para as coisas que devemos fazer, pressões no trabalho, entrega de resultados no curtíssimo prazo, vida pessoal conturbada, acabam deixando os mais jovens estressados, ansioso e angustiados e onde uma série de doenças começam a aparecer, como obesidade, hipertensão, cardiopatias, etc.

Particularmente sei de casos de pessoas jovens, entre 30 e 35 anos, que já sofreram infarto agudo do miocárdio. Se você, hoje, já for um “sessentão,  há de se lembrar que só os “velhos” é que sofriam infarto.

Portanto, meu jovem, minha jovem, aprenda a cuidar de si desde cedo, a olhar seu corpo e sua saúde da mesma forma que você vê o desenvolvimento de sua carreira e seu sucesso profissional. Ambos caminham de mãos dadas. Não adianta você se “matar” de trabalhar, adquirir status, ganhar muito dinheiro se, lá na frente, você precisar se desfazer de tudo isso para pagar médicos e hospitais. Não há vantagem nenhuma em se “matar’ de trabalhar e saber que, ao mesmo tempo, você está “matando’ sua saúde.

Todos nós sabemos que o envelhecimento chega para todos e que traz uma série de conseqüências.

A primeira delas é a diminuição da atividade física, fenômeno que se inicia na adolescência (entre 13 e 18 anos) e segue durante o decorrer dos anos, tendo como causas fatires sociais, ambientais e psíquicos.

A segunda conseqüência é a diminuição gradativa do fortalecimento dos músculos e da perda da flexibilidade corporal. Isto se traduz devido a um aumento na prevalência do número de pessoas sedentárias com o avançar da idade, ou seja, a prática de uma atividade física diminui com a idade.

Já que não podemos deter o processo do envelhecimento, podemos minimizar suas conseqüências apenas com a prática de alguma física, visto que muitas das doenças da terceira idade poderiam ser evitadas com sua prática.

Efeitos benéficos da atividade física no idoso

A literatura é farta em mostrar que a prática de uma atividade física, feita de forma regular, traz inúmeros benefícios, independentemente de fatores como idade e sexo.

Sandra M. Matsubo e colaboradores, assim as descrevem:

1 – Efeitos antropométricos

a – controle ou diminuição da gordura corporal;

b – manutenção ou incremento da massa muscular, força muscular e densidade óssea;

c – fortalecimento do tecido conjuntivo;

d – melhora na flexibilidade.

2 – Efeitos metabólicos

a – aumento do volume do sangue circulante, da resistência física (em 10 a 30 %) e da ventilação pulmonar;

b – diminuição da freqüência cardíaca em repouso e no trabalho submáximo e da pressão arterial;

c – melhora nos níveis de colesterol HDL e diminuição nos níveis de triglicérides, colesterol total e LDL, nos níveis de glicose sanguínea, contribuindo na prevenção e controle do diabetes; nos parâmetros do sistema imunológico, sendo associado a menor risco de alguns tipos de câncer (cólon, mama e útero);

d – diminuição de marcadores antiinflamatórios associados às doenças crônicas não transmissíveis;

e – diminuição do risco de doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, hipertensão, diabetes tipo 2, osteoporose e obesidade.

3 – Efeitos cognitivos e psicossociais

a – melhora no autoconceito, auto-estima, imagem corporal, estado de humor, tensão muscular e insônia;

b – prevenção ou retardo do declínio de funções cognitivas (memória, atenção e fluência verbal);

c – diminuição do risco de depressão;

d – diminuição do estresse, ansiedade e depressão, consumo de medicamentos e incremento na socialização;

4 – Efeito nas quedas

a – redução do risco de quedas e lesões delas decorrentes;

b – aumento da força muscular dos membros inferiores e coluna vertebral;

c – melhora do tempo de reação, sinergia motora das reações posturais, velocidade do andar, mobilidade e flexibilidade.

5 – Efeito terapêutico

             a – efeito no tratamento de doenças coronariana, hipertensão, enfermidade vascular periférica, diabetes tipo 2, obesidade, colesterol elevado, osteoartrite e doença pulmonar obstrutiva crônica;

b – efetivo no manejo de desordens de ansiedade, depressão, demência, dor, insuficiência cardíaca congestiva, síncope, acidente vascular cerebral, profilaxia do tromboembolismo venoso, dor lombar e constipação.

Ainda, de acordo com os autores, “as prioridades na preservação da atividade física durante o processo de envelhecimento incluem a realização de exercícios com peso e de equilíbrio (força muscular e evitar quedas), atividades aeróbicas (estimular o sistema cardio-respiratório), movimentos corporais totais (flexibilidade e mobilidade articular) e mudanças para adoção de um estilo de vida ativo.

Para mais, os benefícios de uma atividade física regular ainda incluem: a melhoria da postura, promover o bem-estar, ficar mais forte, manter-se em forma, sentir prazer e sentir-se realizado, como relatam Freitas e colaboradores.

A prática de uma atividade física, seguramente, fará você envelhecer com mais saúde, bem-estar e qualidade de vida.

Agora veja o que é melhor para você: ser um senescente ou um senil. E a decisão será única e exclusivamente sua, pois só você tem o poder para decidir o rumo que você dará à sua saúde.

Se lhe ajudar, lembre das palavras de Nuno Cobra, o preparador físico de atletas famosos: “fique forte, fique bonito, fique saudável. Faça esporte, faça muito. Você pode escolher, é seu direito, não depende de ninguém, mas pense que você é a pessoa mais importante de sua vida e merece o direito supremo de não se destruir”.

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Se Você Ainda não é, um Dia Você vai Ser
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Últimos Comentários

  1. Valério eduardo

    Parabens gostei muito do artigo; Se você não é ainda vai ser.
    Sou professor de educação fisica e trabalho com o pessoal da 3º idade e este artigo agregou conhecimento a minha linha de trabalho com eles.

  2. Sheilla Ferreira

    Adorei o artigo: se não é ainda vai ser. Sou profissional de Educação Física e trabalho com um grupo de terceira idade. O artigo é de linguagem simples, de fácil entendimento e completo. nos chama verdadeiramente, a uma reflexão de uma realidade do qual não poderemos fugir: envelhecer.
    Parabéns pela forma profissional de abordar esse assunto. Sem romantismos baratos ou sensacionalismos ridículos. O tempo é real, é igual para todos nós.O que nos diferencia é o que fazemos dele.

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