Trabalhar Muito é Bom ou Ruim? Depende. Artigos, Estresse, Qualidade de Vida

É dentro de uma organização que passamos o maior número de horas do nosso dia. É dentro deste ambiente de trabalho que desenvolvemos nosso potencial de criatividade e inovação, temos amigos, às vezes, até os melhores e somos reconhecidos e valorizados.

Entretanto, em um mundo globalizado onde as fronteiras geográficas deixaram de existir e a noção do tempo se desfez, aumentaram muito as exigências das corporações, gerando um dinamismo nos negócios jamais visto.

Esta ambiente extremamente competitivo, impulsionado por alcançar objetivos e bater metas de forma progressiva e em espaços de tempo cada vez menores, faz com que os profissionais tenham que trabalhar um número de horas maior que o desejado.

Soma-se a isso o fator tecnologia. Mesmo ausente do trabalho a intranet, computadores portáteis, smartphones tem permitido que o colaborador tenha acesso ao seu ambiente de trabalho, fazendo com que o número de horas trabalhadas aumente, seja no seu período de lazer semanal, seja durante suas férias.

Este “trabalho extra”, muitas vezes não é reconhecido pela empresa, embora, juridicamente, possa ser considerado como se fossem horas-extras. E este profissional, que acaba fazendo “serão” pode ter outros motivos como aumentar sua renda, medo de perder o emprego ou para “desenvolver” uma imagem de profissional sempre ocupado.

De acordo com a terapeuta Debora Tom, “pesquisas mostram que o executivo médio tem trezentas horas de trabalho incompleto esperando por ele. Entulhamos nossa cabeça com aquilo que precisamos fazer, com o que deveríamos fazer e com o que poderíamos fazer”.

O lado ruim

Trabalhar muito tem, como aspecto ruim, criar NE pessoa uma compulsão pelo trabalho, a ponto de se tornar um vício, uma obsessão, como o vício em álcool, maconha ou cocaína. O mais engraçado e paradoxal, é que este tipo de atitude pode ser bem vista pelos colegas e pelo empregador.

Este vício chama-se, em inglês, workaholic, viciado em trabalho, como o alcoólatra, e define pessoas que não conseguem encontrar um ponto de equilíbrio entre o aspecto profissional e as outras áreas da sua vida.

Ser um workaholic, para alguns, é uma doença, um distúrbio, um desvio comportamental, cujas causas são, além daquelas onde existe uma predisposição psíquica, as exigências organizacionais como aceitação ao risco, flexibilidade, resultados em curto prazo, ritmo, carga de trabalho e pressão pelo sucesso, como afirmam os pesquisadores Mauricio Serva e Joel Lincoln Ferreira.

Outras causas, citadas pela psicóloga Tatiana Alméria, incluem a busca por poder e status, realização profissional e, talvez a maior de todas, a fuga de problemas íntimos ou familiares.

Tudo isto pode fazer com que o workaholic acabe trabalhando muitas horas por dia, internado na empresa, abandonando os aspectos pessoais de sua vida e descuidando de sua saúde. Sempre sobrecarregado, não consegue abrir espaço na sua agenda para compromissos sociais e pessoais, acaba se tornando um estressado crônico e sofrendo as suas conseqüências físicas, como o aparecimento de dores, úlceras gástricas, hipertensão, etc., e mentais, como a diminuição da capacidade de memorização, por exemplo.

Além disso, este profissional, cansado e estressado, acaba sempre chegando atrasado ao trabalho, o que diminui seu rendimento e sua produtividade. Só para se ter uma idéia, um estudo realizado pela Escola de Medicina da Universidade  Nihon (Japão) com mais de três mil profissionais de uma indústria química, mostrou que a baixa produtividade de funcionários cada vez mais cansados, custou à companhia cerca de trinta bilhões de dólares.

Por estar sempre ocupado, o workaholic acaba se alimentando mal, não tem tempo para praticar alguma atividade física, dorme mal, o que acaba afetando sua saúde física e seu comportamento, diminuindo sua força de trabalho e aumentando o número de faltas, como afirma Augusto Puliti.

Ainda mais, todo este quadro faz o workaholic ser sempre insatisfeito com sua atividade devido às cobranças às quais é submetido, o que acaba prejudicando, a longo prazo, sua carreira e seu relacionamento com seu superior e com seus pares, embora acredite piamente que ter esse comportamento traduz-se por uma alta produtividade e que seus colegas sempre o estarão reconhecendo por isso. Doce ilusão!

