Silêncio Artigos, Qualidade de Vida

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Prof. Dr. Ruy Hizatugu

Em um mundo que não para de falar – o silêncio realmente vale ouro. “Se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro.”

O silêncio se tornou um assunto caro nesses dias atuais. Tem sido cada vez mais difícil buscar momentos de quietude em um mundo que não para de falar. Estudo feito na Universidade da Califórnia, foram trocadas 4,5 trilhões de palavras nos Estados Unidos no ano de 1980. Em 2008, esse número cresceu 140% – Em 2014 cresceu 1000%. “Nós recebemos mais informações do que podemos absorver ou ouvir.” É curioso pensar que as novas gerações com seus smartfones nas mãos nunca tenham, de fato, vivenciado o silêncio. “O silêncio está em extinção.”

Nós fomos eliminando qualquer medida de silêncio das nossas vidas. “A modernidade é  barulhenta.” Trocamos os motores dos carros pelas turbinas do avião, a toalha pelo secador de cabelo, a vassoura pelo aspirador. Até em lugares sagrados, o silêncio se tornou opressivo em vez de valioso. “Os homens precisam falar sobre suas emoções, problemas, as mulheres, sobre seus descontentamentos”. Todos que necessitam falar não gostam de ouvir numa era em que todos tem opiniões formadas sobre tudo e sobre todos. Todo mundo quer dar sua opinião: seja nas reuniões das empresas, nas mesas de restaurantes, nas festas de famílias ou, mais recentemente e sem censuras, nas redes sociais.

Grito de liberdade

Empregamos a maior parte de nossas horas mandando mensagens de texto, enviando e-mails, tuitando e digitando em todos os tipos de telas que nossos dedos encontrarem pela frente. Isso gerou uma dependência que simplesmente não conseguimos silenciar. “Hoje, é difícil ter uma refeição, encontros com amigos sem o uso permanente do iPhone para se lembrar de algum fato esquecido.”

Ruído interno

O filósofo suíço Max Picard afirma que nada mudou tanto a natureza do homem quanto a perda do silêncio. O barulho – do trânsito, do aparelho de som do vizinho, das obras nas ruas, das buzinas, dos chamados dos nossos aparelhos eletrônicos. Ele defende o silêncio como fator importante da expressão artística e criativa e também para a saúde e qualidade de vida. Estamos perdendo a capacidade de refletir, de pensar, argumenta. “O ritmo acelerado e ruidoso causa muitas vibrações mentais, em que é difícil manter a coerência de pensamentos. Isso aumenta o nosso ruído interno”, diz.

Nesse sentido, o silêncio é uma abertura para a escuta do outro e, principalmente, de si mesmo. “Ele pode indicar um estado de atenção plena ao presente”, afirma o professor de Comunicação e Semiótica Cassiano Quilici, da Unicamp. “Refletir com clareza e profundidade exige um ‘espaço mental’ que você pode chamar de silêncio interno. Quando nossa mente está falando demais, fica quase impossível ouvi-la. Exatamente como naqueles almoços de família, nas intermináveis reuniões de negócios e científicas em que todo mundo fala, mas você não escuta nada ou entende coisa nenhuma.

Força estranha

Mas muitas das forças que permeiam a nossa existência são silenciosas. A imensidão do espaço, a eletricidade, a gravidade, os raios de luz, a divisão das células do nosso corpo, a luz do sol, o brilho das estrelas, as energias quânticas. Tudo é feito no mais completo silêncio. Conectar-se com o nobre silêncio, é conectar-se com as forças que determinam e conduzem a nossa vida e a nossa riqueza interior.

Silêncio
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Últimos Comentários

  1. Samuel Santos

    Excelente texto e ao lê-lo me perguntei quando foi a última vez que estive em silêncio!
    Silêncio se tornou tão escasso quanto a água boa de beber,tão escasso quanto aquela ida até o pé de serra mais próximo.
    Obrigado pelo alerta!

  2. Luiz Roberto Fava

    Samuel, que bom que você apreciou o texto do Ruy.
    Buscar e praticar o silêncio interno é uma das formas de escutarmos nosso Eu interior. e muito podemos aprender com ele.
    Experiência própria.
    Grato por sua participação.

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