Você sabe REALMENTE qual é a sua? Artigos, Crescimento Pessoal

Embora esta simples pergunta possa lhe parecer estranha, ela encerra um dos princípios da física quântica.

No final dos anos 20 do século passado, mais precisamente em 1927, o físico Werner Heisenberg formulou o princípio da incerteza. Este princípio afirma que não podemos determinar com precisão e simultaneamente a posição e o momento (massa e velocidade) de uma partícula.

Quanto maior a precisão de se medir a posição da partícula, menor a precisão de se medir seu momento, e vice-versa. Em síntese: OU se mede o momento OU se conhece a sua localização, e com isso temos que nos contentar.

Para se ter certeza de algo, temos que ter certeza sobre um conjunto de dados, seja lá quais forem. Imagine, por exemplo, um carro em movimento. Se este carro vai de um ponto A para um ponto B em um dado intervalo de tempo, pronto: fica fácil calcular a velocidade do carro.

Na física quântica, a incerteza estará sempre presente, pois ela é inerente ao próprio ato da medição. Para o idealizador deste princípio, todas as vezes que alguém tenta realizar alguma medida, este alguém acaba interferindo de alguma forma na própria medida.

Imagine que você queira medir a pressão de ar de um pneu. Quando você acopla o aparelho medidor, uma pequena quantidade de ar escapa do pneu. Isso implica que a pressão existente dentro do pneu foi diminuída no ato de medi-la. O aparelho medidor interferiu na pressão existente antes da medição, muito embora este intervalo seja quase imperceptível.

Voltemos ao início deste texto e, agora, imagine algo extremamente pequeno, como um elétron. Caso você tenha a curiosidade de saber sua real posição, teria que incidir sobre ele um quantum de luz, ou um fóton. Só que este fóton empurra o elétron, tirando-o da sua posição original.

Por isso a física quântica é a física das possibilidades. O máximo que se pode conseguir é “calcular” possibilidades de onde as coisas estão e como elas se comportarão.

E para ilustrar ainda mais este conceito, o físico austríaco Erwin Schödinger, em 1935, criou um experimento mental que recebeu o nome de gato de Schrödinger e onde a observação é capaz de definir a realidade.

O gato de Schrödinger

A experimentação (mental) está em colocar um gato dentro de uma caixa. Também dentro da caixa, coloca-se um único átomo radioativo ligado a um aparelho medidor. Este aparelho conecta-se a um martelo, o qual se localiza acima de um recipiente contendo veneno.

Se o aparelho detectar que o átomo perdeu um elétron, o martelo quebra o frasco, libera o veneno e o gato morre.

Mas, de acordo com o princípio da incerteza, a probabilidade do átomo perder o elétron pode ser negativa e, para mais, sua posição é múltipla: ele pode estar tanto em uma órbita perto do núcleo quanto em outra, longe do núcleo. A sua posição real “definitiva” só será determinada quando alguém observá-lo.

Como a vida do gato está diretamente relacionada à posição do elétron, e este pode estar em qualquer lugar, o gato poderá estar tanto vivo quanto morto dentro da caixa.

E aí fica a pergunta: o gato está vivo ou morto?

Somente teremos a resposta ao abrir a caixa. Se um observador abre a caixa, ele determina, por observação, a posição do elétron e, somente neste momento, fica definida a vida ou a morte do gato.

E aí está o paradoxo: enquanto não se abre a caixa o gato está vivo e morto ao mesmo tempo.

Um outro exemplo vem da figura abaixo, onde um cilindro é iluminado por duas fontes de luz ao mesmo tempo, mas em posições diferentes e onde suas sombras são projetadas sobre dois anteparos.

Repare que, em um dos anteparos, a sombra tem a forma circular e, no outro anteparo, a sombra é quadrada.

Pergunta: como é possível ser circular e quadrada ao mesmo tempo?

E aí vem o fator observação. Se você se coloca na posição da primeira fonte de luz, você só verá a sombra circular. De modo contrário, se você se posiciona como a outra fonte, você só verá a sombra quadrada.

É por isso que a observação tem uma interferência direta naquilo que definimos como “a nossa realidade”.

Isto também se aplica aos nossos pensamentos.

Em seu livro The self-aware universe: how conciousness creates the material world, os autores Amit Goswani, Richard E. Reed e Maggie Goswani assim se expressam:

“Você pode se perguntar: “há realmente alguma evidência de que as ideias da mecânica quântica se aplicam ao cérebro-mente?”. Pelo que parece, há pelo menos evidências circunstanciais. David Bohm e, antes dele, August Comte perceberam que parece haver um princípio da incerteza operando para o pensamento. Se nos concentramos no conteúdo do pensamento, perdemos de vista a direção por onde o pensamento está se encaminhando. Se, ao contrário, nos concentramos na direção do pensamento, o seu conteúdo ficará fora de foco. Observe seus pensamentos e veja por si mesmo”.

Os autores observam que o ato de nos concentrarmos em alguma coisa com a mente introduz, inerentemente, a probabilidade de ocorrer uma percepção errônea: enquanto nós pensamos sobre os aspectos específicos de uma ideia, perdemos de vista a tendência ao longo da qual ela poderia fluir.

E Gerald Harris complementa:

“Ao manter uma firme posição na maneira como você percebe alguma coisa, não lhe é possível prever com precisão como essa coisa poderia mudar. E se você estiver seguro a respeito de como alguma coisa está evoluindo ou para onde ela está tendendo, é muito difícil prever o estado em que ela se encontra em um determinado estado no futuro”.

Veja o exemplo da evolução do avião. Será que Santos Dumont ou os irmãos Wilbur e Orville Wright poderiam imaginar que, nos dias de hoje, teríamos aviões que transportassem centenas de pessoas?

Ou será que o escocês Alexander Graham Bell poderia imaginar que um aparelho desenvolvido para dar e receber chamadas poderia se transformar nos aparelhos celulares com inúmeras funções, como temos nos dias de hoje?

Em resumo: a maneira como eu olho para algo (minha atitude) afeta o que eu vejo (como eu o defino) e o que ele pode se tornar. Mas, quando eu mudo o modo de como eu olho para algo (minha atitude) então ele pode se tornar algo totalmente diferente, agora e também no futuro.

Infelizmente, ou felizmente, temos que aceitar a incerteza como um estado natural fazendo parte das nossas vidas.

Talvez, graças a ela, vivemos em constantes mudanças. E se você acha que não, responda à seguinte pergunta: você se considera o mesmo indivíduo de dez anos atrás?

Se a resposta for não é porque mudanças aconteceram, seja na sua aparência, na sua maneira de ser, nos seus hábitos, etc. E o que era uma certeza há dez anos, hoje já não pode ser porque você mudou a maneira de ver o mesmo “algo”.

Agora, sugiro que você releia a pergunta que encabeça este texto e entenda o porquê que a palavra REALMENTE está inserida no texto.

Dá para se ter certeza de alguma coisa neste período de tempo chamado Vida?

Luiz Roberto Fava

Autor: Autor: Luiz Roberto Fava

Especialista em Endodontia, palestrante de Qualidade de Vida Integral.

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