Mas isto não está presente apenas na figura masculina, Com a presença cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho, muitas delas também estão se tornando workaholics para mostrar que elas também podem exercer as mesmas funções exercidas pelos seus colegas masculinos.

Para o psicólogo Wanderley Codo, o workaholic mantem uma relação negativa com o trabalho. Como ele não se desliga do trabalho, acaba não encontrando satisfação na sua vida sexual, afetiva e familiar, além de não ter muitos amigos.

E o que é pior: como qualquer viciado, tem muita dificuldade em reconhecer que precisa de ajuda, seja através de um processo de coaching, seja através de uma terapia.

O lado bom

O oposto do workaholic chama-se worklover, ou seja, uma maneira de definir pessoas “extremamente apaixonadas pelo que fazem”, conforme apregoa o criador do termo, o psicólogo Wanderley Codo.

O worklover apresenta uma série de caracterísiticas:

a – é uma pessoa que ama seu trabalho e sente um prazer enorme em desenvolvê-lo;

b – sempre está satisfeito e sabe como lidar com as adversidades dele decorrentes, não medindo esforços para resolvê-las;

c – trabalha muitas horas por dia, mas seu prazer e felicidade são tão grandes que não se apercebe da passagem do tempo;

d – quando está muito sobrecarregado, tem o discernimento de priorizar as tarefas mais urgentes e importantes;

e – quando necessário, pede ajuda em busca de outras soluções e segue adiante;

f – sabe buscar o equilíbrio entre seu trabalho e suas atividades pessoais, sempre tendo tempo disponível para seu lazer, seus compromissos sociais , sua família, seus amigos, etc.;

g – geralmente é um ser muito mais saudável, física e psicologicamente, quando comparado a um workaholic.

O worklover sabe lidar muito bem com sua atividade profissional, sabe que seu trabalho tem significado para si e para os outros e que ele não é apenas o motivo para pagar suas contas, mas, ao contrário, uma fonte de realização profissional.

Para Adriana Filipelli, “o worklover não sacrifica seus finais de semana e nem suas horas de lazer com a família. Ele sabe manter um equilíbrio e não abre mão das coisas que gosta de fazer fora do trabalho; em suma, ele sabe valorizar sua qualidade de vida”.

Já o headhunter Bernt Entschev afirma que os worklovers “são pessoas que sabem cuidar de si e, além de amarem o trabalho, acima de tudo, amam a si próprios”.

Quanto maior for a autonomia no desenvolvimento do trabalho, maior a chance da pessoa se tornar um worklover, pois sempre estará usando sua criatividade para modificar processos, produtos, pessoas, o mundo… e ele tem plena consciência do poder de transformação que o trabalho pode proporcionar.

Nas palavras de Wanderley Codo, “o trabalho é uma atividade exclusivamente humana; é, portanto, fonte de muito prazer a partir do momento que constrói uma identidade. Se o trabalho não tiver significado para a pessoa que o desenvolve, certamente ela nunca se sentirá realizada como profissional”.

Agora olhe para si mesmo (a) e responda: você se considera um (a) workaholic ou um (a) worklover?

Se você se encaixa no primeiro grupo, procure mudar, procure ajuda, para que você tenha uma melhor qualidade de vida.

Se você se encaixa no segundo grupo, parabéns! Para o worklover o trabalho significa diversão. Por isso ele está sempre lembrando da frase que dia: faça algo que você goste e você nunca mais precisará trabalhar na vida. O importante não é o que você faz, mas como você faz.

E divertir-se é tudo de bom! Ganha-se energia e realização!

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Trabalhar Muito é Bom ou Ruim? Depende.
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Últimos Comentários

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  3. Sheilla Ferreira

    Puxa! Estava precisando ler sobre isso. Trabalho muito, e em um local muito extressante, não sou nenhum pouco fã de cama, durmo em média 5 horas e meia por noite e de um tempo pra cá minha pilha tem dado sinais que está acabando. Meu nível de estress físico é intenso, mas pratico atividade física 4x por semana, não abro mão do meu lazer e sou muito, muito feliz fazendo o monte de coisas que faço. Descobri com esse artigo que não sou uma workaholic e sim uma worklover. Ai que alívio!

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