Adeus CHEFE. Bem-vindo GEFE Artigos, Empresas, Liderança

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Não faz muito tempo a produtividade de uma empresa tinha como mola propulsora a humilhação, o desrespeito e o constrangimento dos colaboradores frente a situações vexatórias, gerando neles altos índices de estresse.

Para o ISMA – Brasil (International Stress Management Association) 70% dos colaboradores padecem deste mal e destes, 30% apresentam tendências ao suicídio.

Pesquisa realizada pelo instituto Gallup mostrou que 66% das pessoas se demitem do seu chefe e não da empresa onde trabalham, em função de comportamentos nocivos dos mesmos.

Tais comportamentos emanam de líderes, chefes ou gestores mal preparados para a função, inseguros, arrogantes, ditatoriais, etc., e que tornam as relações interpessoais ruins e desmotivadoras, o que acaba levando muitos colaboradores irem buscar outros desafios em outras empresas.

E isto não é um fato novo. Basta lembrar que, em 169 a.C., Publio Terencio, dramaturgo e poeta romano, afirmava: “é um grande erro supor que o império que se estabelece entre os homens com o uso da força seja mais agradável e permanente daquele que se alicerça no amor.” É este que gera respeito, compromisso e engajamento das pessoas.

Muitos outros estudos mostram que a felicidade no trabalho ainda é um tema levado em conta por um número pequeno de organizações, muito embora esta tema venha crescendo em importância com o correr do tempo.

Este fato tem sido comprovado por uma série de programas, benefícios e ações onde o colaborador seja visto, cada vez mais, como um Ser Humano Integral, capaz de pensar, sentir e agir.

Felicidade e produtividade caminham de mãos dadas. Quanto mais feliz estiver o colaborador, maiores serão seus índices de produtividade e, é claro, maior será o resultado e o lucro.

Entretanto, é nas relações interpessoais que esta felicidade se manifesta de forma mais contundente, onde os colaboradores veem nos seus líderes uma pessoa que oferece as condições apropriadas para que ele possa executar suas tarefas da melhor maneira possível, independentemente das suas limitações e características e que também se importam com seu bem-estar e com sua qualidade de vida.

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Desta forma, líderes e gestores passam a ter um papel muito mais importante, visto que serão responsáveis pela felicidade de seus liderados. E, é claro, que pessoas felizes são mais produtivas, mais eficientes, mais criativas, mais resilientes, ausentam-se menos por serem mais saudáveis, possuem maior motivação intrínseca e são mais cooperativas, o que gera melhores resultados e maior lucro para as corporações, independentemente do salário que recebem e dos benefícios oferecidos pelas empresas.

E é neste cenário, onde o líder deixa de ser CHEFE para se tornar GEFE, o gestor da felicidade, também conhecido como CHO (chief hapiness officer).

Um GEFE é um indivíduo que, além de liderar de forma mais holística e humana, tem a plena noção que seu principal objetivo é fazer com que seus liderados desenvolvam-se e melhorem suas competências porque sabe que aquilo que está invisível dentro de cada um é o que se traduzirá no visível, representado por lucro e resultados.

É o invisível que produz o visível, e o sucesso alcançado vem sempre de dentro para fora de cada colaborador.

Enquanto um CHEFE exige resultados tangíveis, o GEFE busca primeiro o intangível, pois tem a certeza que somente o intangível se tornará a riqueza tangível.

Não mal comparando, o GEFE se torna um Midas que, ao “tocar” cada um de seus liderados, transforma-os “em ouro”.

Por isso, um GEFE é o principal responsável para incentivar o crescimento profissional de seus liderados, mantendo-os sempre motivados, e gerar ambientes mais dinâmicos e inovadores.

Algumas características de um GEFE são:

  • conhece as funções de cada um daqueles que trabalham com e para ele;
  • está sempre próximo e se interessa em buscar soluções para qualquer problema daqueles que compõem sua equipe;
  • importa-se com os membros de sua equipe. E aqui, este IMPORTAR significa trazer seus liderados para dentro de si;
  • é tolerante com os erros: sabe que o erro é inerente para se chegar ao estado da excelência;
  • tem a noção de que muitos fatores do exercício da liderança, da destreza nas relações interpessoais, são intangíveis, tais como: confiança, respeito, empatia, perdão, transparência, força emocional, disciplina, etc.;
  • saber ser amigo e, quando necessário, tornar-se um confidente. Conhecendo sonhos, aspirações e preocupações de cada liderado faz com que eles se sintam mais prestigiados e com maior sentimento de pertencimento;
  • busca uma perfeita sintonia em toda a equipe, calcada na missão, na visão e nos valores de cada um com os da empresa.

Em suma, desenvolve parcerias onde todos ganham, diferentemente do CHEFE, onde somente ele ganhava e recebia os louros das conquistas da equipe.

Nos tempos atuais, onde a globalização e a tecnologia tende a afastar as pessoas do convívio social, o GEFE estimula o lado humano, procurando sempre criar um clima de felicidade perene e constante.

Um GEFE é alguém que deve ter a coragem de ser diferente mesmo indo na direção contrária onde os anos da tradição que afirmava que deveríamos trabalhar duro e aceitar passivamente este fato.

Os tempos são outros e o CHEFE que ainda não vislumbrou o fato que os indivíduos querem ser tratados como tal – e não como “números”, “máquinas” ou robôs – como Seres Humanos Integrais, certamente verá seus colaboradores migrarem para outras empresas além de ver seu negócio naufragar.

Sai o conceito onde felicidade no trabalho era ter carteira assinada, emprego estável, lealdade à empresa e ser um especialista e entra o conceito onde felicidade se traduz por crescimento profissional, qualidade de vida integral, reconhecimento, ter novos desafios, sentir-se útil, ter orgulho em pertencer e trabalhar com a equipe, etc.

Certamente um dos mantras de um GEFE é: “não construímos negócios; construímos indivíduos e eles é que construirão negócios.”

Enquanto os CHEFES eram responsáveis por 66% das demissões de colaboradores, como afirmei no início deste texto, um GEFE, ao contrário, traz para si seus colaboradores, criando neles um sentimento de querer ficar.

Por falar nisso, lembram-se do dia 9 de janeiro de 1822, o dia do fico?

Neste dia, D. Pedro I não acatou as ordens da Corte Portuguesa para retornar a Portugal e exclamou:

– Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico.

Um GEFE será sempre o responsável pelo dia do fico corporativo, onde cada liderado seu terá orgulho em afirmar:

– Se for para o bem da empresa e felicidade geral de todos, digam a eles que fico.

Adeus, CHEFE. Bem-vindo GEFE.

Fava Consulting – Qualidade de Vida Integral, sempre.

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

Adeus CHEFE. Bem-vindo GEFE
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